Das 645 escolas públicas do Distrito Federal, apenas 25% possuem adaptações para alunos com deficiência. E a triste realidade não para por aí. Hoje, existem somente 13 instituições educacionais para este público em toda a capital, segundo dados da Secretaria de Educação (SEDF). São quase 15 mil estudantes com deficiência matriculados na rede pública.
Os números podem explicar outro cenário desolador. Dentre as pessoas com deficiência de 15 anos ou mais, 40% não completaram o Ensino Fundamental. Os índices, divulgados pela Companhia de Planejamento do DF (Codeplan), revelam a ausência do governo, uma vez que 22% dos moradores da cidade possuem algum tipo de limitação, ou seja, mais de 500 mil.
Entre os principais problemas apontados no estudo estão a falta de vias de acesso, como rampas, e a ausência de pisos táteis e banheiros adequados aos deficientes. Na 612 Sul, por exemplo, no Centro de Ensino Especial para Deficientes Visuais ainda faltam rampas de acesso em frente à escola. Os cegos representam 60% dos deficientes do DF. Para ajudar os alunos cadeirantes e cegos, o sargento da PM Raimundo Vila Nova leva os alunos à parada de ônibus e ajuda no embarque e na subida nas calçadas.
“Aqui até é mais tranquilo porque a escola é voltada para essas pessoas. Porém, eles enfrentam ainda o desrespeito dos motoristas de ônibus, que não param nos pontos”, apontou ele.
FALHAS
Professora, Kelvia Fernandes, 40, conhece bem as falhas no ensino para deficientes. Hoje com 17 anos, seu filho Lucas é cadeirante e tem limitações de aprendizado. “A rede de ensino não está preparada para lidar com esses alunos. A questão da acessibilidade ainda é um problema. Não adianta só colocar uma rampa na porta. A acessibilidade vai desde o tratamento do porteiro até a merendeira”, apontou.
A pedagoga conta que os problemas de aprendizagem do filho começaram quando ele começou a frequentar uma escola regular. “Os professores não estavam preparados”, diz. Hoje, ele estuda em uma classe especial, no CE 4 do Guará.
O presidente da Associação Brasiliense de Deficientes Visuais, Cesar Aschkan, 49, acredita que a cidade ainda está longe de ser exemplo de acessibilidade. “Temos um longo caminho pela frente. Falta uma política integrada entre vários órgãos para que a coisa engrene. Hoje, temos pequenas ações isoladas e isso dificulta tudo”, diz.
Para Milton dos Santos, 42, que tem a mesma deficiência, o transporte público da região é falho. Além do desrespeito de motoristas que não param, eles lidam com as dificuldades de subir no veículo sem ajuda. “O que o governo deve entender é que deficientes dependem dos ônibus. Não é um ou outro carro que deve ter acessibilidade, mas todos”, salienta.
Hoje diretor da Associação de Deficientes Visuais, Milton reclama ainda do acesso ao passe livre. A Secretaria de Transportes limitou o serviço a deficientes que recebem menos de três salários-mínimos. Por isso, o funcionário da Secretaria de Educação acabou ficando sem o benefício. Revoltado, ele reclama das políticas do governo.
“O pouco que a gente tem eles tiram. Não faz sentido algum ficar sem o passe”, afirma. Casado, pai de dois filhos, ele leva um até a escola de ônibus. “Por dia, vou gastar pelo menos R$ 12”, ressalta.
Números de destaque
O maior percentual de pessoas com deficiência está na população de 65 anos ou mais: 63%.
A cidade com mais deficientes é o Gama, com 27%. Em segundo lugar o Riacho Fundo II, com 25%; e em seguida Samambaia, 24%.
A deficiência motora é a segunda com mais incidência: 18%.
Em 2012, segundo o DataSUS, mais de 2 mil internações hospitalares foram motivadas por deficiência no DF. A maioria decorrente de paralisia cerebral: 80%.