Apesar de algumas críticas, principalmente por parte de “jornalistas especializados”, os clubes brasileiros festejaram o aumento do número de vagas do Brasil na Libertadores da América a partir de 2017. Ainda que as novas vagas (duas) sejam para a pré-Libertadores e que esta fase, agora, seja de dois mata-mata, abriu-se um novo leque de opções aos clubes e, principalmente, a possibilidade de uma graninha nova (e extra) para os combalidos cofres. Claro que todos os bônus trazem ônus – e, neste caso, foi o aumento na duração da competição, que na próxima temporada se prolongará até novembro.
Se a decisão da Conmebol foi bem recebida por aqui (e também na Argentina e no Uruguai, que também ganharam novas vagas), o mesmo não se pode dizer do México. A extensão da Libertadores não se encaixa no calendário do futebol mexicano – e os times “de lá” já falam em não disputar mais a competição. Esta recusa pode trazer problemas. O principal deles é a perda de patrocinadores. Empresas mexicanas, fortes, colocam uma boa grana no bolo a ser dividido pelos participantes da Libertadores. Pesa, também, na possível decisão, o fato de os times do México, mesmo campeões, não terem acesso (via Libertadores) ao Mundial de clubes, afinal de contas jogam a Copa de Ouro da Concacaf.
Com a possível desistência dos mexicanos, abrem-se três vagas na Libertadores. Duas diretamente na fase de grupos; uma para a pré-Libertadores. Claro que os cartolas brasileiros, principalmente aqueles que veem seus times distantes da possibilidade de classificação, já acenam com “mais uma vaga” para o Brasil. Esqueçam. Hoje, a Conmebol pretende redistribuir as três possíveis vagas para Chile, Paraguai e Colômbia, que não foram agraciados no primeiro “aumento”. Faço questão de citar o “hoje” porque, sabemos todos, cabeça de cartola é algo mutável. O que pode acontecer, isto sim, é uma redistribuição nas vagas que dão acesso diretamente à fase de grupos, mas aí é história para ser definida quando os mexicanos fecharem questão e comunicarem à Conmebol.
Na bronca
Qualquer demissão é traumática. Mal comparando é como o fim de um casamento. Se bem que, em alguns casos, a dupla (no caso do casamento) dá graças a Deus pelo fim da relação. Numa demissão, normalmente o demitido fica mal. Sem emprego, começa a se questionar, querer saber onde errou, porque perdeu seu ganha-pão… No futebol, com os técnicos, acredito que seja um pouco diferente, afinal de contas, na maioria dos casos eles possuem contratos com cláusulas que garantem o pagamento do tempo em que não prestarão mais os serviços. Alguns até aproveitam as demissões para curtirem férias.
Levir Culpi, ex-treinador do Fluminense, porém, não gostou de ser demitido após a goleada sobre o Cruzeiro. Há tempos havia grande pressão sobre ele, principalmente pelo futebol que o time não apresentava. Falava-se que ele estaria desmotivado. Aí, demitido, divulgou uma “carta aberta” criticando o clube. Errou. Feio. A instituição Fluminense Football Club, mais do que centenária (114 anos completados em 21 de julho), nada tem a ver com as atitudes de seus dirigentes – faço aqui uma ressalva: os dirigentes representam, sim, a instituição, mas são passageiros, ao contrário do clube.
Dizer que o Fluminense é o clube que mais demite treinadores no mundo é um exagero e, como citado acima, um erro de avaliação – ou de culpados. Os atuais dirigentes do clube podem ter esta avidez por justificar seus erros com demissões de treinadores, mas falar da instituição Fluminense… Levir poderia citar a falta de apoio que recebeu da direção quando tentou defender o Fluminense de erros de arbitragem e foi “desautorizado” pela assessoria de imprensa; Levir poderia ter criticado as contratações mal feitas pela direção (algumas com seu aval, é bom que se diga); Levir poderia até falar de problemas com salários atrasados (se é que existiram), mas falar mal do Fluminense… Vacilou, Levir.