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Brasília

Pesquisa vai avaliar impactos ambientais em 26 mananciais do DF

Projeto do IPEDF e da Caesb visa analisar, a partir de setembro, a situação dos mananciais de água potável, com foco em preservá-los

Carolina Freitas

22/07/2024 16h24

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Crédito: Divulgação / IPEDF

Por falta de um estudo detalhado sobre os impactos do crescimento urbano próximo às áreas de proteção de mananciais, o Instituto de Pesquisa e Estatística (IPEDF) em parceria com a Companhia de Saneamento Ambiental do DF (Caesb) desenvolveu o projeto “Avaliação das Áreas de Proteção de Manancial” (APM). A pesquisa tem como foco analisar, a partir de setembro, a situação de 26 mananciais de água potável da capital federal, com objetivo de preservá-los para o futuro.

Ao Jornal de Brasília, o diretor de Estudos e Políticas Ambientais e Territoriais (DEPAT), do IPEDF, Werner Vieira, explicou que a ocupação desordenada nas áreas próximas aos mananciais e às mudanças climáticas que atingem o Distrito Federal, ao longo dos anos, foram os dois fatores principais que suscitaram a ideia do projeto: “Nossa pesquisa buscará entender como está a preservação dos mananciais, quais impactos estão ocorrendo de fato neles, sejam pela atividade humana com o aumento da ocupação desordenada ou outras ações, como queimadas e problemas climáticos. Quando falamos de ocupação desordenada, estamos falando de produção de esgoto não tratado ou atividade industrial que libere óleo e entre outras substâncias na água”.

Caso um desses 26 mananciais esteja sendo contaminado, a água que vem dele poderá parar em locais de captação e tratamento de recursos hídricos: “A liberação de esgoto não tratado ou de outras substâncias nos mananciais podem provocar algum tipo de consequência na água que vai ser captada e tratada para ser distribuída para a população do DF. Por isso, é tão importante preservar esses mananciais. Atualmente, Brasília tem uma quantidade de reserva de água suficiente, não existe um impacto urgente para falta de água nos reservatórios, no entanto, no futuro nós não sabemos se continuará assim. Então, preservar os mananciais é importante para o futuro”, enfatizou Vieira.

“Quando essas substâncias poluidoras encontram-se nos mananciais, elas podem ir para dentro das áreas de captação de água e podem dificultar o processo de tratamento. Se você tem muito elemento químico na água vai exigir um tratamento mais complexo e caro. E ao longo do tempo, esse local pode deixar de ser um lugar de captação de recursos hídrico”, completou o diretor do IPEDF. Com a pesquisa, legisladores e governantes poderão ser orientados na elaboração de políticas públicas eficientes para preservação dos mananciais.

Atualmente, o Brasília Ambiental (Ibram), Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Proteção Animal do DF (Sema) e a própria Caesb, acompanham a situação dos mananciais, mas conforme destacou o diretor do IPEDF, não houve ainda nenhum estudo detalhado sobre os reais impactos do crescimento urbano nessas áreas de proteção: “Esse será um estudo com uma abrangência e complexidade maior. Nós estamos juntando dois corpos técnicos, do IPEDF e da Caesb, para fazer um estudo mais detalhado e abrangente de todos os mananciais”, disse.

Inscrições para pesquisadores

O projeto está com inscrições abertas, até sexta-feira (26), para contratação de pesquisadores bolsistas que avaliarão os impactos nas áreas de proteção de mananciais. São ofertadas três vagas para graduados, mestres e doutores com formação em engenharia civil, ambiental, sanitária, ou áreas correlatas, com conhecimentos em hidrologia, recursos hídricos e mananciais. Até o momento, o IPEDF já recebeu 11 inscrições, e outras 78 estão em andamento pelo formulário eletrônico.

“As inscrições estão indo muito bem. O interesse pela área é muito grande, tanto para os engenheiros florestais como para os biólogos. Estamos com uma perspectiva muito boa de fazer um processo seletivo refinado e de qualidade. Quem vai trabalhar conosco serão pessoas muito capacitadas, o que vai gerar resultados fantásticos. Estamos com uma perspectiva para um número maior de inscritos, pelos que ainda faltam concluir o formulário eletrônico”, comentou Vieira.

A pesquisa terá início em setembro deste ano, após a escolha dos pesquisadores, e durará dez meses. Ao longo do levantamento, o IPEDF fará a produção de relatórios para entregar a Caesb, para que possam se pensar em ações em prol dos mananciais. A expectativa é que o relatório final fique pronto no início do segundo semestre de 2025. “É um trabalho inédito no contexto do DF. Além disso, o edital foi concebido para que os pesquisadores selecionados tenham liberdade de apresentar uma metodologia de pesquisa mais inovadora e adequada para as necessidades da investigação em questão”, explicou o gerente de Bacias de Mananciais da Caesb, Henrique Cruvinel.

Mananciais

As Áreas de Proteção de Manancial (APM) que serão analisadas pela pesquisa são: Capão da Onça, Brazlândia, Currais, Pedras, Contagem, Paranoazinho, Corguinho, Mestre D’Armas, Brejinho, Quinze, Cachoeirinha, Taquari, Alagado, Catetinho, Ponte de Terra, Crispim, Olho d’Água, Fumal, Bananal, Torto/Santa Maria, Santa Maria I, Santa Maria II, Santa Maria III, Pipiripau, Futuro Lago São Bartolomeu – Jusante Paranoá, Futuro Lago São Bartolomeu – Montante Paranoá, e também a faixa de inundação do Lago Descoberto, incluída como APM.

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