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PCDF prende trio acusado de estelionato; empresa onde atuava o grupo também é investigada

Os funcionários da Diamond são acusados de contrair novos empréstimos quando das consultas nos celulares dos clientes, e o dinheiro supostamente arrecadado era transferido a uma conta administrada pelo trio preso em flagrante

Olavo David Neto e Willian Matos
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A Polícia Civil (PCDF) deflagrou na última quarta-feira (24) a Operação Fecha Firma, pela qual policiais da 35ª Delegacia de Polícia (Sobradinho II) desarticularam uma suposta associação criminosa especializada em estelionatos. Sem investigação prévia, os agentes receberam a denúncia de uma pretensa vítima na DP e, à paisana, um policial acompanhou a negociação na sede da Diamond Assistência Pessoal, empresa na qual os três detidos prestavam serviços – e por meio da qual, segundo as acusações da PCDF, davam aspecto legal às atividades.

Na sede da empresa, que na verdade é uma filial no DF de uma instituição carioca, foram encontrados “roteiros” para as ligações, nas quais os representantes deveriam se identificar como representantes de uma instituição bancária. Na conversa, os atendentes informavam supostas dívidas do interlocutor – preferencialmente servidores públicos – referentes a empréstimos anteriores. Assim, eram oferecidas condições como taxa de juros reduzida e descontos de até 40% no pagamento total.

Divulgação/PCDF

Os funcionários da Diamond são acusados de contrair novos empréstimos quando das consultas nos celulares dos clientes, e o dinheiro supostamente arrecadado era transferido a uma conta administrada pelo trio preso em flagrante. Os três são acusados e serão indiciados por estelionato e associação criminosa. Juntas, as tipificações criminais podem render de um a oito anos de prisão por cada crime comprovadamente realizado por eles.

A reportagem mostrou o documento apreendido a Thais Assis, diretora da empresa no Rio, que afirmou não pertencer à Diamond a folha de papel encontrada na sede brasiliense.

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Os funcionários da Diamond são acusados de contrair novos empréstimos quando das consultas nos celulares dos clientes, e o dinheiro supostamente arrecadado era transferido a uma conta administrada pelo trio preso em flagrante. Os três são acusados e serão indiciados por estelionato e associação criminosa. Juntas, as tipificações criminais podem render de um a oito anos de prisão por cada crime comprovadamente realizado por eles.

A vítima ouvida pela 35ª relatou que, nas ligações recebidas, colaboradores da Diamond se identificaram como funcionários do Banco de Brasília (BRB) e lhe informaram que haveria um montante a ser ressarcido pela instituição a ela. De acordo com a denúncia, foi agendada visita para a última quarta-feira (24), e neste encontro ela deveria permitir acesso ao aplicativo móvel do banco. Conforme relatório da Polícia Civil, foram registradas 12 ocorrências semelhantes.

O JBr. entrou em contato com uma suposta vítima da Diamond por telefone. Ao atender o celular, a mulher se mostrou temerosa a prestar esclarecimentos à reportagem, mas confirmou que fora abordada por atendentes nos termos descritos pela polícia. Segundo ela, o gerente do banco foi acionado e apontou que se tratava de uma tentativa de golpe. Outra pessoa abordada pela empresa disse que o pai tivera problemas com processos semelhantes, e um outro temia problemas futuros com a instituição bancária.

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Complicações

Diones Oliveira da Costa, 35 anos, e Raquel Lopes de Sousa, 27, eram funcionários da filial candanga da Diamond, localizada na Asa Sul. Olamine Lage Farah Nolasco, 31, por outro lado, é gerente-geral da matriz, no bairro de Guadalupe, Rio de Janeiro, e prestava apoio à segunda sede aberta em um ano de existência da empresa. Diretora do empreendimento, Thais Assis defendeu os funcionários em entrevista ao Jornal de Brasília e apontou o que chamou de “armações” na atuação da PCDF. “Foi uma situação totalmente errada, armada. A empresa é correta”, queixou-se Assis.

De acordo com ela, não se tratou de uma operação da corporação, mas uma decisão ao arrepio dos boas práticas policiais. “Eles não tinham mandado, não foi autorizada entrada no prédio. Os funcionários não estavam fazendo nada de errado, a cliente mostrou o empréstimo”, comenta Thaís, que também afirma que Olamine foi levada à DP “apenas para testemunhar”, mas, no prédio policial, foi autuada, “já acionaram por associação [criminosa]”. Delegado responsável pela ação, Leonardo Alcanfor desmerece as críticas. “A gente foi ver o modus operandi, como o golpe era aplicado”, explica o policial.

De acordo com ele, as denúncias registradas por uma vítima de 51 anos, na unidade da PCDF em Sobradinho, motivaram uma pesquisa no banco de dados da corporação. “Apareceu um monte de ocorrências semelhantes”, aponta o delegado. “Fomos com um policial à paisana para acompanhar as negociações com a vítima, que tinha hora marcada na empresa, e quando ele percebeu que o golpe estava em curso, deu o sinal”, descreve, explicando que, “quando há um flagrante, não precisa de mandado”. “A Polícia Militar passa o dia fazendo flagrante”, finaliza.

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Thais defende a empresa e aponta que a consulta aos aplicativos dos clientes é algo corriqueiro no cotidiano da Diamond. “Quando a gente trabalha com crédito consigando, para ver se tem margem ou não, é preciso ver o contra-cheque. A gente solicita isso”, explica. “O que foi dito na delegacia é que as meninas solicitaram esse contra-cheque e ela apresentou o celular”, aponta a diretora. Documentos, computadores e celulares foram apreendidos na ação da Polícia Civil. A Assis, a ideia agrada. “Para mim é bom, nossa empresa não tem nada a esconder”, diz, lembrando que “não há processos trabahistas” sobre a companhia.

Questionado se à instituição é imputado algo ou se Diones, Raquel e Olamine atuavam sozinhos, o delegado afirma que há indícios para crer numa operação maior. “Isso vai ser objeto da nossa investigação, ver se essas pessoas atuavam isoladas ali. São várias ocorrências, com vários funcionários. Tudo indica que havia algo maior”, crê Alcanfor.

O trio preso pode ser condenado pelos crimes de estelionato, sujeito a pena de um a cinco anos de prisão, e associação criminosa, cuja pena vai de um a três anos de reclusão. As investigações prosseguem.

A reportagem tentou contato por telefone com a Diamond Assistência Pessoal, mas não obteve retorno até a última atualização deste texto. O espaço está aberto para manifestações.

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