Jorge Eduardo Antunes
Enviado especial
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Em 2013, a atriz Angelina Jolie anunciou a realização de uma cirurgia radical: a retirada dos seios para prevenir o câncer de mama. À época, ela revelou que os médicos estimaram em 87% o risco de ela desenvolver a doença, após um exame ter detectado um gene “falho” BRCA1, ligado ao desenvolvimento de câncer de mama e ovário.
A decisão dela de se submeter à mastectomia sem estar com câncer provocou um aumento na procura deste tipo de procedimento preventivo, o que vem deixando a comunidade médica preocupada. O assunto foi tratado esta manhã, em conferência proferida pelos especialistas participantes do IV Congresso Internacional Oncologia D’Or, que ocorre no Rio de Janeiro. O coordenador de oncologia mamária do Grupo Oncologia D’Or, Gilberto Amorim, é um dos críticos daquilo que chamou de “epidemia de mastectomia preventiva”.
“Os médicos perdem tempo para convencer as pacientes a não fazer estas operações preventivas. A rigor, nossa conduta deve ser a de evitar ao máximo as cirurgias ou fazê-las da forma menos invasiva possível”, alertou.
O tema também fez parte da palestra do médico norte-americano Sheldon Feldman, chefe da divisão cirúrgica de mama do New York Presbyterian Hospital. Líder na inovação e no desenvolvimento de novas técnicas cirúrgicas minimamente invasivas e ferramentas de diagnóstico para o câncer de mama, ele também enfatizou a necessidade de educação e aconselhamento como chaves para evitar a mastectomia, até mesmo em casos de tumores menores.
Feldman também destacou procedimentos que visem poupar os mamilos, caso estejam saudáveis. Para isso, é sempre recomendado a biopsia do mamilo do seio afetado.
Imunoterapia ainda restrita
Já a aplicação da Imunoterapia ainda é distante para as pacientes com câncer de mama. O médico Gilberto Amorim afirma que a pesquisa imunoterapêutica começou mais cedo para outros tipos de câncer e, no caso das neoplasias de mama, hoje o tratamento talvez tenha sucesso no chamado triplo negativo. Entretanto, os estudos estão em fase preliminar, e não disponíveis no Brasil.
No caso de pacientes com o chamado HER2 positivo (HER2+), tipo de câncer da mama associado à maior agressividade da doença, Gilberto Amorim esclarece que drogas modernas permitem um controle eficiente, com boa resposta após tratamentos hormonais que podem até levar a paciente da inoperabilidade à uma cirurgia simples, após o controle do tumor, mesmo com a doença em estado avançado.
O médico vê a possibilidade de a Imunoterapia ser aplicada ao chamado triplo negativo, pela semelhança no combate à outros tipos de câncer semelhantes, como os tumores de rim. Segundo ele, os estudos em fase 2 já mostram respostas positivas.