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Brasília

Para engrenar

Arquivo Geral

06/09/2016 6h00

Atualizada 05/09/2016 12h22

Hoje tem seleção brasileira. Há tempos não iniciava com esta frase e satisfação a coluna. Ao contrário. Em várias situações desde o fatídico 8 de julho de 2014, por diversas vezes escrever que haveria jogo da seleção brasileira se transformava em tristeza. Tristeza por lembrar a data, tristeza por lembrar os descaminhos, tristeza por não vislumbrar novos rumos. A situação está mudando. Não diria que já mudou, mas sou otimista que possa melhorar. E o meu otimismo não está ligado apenas à chegada de Tite ao comando da equipe, não. Fico feliz por ver que nossos jogadores estão aprendendo que o futebol é jogo coletivo – e que as pitadas de individualismo são necessárias e bem-vindas para que se tornem o diferencial da brincadeira. Claro que, neste último item, o citado de forma subliminar é Neymar.

Se derrotarmos a Colômbia, logo mais, em Manaus (estranhamente até ontem de manhã tínhamos ingressos disponíveis), entraremos no G-4. É pouco? Sem dúvida. Em meus tempos de adolescente, mesmo com o jejum de títulos mundiais, jamais imaginei, um dia, ter de fazer contas para chegar a uma Copa do Mundo. Mas as coisas mudam e, como já andamos até pelo sexto lugar, reassumir uma das quatro primeiras colocações das eliminatórias sul-americanas servirá, principalmente, para dar paz de espírito e propiciar um trabalho mais tranquilo para Tite. Logo ele que parece um monge budista nas entrevistas coletivas após os jogos. Que seja assim logo mais, tranquilo, sereno, comentando uma vitória – de preferência sem problemas disciplinares, afinal de contas, nossos últimos duelos com os colombianos têm sido daqueles de “sair faísca”.

Quando citei, lá em cima, que estranhava o fato de termos ingressos ainda disponíveis, na manhã de ontem, fiz uma rápida avaliação do que tem sido esta passagem da seleção pelo Amazonas. No sábado tivemos invasão de campo por parte dos torcedores que foram ao treino – aberto ao público. Chegaram notícias sobre ações do Ministério Público contra o alto preço cobrado pelos ingressos. Uma coisa levaria à outra? Teríamos ingressos disponíveis porque o preço é alto e, sendo assim, o torcedor fanático ficou restrito ao treino e quis, assim, extravazar seu amor pela seleção? Nem uma coisa, nem outra. Se o preço é caro, há quem pague – tanto que alguns setores já esgotaram. É um espetáculo privado, logo, qual a razão do MP se pronunciar? E o carinho da torcida vem, diretamente, à evolução do time. Ninguém quer ver sua paixão ser derrotada, humilhada. Agora há boas expectativas.

Depois do jogo de hoje, contra a Colômbia, a seleção brasileira voltará a jogar pelas eliminatórias em Natal, dia 7 de outubro, contra a Bolívia. A partida seguinte será contra a Venezuela, lá, quatro dias depois. Dois adversários que não podem causar temor. Por isso, reafirmo: o jogo desta noite é o jogo para fazer o time engrenar e fechar o ano sem que fiquemos mais preocupados com a possibilidade não chegarmos à Rússia em 2018. Não seria nada de mais contabilizar, nestes três jogos, nove pontos, o que pode colocar o Brasil até na liderança das eliminatórias. Uma coisa é certa: dá para começar a ver uma luzinha no fim do túnel. E, felizmente, não é a de um trem vindo no sentido contrário para nos atropelar.

Com teto

É impressionante a diferença de rendimento de Fluminense e Botafogo depois que os cartolas das duas equipes descobriram como é importante jogar com o apoio de suas torcidas. Como é do conhecimento de todos, os times do Rio de Janeiro viraram “sem teto” por conta da realização dos Jogos Olímpicos. Maracanã e Engenhão fechados, restou a tricolores, alvinegros e ao Flamengo buscarem abrigo em outras cidades. Como nem todos os jogos são atraentes o suficiente para serem “vendidos” em Brasília, Manaus, Natal ou Cuiabá, a saída foi buscar Volta Redonda (principalmente). E foi uma solução equivocada.

Além do desgastante ir e vir, em momento algum a Cidade do Aço pareceu mobilizada para ver os jogos das equipes cariocas. Era comum jogar para menos de três mil pessoas. Muito pouco diante da grandeza de todos. Descobriram, então, Cariacica (ES) e Juiz de Fora (MG). Melhorou. Muito. O Fluminense chegou a conquistar a Copa da Primeira Liga na cidade mineira, com o estádio lotado e muita festa. Mesmo assim, havia o deslocamento. E o desgate.

Aí, o Botafogo, afundado na zona de rebaixamento, decidiu gastar uns trocados e melhorar o estádio da Portuguesa, na Ilha do Governador. Tirando a ridícula atuação contra o Cruzeiro, pela Copa do Brasil, o time encaixou e, agora, já abriu cinco pontos de vantagem para a zona da degola. Respira aliviado. O Fluminense investiu no campo do América, em Edson Passos. O público de um jogo, lá, bate a soma de três ou quatro partidas, juntas, em Volta Redonda. Os jogadores estão felizes, o treinador Levir Culpi considera fundamental jogar com o apoio da galera – e o tricolor está a apenas três pontos do G-4.

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