1 – No 21 de maio de 1958, por pouco, o futebol brasileiro não perdia Pelé para a Copa do Mundo que a Suécia promoveria, dentro de um mês. Era uma quarta-feira e a Seleção Brasileira fazia um jogo-treino, contra o Corinthians, no Pacaembu-SP, sob o apito de João Etzel Filho – Gilmar; Djalma Santos e Bellini; Nilton Santos, Zito (Dino Sani) e Orlando; Garrincha, Didi, Mazola, Pelé (Vavá) e Pepe foi o escrete nacional.
No placar, canarinhos 5 x 0, com gols der Garrincha (2), Pepe (2) e Mazola. O que pegou foi uma pancada do lateral-esquerdo corintiano, Ari Clemente, sobre Pelé. O garoto saiu de campo machucado e só não foi cortado do grupo que iria ao Mundial porque o médico Hílton Gosling bancou a sua permanência, garantindo que haveria tempo para recuperá-lo. O susto aconteceu às vésperas do embarque para a Europa, e Pelé não teve como participar dos amistosos contra as italianas Fiorentina e Internazionale, respectivamente, em 29 de maio e em 1º de junho, quando os brasileiros venceram os dois jogos pelo mesmo placar de 4 x 0.
Pelé ficou de fora da estreia brasileira na Copa-58, em 8 de junho, nos 3 x 0 Áustria, e do 0 x 0 Inglaterra, três dias depois. Só estreou no terceiro compromisso, em 15 de junho, nos 2 x 0 União Soviética.
2 – Quando fez os seus primeiros jogos canarinhos, não dava para um garoto desconhecido chegar e tomar a camisa de um “cobra criada”, como o corintiano Luizinho “Pequeno Polegar”. Depois de famoso, Pelé só não usou a jaqueta 10 em duas oportunidades. Primeiramente, em 1º de abril de 1960, no Estádio Municipal de Alexandria, no Egito, quando 25 mil pagantes o viram marcando todos os gols dos 3 x 1 República Árabe Unida (Egito, Iêmen e Síria).
Quem usou a 10 foi o botafoguense Valdir Cardoso Lebrêgo, o Quarentinha. No dia, Pelé envergou a jaqueta 9. A segunda vez foi durante os preparativos para a Copa do Mundo-1970. O treinador era Mário Jorge Lobo Zagallo, que entregou a camisa 13 ao “Rei”, durante um amistoso contra a Bulgária, terminado em 0 x 0, no Morumbi, onde Pelé entrou no segundo tempo. “Um amigo disse ter lido, mas não se lembra onde, que o jogo de número 600 de Pelé foi aqui em Cuiabá. Verdade?” Adevaldo Figueiredo.
3 – O jogo 600 de Pelé foi diante do Dom Bosco, em Cuiabá, quando marcou três gols e totalizou “709 maldades” contra os caras que onde pisam nem grama nasce. No placar, Santos 6 x 2 na panela, em 8 de maio de 1965. Foi um amistoso, no Estádio Presidente Dutra, apitado por José Batista dos Santos e rendeu Cr$ 14.800.000,00. Coutinho (2) e Peixinho fizéramos outros tentos. A “Galera do Rei” era: Cláudio; Carlos Alberto Torres (Dé), Mauro (Modesto) e Geraldino; Lima e Haroldo; Peixinho, Mengálvio (Rossi), Coutinho (Toninho), Pelé (Santana) e Pepe (Abel).
4- O primeiro mês de março na carreira de Pelé foi magro. Apenas dois gols, em 14 jogos. Mas o futuro “Rei do Futebol”, aos 16 anos de idade, ainda não era titular no time do Santos. O ídolo e dono da sua posição era Vasconcelos.
Quando nada, deu pra o garoto mostrar o seu taco, em Santos 1 x 1 Guarani de Bagé-RS (24.03.1957) e em Santos 4 x 1 Combinado Juventude/Flamengo, de Caxias do Sul (31.03.1957). Em março de 1958, Pelé já era uma realidade. Por defender o Combinado Vasco/Santos, em junho de 1957, e impressionar o técnico da Seleção Brasileira, Sílvio Pirillo, ganhou a sua primeira convocação canarinha, em setembro, para chegar a março de 58 e marcar quatro gols.
Com um detalhe: pela quarta vez, fazia quatro em um só jogo: em Santos 5 x 3 América-RJ (26.02.1958). Antes, com 16 anos, assombrara, com esta mesma marca, em Santos 7 x 2 Seleção de Lavras-MG (09.06.1957); Santos 8 x 1 Guarani de Campinas (15.08.1957); Santos 7 x 1 Nacional-SP (11.09.1957) e em Santos 6 x 2 Portuguesa Santista (01.12.1957).
5 – A três meses de tornar-se “Senhor do Mundo da Bola”, Pelé sofreu a sua primeira derrota para a sua maior vítima, o Corinthians: 1 x 2 (27.03.1958). Em março de 1959, Pelé marcou seis gols pela Seleção Brasileira, enfrentando Peru, Chile, Bolívia, Uruguai e Paraguai. Em 1960, excursionando pelas Américas, baixou a bola: dois tentos, em seis jogos. O incrível aconteceu, no março de 1961, em Santos 5 x 1 Vasco (02.03), pelo Torneio Rio-São Paulo. Ele não fez nenhum. Inacreditável!
Então, Fluminense e Flamengo “pagaram o pato”, com dois dele, em Santos 3 x 1 Flu (05.03) e três em Santos 7 x 1 Fla (11.03). Em 1962, Pelé jogou só uma vez em março (18.03), em Santos 5 x 3 Palmeiras, marcando duas vezes.
6 – Em março de 1963, Pelé marcou tantos gols quanto o número de sua jaqueta: 10 era a camisa dele! Nos 6 x 2 sobre o São Paulo (07.03), fez três. No março 1964, entrou em grave de gol: um, em cinco jogos; em 1965, no mesmo período, duas bolas nas redes em outros cinco partidas; em 1966, repeteco na conta: dois gols em dois duelos. E, em 1967, mais dois, em seis jogos. Portanto, 37 gols em 58 jogos no mês de março, em dez anos de carreira.
7 – Em um mês de março, aqui em Brasília, o “Rei” marcou o seu último gol de placa. Rolava a noite de 20 de março de 1974, pelo Campeonato Nacional, quando o estádio ainda chamado Governador Hélio Prates da Silveira assistiu Santos 3 x 1 Ceub. Aos 31 minutos dos segundo tempo, Pelé apanhou a bola na intermediária do seu campo, ultrapassou a linha divisória do gramado e, passando por quem pintou na parada, ficou olhos-nos-olhos com o goleiro Valdir Appel, para, com um toque mágico, marcar o gol.
8 – Em 17 de maio de 1959, Pelé disputou a sua quarta partida contra o Vasco, clube que lhe emprestou a camisa, em junho de 1956, para ele defender um combinado formado em pareceria com Santos, o seu time, e que lhe valeu a convocação para a Seleção Brasileira, após o Torneio Morumbi, que contou com a participação de mais dois clubes brasileiros e dois europeus. Em seu jogo 4 contra os cruzmaltinos, Pelé marcou um gol, em Santos 3 x 0. Os outros duelos haviam sido: 07.04.1957 – Pelé 4 x 2, sem marcar gol; 01.06.1957 – Vasco 3 x 2 (1 gol dele) e 22.03.1958 – Vasco 1 x 0. Portanto, em quatro confrontos, Pelé e o Vasco estavam empatados com duas vitórias para cada lado, e dois tentos do “Rei do Futebol”.
9 – Pelé encarou o Vasco, pela primeira vez, em 7 de abril de 1957, comemorando os 45º aniversários do Santos, bicampeão paulista-1955/56. O “Peixe” convidou o “Time da Colina, o campeão carioca do ano anterior, (e o Corinthians), para participar da “Semana Alvinegra”. Na época, o “Rei do Futebol”, que ainda nem era titular e “nem usava a camisa 10 santista, faria a sua 15º partida pela equipe treinada pelo técnico Luís Alonso, o Lula.
O pega foi na Vila Belmiro, rendeu Cr$ 370.510,00 e vitória santista, por 4 x 2, com gols de Pagão (2), Afonsinho e Dorval – Laerte e Vavá descontaram para os vascaínos, treinados por Martim Francisco e que foram: Wagner, Ortunho e Laerte; Orlando (Joaquim Henriques), Clever e Viana; Sabará, Livinho (Wilson Moreira), Válter, Vavá (Vandinho) e Pinga. jogou com: Manga (Barbosinha); Hélvio (Wilson/Cássio) e Ivan; Ramiro, Brauner e Urubatão; Dorval (Alfredinho), Álvaro (Pelé), Pagão, Afonsinho e Tite.
10 – O Vasco deu o troco, em 1º de junho, do mesmo abril, no mesmo gramado: 3 x 2, em um sábado, pelo Torneio Rio-São Paulo. Daquela vez, Pelé fez um gol, o seu 15º, em 28 jogos. Mas, 18 dias depois, estaria vestindo a camisa cruzmaltina, para disputar o Torneio Morumbi, pelo Combinado Vasco-Santos, o qual defendeu em quatro ocasiões – 19.06 – 6 x 1 Belenenses-POR; 22.06 – 1 x 1 Dínamo-IUG; 26.06 – 1 x 1 Flamengo; 29.06 – 1 x 1 São Paulo –, marcando seis gols.
Graças as suas atuações naquela programação, o garoto Pelé, que a imprensa carioca nem sabia pronuunciar o seu nome, ganhou a sua primeira convocação para a Seleção Brasileira, chamado pelo técnico Sílvio Pirilo. Por sinal, em seu livro “Pelé: Autobiografia”, da Editora Sextante, ele conta que foi por ali que tornou-se torcedor vascaíno e conquistou o seu primeiro título. (foto acima reproduzida da revista “Santista” e abaixo de “Grandes Clubes”). Agradecimentos.