Jéssica Antunes
jessica.antunes@jornaldebrasilia.com.br
Da periferia para o coração da capital da República, o grupo de capoeira Sol Nascente chamou a atenção mais uma vez no aniversário da cidade. Pelo sétimo ano seguido, sons dos berimbaus, ouvidos de longe, não deixava confundir a presença do esporte nativo brasileiro que tira jovens das ruas. Cerca de 500 capoeiristas jogaram de forma sincronizada nos pés da Torre de TV e nem a chuva espantou a animação.
O grupo nasceu em Ceilândia, idealizado por Mestre Romeu, 54 anos, mas já tem filiações em vários estados brasileiros. Aqui, ensina a mais de mil crianças, adolescentes, adultos e idosos em cidades como Samambaia, Taguatinga, Recanto das Emas e Paranoá. “Essa arte, que já foi tão discriminalizada, e faz parte da nossa história, se transformou em um grande projeto socioeducativo”, valoriza o criador.
Aos 22 anos, Matheus Duarte já completa uma década praticando capoeira. Ele vivia na Bahia, onde conheceu e integrou o grupo criado por Mestre Romeu. Chegou a Brasília para estudar e encontrou o mesmo grupo aqui. “É esporte, é cultura, é a nossa história. Não pode deixar acabar”, acredita o rapaz que vive em Sobradinho. Ali, 30 alunos compõem a roda.
Kevelyn Cássia, de 15 anos, pensa que o incentivo e inspiração de outras mulheres no meio estimula a participação de garotas na Capoeira. “A luta traz benefícios físicos e mentais. Ajuda no dia a dia, fortalece o corpo e a cabeça”, afirma a moradora do Paranoá.
Os menores também arriscam nas manobras. Descalços, gingam como os adultos e não se intimidam com os golpes ensaiados da capoeira brasileira.
- Ariadne Marçal/Jornal de Brasília
- Ariadne Marçal/Jornal de Brasília
- Ariadne Marçal/Jornal de Brasília
- Ariadne Marçal/Jornal de Brasília
- Ariadne Marçal/Jornal de Brasília
- Ariadne Marçal/Jornal de Brasília
- Ariadne Marçal/Jornal de Brasília
- Ariadne Marçal/Jornal de Brasília
- Ariadne Marçal/Jornal de Brasília
- Ariadne Marçal/Jornal de Brasília
- Ariadne Marçal/Jornal de Brasília
- Ariadne Marçal/Jornal de Brasília
- Ariadne Marçal/Jornal de Brasília
- Ariadne Marçal/Jornal de Brasília
- Ariadne Marçal/Jornal de Brasília
ALÉM DA FRONTEIRA
SAIBA MAIS
Em 26 de novembro de 2014, a Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (UNESCO) declarou a roda de capoeira como patrimônio imaterial da humanidade por considerar que representa a luta e resistência dos negros brasileiros contra a escravidão durante os períodos colonial e imperial de nossa história. O dia 3 de agosto é comemorado o Dia do Capoeirista.
Em Brasília, o foco é o aniversário, mas o feriado nacional de Tiradentes contribui para a presença de turistas na capital, inclusive para o evento. De longe, praticantes percorreram quilômetros para participar do 7º Kilombrasília. Foi o caso do piauiense Francisco Ferreira, o mestrado Bambino, que viajou por quase três dias com a esposa apenas para o evento – e amanhã já pega a estrada novamente. “A capoeira me tirou da rua, me caiu como uma luva e preencheu meu tempo ocioso. Eu era danado”, conta o homem que luta há 20 anos.
O grupo chamou a atenção e concentrou curiosos e interessados em volta da grande roda de capoeira ao redor da Torre de Tv. Em pé, encostados ou sentados, Brasilienses e turistas não tiraram os olhos e as câmeras de celular dos movimentos coordenados dos lutadores.














