Carlos Carone
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Marginalizados pela prática de atos infracionais, crianças e adolescentes do Distrito Federal confessam sentir na pele uma suposta truculência policial que ocorreriam nas ruas e até dentro das delegacias. A afirmação é baseada em uma pesquisa realizada pela Vara da Infância e da Juventude (VIJ). O estudo apontou que 120 jovens (23,4%), de um total de 513 entrevistados contaram sofrer violência cometida por policiais.
O levantamento A Violência Policial na Voz dos Adolescentes em Conflito com a Lei envolveu apenas adolescentes que cumprem medidas socioeducativas em meio aberto, como prestação de serviços à comunidade. A maioria dos adolescentes que relataram agressões – 94, que representa 78,47% – contou sofrer mais de um tipo de ato violento supostamente cometido por policiais.
A pesquisa coordenada pela psicóloga Bárbara Macedo e a assistente social Regina de Loiola, ambas lotadas na Seção de Medidas Socioeducativas (Semse) da VIJ, também procurou identificar a tipo específico de violência sofrida pelos adolescentes. De acordo com os dados, 91 adolescentes contaram receber tapas, enquanto 74 disseram ter recebido socos desferidos pelos agressores. O restante, 72 entrevistados reclamaram de agressões como chutes.
Os adolescentes ouvidos na pesquisa relataram, inclusive, as partes do corpo que são mais atingidas pelas supostas agressões sofridas quando são flagrados cometendo algum ato infracional. Em primeiro lugar aparece o rosto e a cabeça, com 194 relatos. Rins e costelas aparecem logo em seguida, com 82 queixas.
O ranking das cidades do Distrito Federal onde ocorrem a maioria das agressões relatadas pelos adolescentes é liderado por Taguatinga, com 14,53% dos casos. Em segundo lugar aparece Ceilândia, com 11,97% dos registros, além de Samambaia, Brasília e Gama, empatadas, com 9,4% das queixas. Segundo as duas servidoras da VIJ que coordenaram a pesquisa, um dos fatos que mais chamou a atenção são os cerca de 80% dos entrevistados que não denunciaram os atos violentos por descrença, receio ou desinformação.