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Brasília

O início de um novo Brasil

Arquivo Geral

12/09/2016 8h40

Neste 12 de setembro, nasceu, em Diamantina, em 1902, um mineiro com a missão de mudar o Brasil, Juscelino Kubitschek (foto). Segundo o saudoso presidente do Senado, Antônio Carlos Magalhães escreveu: “falar de Juscelino é falar do novo Brasil que ele idealizou e começou a construir. Falar de JK é proclamar que foi ele, sem dúvida, o grande homem de Estado do Brasil contemporâneo. Com coragem, mas sem ódios ou receios, ele enfrentou as forças mais diversas para alcançar seu objetivo maior que era a presidência da República, a fim de servir o Brasil”. Disse ainda Antônio Carlos: “Deus permitiu-me a honra de conviver com esta notável figura humana, administrador competente e orgulho de seu país. Dele guardo as melhores recordações do início de minha carreira política; mas prefiro abster-me dos aspectos afetivos para julgar o homem que prometeu – e cumpriu- 50 anos em 5. JK foi o grande responsável pela industrialização brasileira; o homem do Brasil grande que, com o plano de metas, com objetivo desenvolvimentista, mudou a face da nação, criando as bases de um amanhã feliz para o povo brasileiro”.
Hoje, na eternidade, o menino de Diamantina não deve estar feliz em ver a sua Brasília, que emocionou o mundo, totalmente desgovernada e o entorno tirando a tranquilidade da cidade que ele construiu, contra tudo e contra todos.
Relembro e homenageio o meu amigo e padrinho Juscelino publicando estas fotos, que quando médico, com seu bisturi em punho, jamais teria imaginado que a incisão mais importante de todas seria a que faria em pleno cerrado para construir a nova capital.
Estas fotos são exclusivas e me foram enviadas por Maria Ignêz, viúva do médico Cid Nogueira.

Fotos históricas “JK e a cirurgia cardíaca brasileira”

Em março de 1957, foi realizada no Rio de Janeiro – mais precisamente no Hospital do IAPC, em Ipanema – a primeira cirurgia cardíaca feita na América, fora dos EEUU, usando o sistema de circulação extracorpórea, ou seja, um processo de circulação e oxigenação mecânica capaz de permitir a exclusão temporária das funções cardíaca e pulmonar e, consequentemente, a abordagem de lesões intracardíacas sob visão direta.

Tal processo fora desenvolvido pela Cleveland Clinic, em Cleveland, Ohio, nos EEUU, sob a chancela do Dr. Earle B. Kay, na época um dos mais renomados cirurgiões cardíacos do mundo e de cuja equipe fazia parte o mineiro Cid Nogueira, desde 1953.
Toda a equipe cirúrgica – cirurgiões, anestesistas, instrumentadores e enfermeiros especializados – foi então deslocada da cidade de Cleveland para o Brasil, bem como todo o material e equipamento médico necessários para a realização de duas ou três cirurgias, inclusive o próprio maquinário, os medicamentos, os fios de sutura e até frascos vazios para coleta de sangue, que aqui ainda não existiam.

É natural que tamanha aventura científica já previsse certos “acidentes de percurso”, como, por exemplo, a apreensão do gigantesco “container” por parte das autoridades alfandegárias. Vale lembrar que, como residente-chefe e também único brasileiro integrante da equipe americana, Cid Nogueira tomou a providência de colocar tal “container” em seu nome. Toda a equipe se hospedara no Hotel Copacabana Palace. Era tempo de carnaval no Brasil e o Rio de Janeiro fervilhava de turistas, o que agravava ainda mais a situação da alfândega no Galeão, cada vez mais inexpugnável. O que fazer?

A única solução foi recorrer então à maior autoridade brasileira do país, o presidente JK, no Palácio do Catete, situação que em princípio parecia ser um verdadeiro “tiro no escuro”. Em pleno domingo de carnaval, JK se encontrava descansando no Palácio Rio Negro, em Petrópolis. Contactado por telefone, o presidente ouvi por parte de Cid Nogueira toda a odisseia do grupo e, com voz firme afável, do outro lado da linha, teve uma reação da maior objetividade, dizendo que resolveria tudo imediatamente e que, como médico e presidente fazia questão de estar presente a essa “cirurgia histórica”, ordenando de pronto a liberação do “container” na alfândega, através de carta do próprio punho, trazida ao Rio por seu ajudante de ordens.

Toda a imprensa americana passou então a noticiar “o presidente brasileiro assistirá pessoalmente à primeira cirurgia cardíaca extracorpórea realizada no Brasil”.

No dia marcado, JK compareceu com vários auxiliares e ministros (entre eles o amigo dileto, Dr. Joaquim Mendes de Sousa, médico também e à época presidente do Banco do Brasil; general Nelson de Melo; ministros Percival Barroso e Osvaldo Penido, entre outros), assistindo extasiado do início ao fim todo o ato cirúrgico e, no final, confessando-se emocionado com o fato histórico que acabara de testemunhar.

Posteriormente convidou toda a equipe cirúrgica – antes do seu retorno a Cleveland – para uma visita ao Palácio do Catete, onde pessoalmente condecorou cada membro, externando seu desejo de adquirir todo o equipamento vindo dos EEUU para que também no Brasil se pudesse iniciar procedimentos semelhantes. Sensibilizados por todo o empenho de JK, foi-lhe de pronto doado então, por parte da equipe, todo o referido material, inicialmente usado e copiado pelo Dr. Hugo Felipozzi, de São Paulo, permitindo que se iniciasse assim a cirurgia intracardíaca no Brasil.

Esse fato demonstra a já sabida visão de JK e seu entusiasmo em trazer para o país todos os avanços tecnológicos do mundo de então.

Um fato pitoresco

Muitos anos passados após esse episódio, Cid Nogueira voltara ao Brasil e, após longa temporada no Rio Grande do Sul (onde, em Porto Alegre, iniciou a cirurgia cardíaca do estado), torna-se, no Rio de Janeiro, Chefe da Cirurgia Cardíaca do Hospital do IPASE.

Um belo dia, depois de ter operado um parente de D. Sarah Kubitschek, Cid deparou-se, no quarto do hospital – em horário de visitas – com a figura de JK, tendo lugar, então o seguinte diálogo:

Juscelino: “O senhor deveria ser muito jovem na época e não deve ter a menor novação desse fato, mas devo lhe confessar que eu assisti pessoalmente à primeira cirurgia intracardíaca feita no nosso país, na década de cinquenta”.

Cid Nogueira: “Com perdão da palavra, o senhor é que não tem obrigação nenhuma de se lembrar, mas era eu aquele jovem médico que o senhor conheceu na sala de cirurgia e em plena função, temos até foto juntos!”.
Cid Nogueira

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