Preocupado com a falta de lazer no Residencial Oeste, em São Sebastião, o 21º Batalhão de Polícia Militar decidiu abrir as portas do quartel para os meninos de 10 a 14 anos. Nascia assim o projeto Bom de bola – craque na escola. Desde 2011, os meninos que participam da escolinha de futebol da unidade policial são estimulados a desenvolver o espírito esportivo e a melhorar o rendimento escolar.
Projeto Bom de Bola, Craque na Escola. Alunos Michel Barbosa (E) e Antônio Eduardo (D).O garoto Antônio Eduardo Barbosa, de 13 anos, é uma das 40 crianças matriculadas na escolinha. A jovem promessa do futebol brasileiro tem pinta de artilheiro. No último campeonato amador de São Sebastião, ele marcou dois gols e ajudou o time da escolinha a ganhar o segundo lugar. O menino diz que antes do projeto ficava em casa assistindo à TV porque não tinha onde brincar. “Está aqui jogando bola e fazendo amigos é bom demais”. O irmão dele Michel, de 10 anos, segue a mesma trilha. Se o futuro no futebol não for promissor, Antônio Eduardo se dedica aos estudos para trilhar outra carreira. “Se não der certo, estou estudando para ser investigador”, explica.
Os meninos têm aulas três vezes por semana em horário contrário à frequência na escola. A empregada doméstica Ana Paula Barbosa, mãe dos garotos Antônio Eduardo e Michel, conta que os meninos ficaram mais responsáveis, pontuais e obedientes. “Em vez de ficar na rua, eles ocupam o tempo e não se envolvem com pessoas erradas”.
Responsabilidade
Não basta ter fome de bola para ser um craque treinado no quartel de São Sebastião. Os meninos precisam melhorar o desempenho na escola e o comportamento em sala de aula. Antes de começar a treinar, eles passam por uma avaliação feita pelos médicos da Policlínica da Polícia Militar. O quartel oferece bolas, calções, camisas de futebol, bolsa com materiais de primeiros socorros e protetor solar. Além da atividade esportiva, a unidade policial dá palestras educativas. “Precisamos resgatar as crianças que estão na ociosidade e aproximar a comunidade da polícia para formar um cidadão de bem”, explica o sargento Dinei de Amorim, que ao lado do sargento Antônio Cajé, coordena o projeto. “Se formarmos um atleta, melhor ainda”, completa.
Projeto Bom de Bola, Craque na Escola. Apesar do pouco tempo de funcionamento, a escolinha do quartel de São Sebastião já revela craques de futebol. Regis Rosing, de 12 anos, mais conhecido como Bebê, fez sucesso em uma competição no Chile. Jogando contra garotos do Chile, Argentina e Paraguai, ele foi um dos artilheiros marcando três gols no campeonato. “O chato foi ficar seis dias no ônibus pra ir e cinco pra voltar”, comentando sobre a longa viagem até o país sulamericano.
A empregada doméstica Edilça Moraes, mãe do Gabriel, de 10 anos, está empolgada com o desempenho do filho. “Ele emagreceu”, comemora. Ela conta que o menino sempre gostou de jogar bola, mas ficava em casa sozinho porque não gostava de brincar na rua. Outro pai que comemora a existência do projeto Bom de bola é o sargento Moacir de França. O filho dele Leandro Andrade, de 13 anos, era tímido e não gostava de esportes. “(com os treinos) ele até perdeu peso e passou a gostar de futebol”, conta o todo orgulhoso sargento Moacir.
A escolinha de futebol tem capacidade para atender 60 crianças. Os alunos que faltarem cinco vezes consecutivas sem justificativa serão desligados do projeto.