Em assembleia realizada na tarde desta quinta-feira (1º), policiais civis decidiram recusar a proposta do Governo do Distrito Federal. Após diversas propostas, o GDF ofereceu um aumento salarial de 8%, que passará a valer em 2018. Além disso, a correção segue com aumento de 7% no ano seguinte, 8% em 2020, e 10% em 2021. No entanto, a categoria exige o reajuste de 37%, o mesmo concedido à Polícia Federal.
De acordo com o diretor da Associação dos Delegados da Polícia Civil (ADEPOL), Rafael Sampaio, a proposta apresentada pelo governo é inaceitável. “O governador diz que recebeu uma herança maldita do governo anterior, mas ele também quer nos transformar nessa herança. Nós já estamos no segundo ano do seu mandato e mesmo assim ele quer jogar a discussão para o governo seguinte”, pondera.
Ainda segundo o diretor, todos os cargos comissionados deveriam ser entregues, inclusive o do diretor-geral Éric Seba. “Não temos mais uma relação de confiança com o governador. A instituição paralisar, de verdade, quando o diretor-geral entregar o cargo. Aí nós seremos obrigados a trabalhar de forma realmente precária”, alerta Sampaio. Ele ainda acrescenta que a permanência nos cargos comissionados não é obrigatória.
Para pressionar o governo, a categoria afirma que irá continuar com a operação-padrão e argumenta que a ação segue dentro da lei. Com a medida, os agentes registram apenas flagrantes e ocorrências criminais. Investigações, intimações, protocolo de documentos e diligências ocorrem de forma mais restrita. A categoria diz que a tendência é intensificar o movimento, caso o GDF não apresentar uma proposta aceitável.
População sofre as consequências
Sobre os efeitos que o movimento causa na população, o diretor afirma que é notável o aumento de crimes. “Infelizmente as pessoas acabam pagando sem culpa alguma, mas essa é a única maneira que temos de revindicar nossos direitos”. Sampaio ainda lembra que as investigações em andamento também são prejudicadas, uma vez que dependem dos funcionários exonerados. “Não queremos prejuízo, mas, se continuar assim, a tendência é só piorar”, conclui.
Reivindicação
Sampaio afirma ainda que, se o GDF não apresentar uma nova proposta até a próxima segunda-feira (5), a categoria fará uma ação de desconfiança em relação ao diretor-geral da Polícia Civil.
Durante a paralisação, continua funcionando somente as investigações que já estavam em andamento. “Mesmo assim, garantimos que não conseguimos ter a mesma dedicação que teríamos se fossemos reconhecidos pelo Governo”, pondera Sampaio.
Uma lista com cerca de 857 cargos foram entregues à Casa Civil na última quarta (24), mas o diretor da ADEPOL acredita que a relação ainda deve crescer. ” A entrega dos cargos comissionados é muito mais grave do que uma greve geral. O total de cargos entregue por delegados chega a 95%”, informa.
Posicionamento
O Governo do Distrito Federal disse que lamenta a recusa da proposta, apresentada nessa quarta-feira (31), e reafirmou que está no limite de suas possibilidades financeiras, orçamentárias e de responsabilidade fiscal.
O governo alega ainda que se depara com um déficit de R$ 1 bilhão para fechar as contas de 2016. Uma nova reunião com líderes sindicais e o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) está marcada para a próxima semana
Manifestação
Em forma de protesto, policiais civis atearam fogo em um caixão em frente ao Palácio do Buriti, na tarde desta quinta-feira (1). A categoria pede a publicação do pedido de exoneração dos servidores da corporação que ocupam cargo de chefia. Na semana passada, os policiais entregaram os cargos devido ao impasse nas negociações de reajuste à categoria.