Eric Zambon
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Em virtude do Carnaval, traficantes e distribuidores de entorpecentes vêm ao DF para abastecer a demanda local. Conforme o delegado Rodrigo Bonach, da Coordenação de Repressão às Drogas (Cord), a Polícia Civil age para que a cocaína não seja a droga do momento. Na tarde desta quarta-feira (15), a Operação Carnaval Sem Drogas prendeu três pessoas suspeitas de armazenar e misturar 17 quilos da substância com fermento em pó para vender no feriado.
“A mercadoria toda valia cerca de R$ 350 mil, mas, quando misturada, renderia bem mais”, explica Bonach, que alerta para fórmulas ainda menos ortodoxas usadas pelos traficantes para aumentar a liquidez do seu “negócio”. “Tem gente que mistura com pó de giz e até pó de mármore. E isso vai tudo para o pulmão”, salienta o delegado.
As prisões de Deionatan Ferreira Costa, 34, apontado como líder do esquema; Roselene de Oliveira da Silva, 28; e Lindemara Soares de Sousa, 25, aconteceram às 14h em uma casa de Taguatinga. O local seria usado para armazenar e ensacar as drogas e também como moradia. A polícia afirma ter encontrado três balanças de precisão, uma pistola, um revólver e até uma moto aquática.
Logística
O grupo foi classificado como uma “célula criminosa” pelos investigadores e seria dono de outra residência em Samambaia. Ali, traficantes da região abasteceriam seus estoques e revenderiam nas ruas de todo o DF. “Outros grupos que operam de maneira parecida vêm sendo desarticulados. Só não chegamos até os fornecedores”, admite Bonach. Ele explica que, como Brasília não produz a droga, as importações acontecem da Bolívia, Colômbia e Paraguai.
Segundo o delegado, existe incidência de outros tipos de entorpecentes em época de Carnaval, como lança-perfume, mas a cocaína preocupa por sua capacidade de utilização. “Ela pode ser usada para fazer outras substâncias, principalmente o crack, o que nos preocupa bastante”, afirma. Ele lembra, no entanto, que em 2016 houve apreensão de uma tonelada de maconha, então as drogas populares podem se alternar sazonalmente.
Os suspeitos presos hoje foram recolhidos ao cárcere da Divisão de Controle e Custódia de Presos e aguardam julgamento. Segundo a Polícia Civil, os três foram autuados em flagrante e indiciados por tráfico, associação para o tráfico e posse ilegal de armas. Deionatan e Roselene seriam um casal e estariam sujeitos a pena entre dez e 31 anos. Lindemara, única sem antecedentes criminais, pode pegar de oito a 25 anos de prisão.
De acordo com a polícia, Deionatan acumula passagens por embriaguez ao volante, agressão e porte de drogas, enquanto Roselene já foi autuada por tráfico de drogas em 2007, em São Sebastião.
Memória
Uma tonelada de maconha
- Conforme relembra o delegado Rodrigo Bonach, em janeiro do ano passado houve a apreensão de uma tonelada de maconha. A ação aconteceu na BR-070, próximo a Águas Lindas (GO), na Região Metropolitana do DF.
- Na ocasião, um carro modificado internamente para comportar a droga foi abordado por agentes da Cord após dois meses de investigação. As ervas teriam vindo de Ponta Porã (MS) e seriam destinadas a pontos de venda em Samambaia, Santa Maria e Vicente Pires. De acordo com Bonach, tivesse sido bem-sucedida, a quadrilha poderia ter embolsado até R$ 1,6 milhão.