Informações detectadas pelo Observatório Sismológico da UnB ajudaram a prever tsunamis no Havaí e no Japão. As ondas gigantes foram provocadas pelo terremoto ocorrido no Chile, na madrugada de sábado, 27 de fevereiro. Com os dados do observatório, foi possível conhecer a amplitude e o horário em que as ondas chegariam à costa. A UnB faz parte da Global Sismology Network, uma rede internacional de observatórios sismológicos que mapeia e estuda abalos sísmicos no mundo todo.
“Com os dados coletados pela UnB, a rede é capaz de prever com precisão a hora e a amplitude com que a onda vai chegar”, conta João Willy Rosa, professor do Departamento de Geociências da UnB. Isso porque os sensores do observatório captam a energia liberada pelo solo, que chega mais rápido do que a energia liberada na água. “Em questão de segundos, moradores de São Paulo conseguiram sentir os tremores. Já os tsunamis demoraram cerca de 24h para chegarem à costa”, detalha o professor.
Os sensores do Observatório Sismológico estão instalados em dois poços no Parque Nacional de Brasília. Funcionam como uma lente de aumento, que ampliam as vibrações do solo para serem estudadas. Os dados detectados pelos sensores são transmitidos em tempo real para um satélite, que envia as informações para centros de processamento de dados no Colorado, Havaí, Londres e Viena. Segundo João Willy, as informações coletadas pela UnB são fundamentais para prever os tsunamis, porque compõem o mapa de propagação da energia liberada pelo abalo.
A Global Sismology Network é uma rede internacional que monitora terremotos e abalos provocados por atividade sísmica. Possui pouco mais de 100 observatórios e três deles são da UnB. Um fica em Brasília; outro, na divisa entre Amazonas e Roraima e o terceiro, em Rondônia. “Dos quatro observatórios no Brasil, apenas o da Universidade Federal do Rio Grande do Norte não é administrado pela UnB”, explica o professor do Departamento de Geociências.
Somente institutos com tradição no estudo da sismologia fazem parte dessa rede. “São selecionados observatórios com boa reputação acadêmica, porque é necessário conhecer os melhores lugares para instalar os equipamentos”, justifica João Willy. A Estação Sismológica da UnB existe desde 1968.
TERREMOTO NO CHILE
O abalo que aconteceu no Chile, na madrugada de sábado, alcançou 8,8 na escala Richter. A energia liberada pelo tremor equivale à explosão de cerca de 3 mil bombas de Hiroshima. “Foi o sexto maior terremoto do mundo”, afirma o professor.
As ondas causadas pelo tsunami impactaram com pouca instensidade as costas havaiana e japonesa. As ondas chegaram ao Japão na madrugada de domingo, dia 28 de fevereiro, e aumentaram em apenas 30 centímetros o nível do mar. No Havaí, o tsunami também foi sentido como um aumento no nível do mar.