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Brasília

Parada LGBTS em Brasília mantém tom político

Arquivo Geral

26/06/2017 6h30

Foto: Kléber Lima

Eric Zambon
eric.zambon@jornaldebrasilia.com.br

A parada LGBTQQ de Brasília assumiu caráter ainda mais político, mas não reuniu o público esperado na Esplanada dos Ministérios. Em sua 20ª edição, iniciada por volta das 14h de ontem, cerca de 15 mil pessoas cantaram, dançaram e confraternizaram ao redor de dois trios elétricos.

Dentre os motivos para a celebração, estava o decreto assinado pelo governador Rollemberg, na última sexta-feira. Com a oficialização da Lei 2.615/2000, após 17 anos na gaveta do GDF, crimes de homofobia podem ser melhor denunciados e punidos. Para a comunidade LGBTQQ foi uma vitória, mas ainda assim um passo pequeno rumo ao progresso.

“Sempre vai faltar alguma coisa, mas é importante que algo seja feito”, ponderou a estudante Carla Neves, 25, presente na manifestação junto às amigas Kellyane Gama, advogada de 30 anos, e Laís Roberta Diniz, estudante de 25. “Isso tudo vai deixar as pessoas mais conscientes sobre homofobia e discriminação”, opinou.

Kellyane, por sua vez, pediu respeito à própria comunidade LGBTQQ. “Tinha gente vestida de freira, padre, aí já não gosto. É uma blasfêmia”, condenou a moça, que disse ter sido criada na Igreja Católica. Laís preferiu exaltar o ponto positivo. “A questão política está mais enfatizada.”

Um dos organizadores dos trios elétricos, Henrique Aragão, 32 anos, enalteceu a simbologia da resistência da Parada. “É o momento de colocar a cara no Sol, porque ninguém vai voltar para o armário. Isso é muito importante, ainda mais com essa direita conservadora em ascensão”, alfinetou.

Como o tema do evento era “Religião não se impõe. Cidadania se respeita”, ele ainda atacou intolerantes. “Muita gente usa a crença para mascarar o próprio preconceito. É hipocrisia, o que é um sacrilégio para Deus”, disparou.

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