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Brasília

Planaltina também cura as doenças de seus moradores por meio das ervas

Arquivo Geral

28/11/2010 12h22

Tudo começou há aproximadamente duas décadas, em 1984, quando o então diretor do Hospital Regional de Planaltina, Carlos Alberto Camargo Campos, deu início a cultivo de ervas medicinais, em uma área da instituição. Hoje, o Centro de Medicina Alternativa (Cema) da Regional de Saúde, oferece tratamentos com uso de fitoterápicos e distribuição de ervas medicinais in natura. São mais de 150 espécies diferentes de plantas em aproximadamente 20 mil metros quadrados. Além disso, a instituição dispõe de laboratório com farmacêutico para manipular a produção dos cremes, pomadas, tinturas, xaropes, entre outros produtos.

 

Só em 2009, o Cema atendeu a 31 mil pessoas, sendo 1.588 pessoas nos ambulatórios de homeopatia adulto, homeopatia infantil 483, psicologia 917, e psicologia em grupo 1.176. Ainda se soma os grupos de auto-massagem com 2.715 atendimentos, shantala 36, terapia comunitária 647 e eventos sobre Educação e Saúde 23.502.

 

O médico Carlos Alberto, que assumiu recentemente mais uma vez a direção do hospital, na época, foi instigado a iniciar esse projeto por causa dos pacientes e das mães com seus bebês que contavam, durante as consultas, fazer uso de remédios caseiros enquanto aguardavam o dia do atendimento. Assim, a cultura da comunidade em fazer uso de plantas medicinais como “chazinhos”, ervas comestíveis, medicinais e raízes no combate a várias doenças, deu origem a idéia de cultivar um canteiro na própria unidade de saúde.

 

Troca

Logo depois da iniciativa de criação do espaço para o cultivo das ervas, foi estabelecida uma parceria entre o Cema e a Universidade de Brasília (UnB), em que as duas instituições faziam a troca de mudas de plantas e também de conhecimento sobre as propriedades de cada uma delas. Dessa forma, o número de espécies foi crescendo e se resolvendo mais tipos de problemas. 

 

Os moradores da cidade que usufruem, por meio do Cema, dos benefícios da medicina alternativa, passaram, também, a doar diversas mudas e a colaborar com o conhecimento sobre a respectiva aplicação terapêutica de cada uma. 

 

Mas foi apenas em junho de 1999, depois de aprovada a Lei 2.400, que a unidade passou a existir legalmente. O centro atualmente é coordenado pelo médico Cláudio Werneck Muniz. A equipe multiprofissional é integrada por 36 profissionais de nível superior e médio.

 

Este ano, foram implementados no cronograma de atividades Oficina de Bordado e Terapia, Taishishuan e Bordagem e Tecelagem. Além disso, foi realizado curso de culinária, em parceria com o grupo Cozinha Brasil, do Sistema Social de Indústria (SESI). 

 

Os trabalhos feitos pelo Cema, visam orientar as pessoas quanto aos cuidados com a própria saúde, melhorando a qualidade de vida. “Procuramos orientar as pessoas ao invés de tratar as doenças. A gente acha que essa abordagem diferente vai evitar  a iternação e reduzir a prestação de serviço hospitalar, que são caríssimos”, explicou  Werneck.

 

De acordo com a diretoria do hospital, entre os medicamentos fabricados estão pomada para tratamento de vitiligo e manchas na pele, xaropes para combater a gripe e a bronquite, antiinflamatórios, diuréticos e compostos calmante/digestivo.

 

Tóxicas

Segundo Claúdio Werneck, há muitas plantas tóxicas e, por isso, é preciso orientação quanto a sua utilização. “Nós só usamos plantas listadas pelo Ministério da Saúde que já foram estudadas e liberadas. O confrei, por exemplo, é uma planta que já foi muito usada para fazer chás, mas ela ataca o fígado. Nós a usamos, mas só para tratamentos externos.”

 

Outras ervas que podem causar malefícios se administradas de forma incorreta são a espirradeira, com efeitos cardiotóxicos;  a beladona, em que a ingestão de apenas uma folha pode ser fatal para um adulto; e a buchinha, que entre as suas utilidades, ela é usada para sinusite.

 

Além disso, o médico conta que o Cema procura seguir a cultura popular, mas deixa claro que, para isso, é realizada uma série de estudos. Ele faz alerta para alguns medicamentos populares que não têm eficácia comprovada. “A folha de abacate é usada pelas pessoas como diurético, mas ela não tem essa ação comprovada cientificamente”, afirma.

 

Uma das vantagens de se utilizar a medicina alternativa é a economia, pois a própria comunidade pode produzir o seu medicamento, lembrando que com a devida orientação, oferecida pelo Cema, por meio de palestras ou por pessoas capacitadas para isso. 

 

Na unidade, é possível fazer agendamento para a realização de consultas homeopáticas; participar de grupos de auto-massagem, que inclui o uso da medicina chinesa; terapia comunitária, com a presença de psicólogos; e oficinas integrativas de educação em saúde.

 

Serviço

Todos os remédios medicinais são distribuídos gratuitamente à comunidade de Planaltina e das demais regiões administrativas.

 

Fitoterápicos: Para serem entregues, é necessária a apresentação de receita médica na Farmácia de Manipulação do Cema, de segunda à sexta-feira, das 8h às 12h e de 13h às 17h.

 

Ervas medicinais IN NATURA, às  terças e quintas-feiras, das 8h às 10h. 

 

Para marcar consultas homeopáticas ou participar das atividades oferecidas, os interessados devem procurar o Cema, de segunda a sexta-feira, das 8h às 12h e das 14h às 18h. Ou ligar para 3388-9760/ 3388-9678 e 3388-9740.

 

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