A Polícia Civil do Distrito Federal deflagrou, nesta terça-feira (26), a operação “Ghost Operator”, que investiga uma organização criminosa suspeita de invadir sistemas do Departamento de Trânsito do Distrito Federal para realizar transferências fraudulentas de veículos e alterar registros administrativos. A ação é coordenada pela 17ª Delegacia de Polícia, com apoio das polícias civis do Piauí e do Rio Grande do Sul.
Segundo as investigações, o esquema começou a ser descoberto há cerca de um ano, após um proprietário perceber que seu veículo havia sido transferido ilegalmente para outra pessoa. Uma apuração interna do Detran identificou mais de 600 transações suspeitas realizadas utilizando a matrícula funcional de uma servidora, inclusive em períodos em que ela não estava trabalhando. A funcionária procurou a delegacia e relatou que desconhecia as operações, o que levou à descoberta de acessos externos irregulares ao sistema do órgão.
A investigação apontou que o grupo realizava cadastros fraudulentos de processos de transferência de veículos utilizando documentação adulterada ou inexistente, além da remoção irregular de multas e restrições administrativas. De acordo com a PCDF, o esquema era liderado por um servidor do Detran e contava com a participação de despachantes responsáveis por captar interessados nos serviços ilegais. Cada transação custava cerca de R$ 2 mil, e os pagamentos eram feitos para a conta bancária da esposa do investigado.
Durante as apurações, os policiais identificaram ainda a criação de “usuários fantasmas” dentro do sistema do Detran, sem vínculo oficial com o órgão, mas com autorização para efetuar alterações cadastrais. A movimentação financeira atribuída ao grupo criminoso gira em torno de R$ 1 milhão. Nesta fase da operação, estão sendo cumpridos cinco mandados de prisão preventiva e 11 mandados de busca e apreensão em Brasília, Valparaíso de Goiás, Teresina e Santiago, no Rio Grande do Sul. Os investigados foram denunciados por organização criminosa, corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro, inserção de dados falsos em sistema de informática e falsidade ideológica.