Ícaro Andrade
icaro.andrade@jornaldebrasilia.com.br
Os moradores do Residencial Paranoá Parque, Etapa 6, Quadra 2, depararam-se com uma cobrança inesperada na conta de água. Segundo eles, a Companhia de Saneamento Ambiental do Distrito Federal (Caesb), cobrou uma dívida de R$ 94 mil, referente ao período de abril a dezembro de 2016. A quantia chegou a ser reduzida para R$ 45 mil após um acordo feito com a companhia. Mas, mesmo assim, a população reclama do alto valor, que será dividido entre os proprietários dos 15 prédios da quadra.
De acordo com os vizinhos, o principal motivo da insatisfação é que todos foram pegos de surpresa e não tiveram outra opção a não ser aceitar o valor cobrado e fazer o acordo, para não ficar sem os serviços da Caesb. Os moradores pagam por mês, R$ 40 de condomínio.
“Nosso residencial é de baixa renda, não temos como pagar o que está sendo cobrado. Não vamos aceitar estes valores”, explicou o síndico José Frasson, de 65 anos.
“Quando recebemos os documentos referentes ao condomínio, constava apenas o valor base de R$ 40 ao mês. A relação destes documentos cita apenas um valor de R$ 1,5 mil a título de despesa por resíduo de água. Nunca nos procuraram para fazer leitura de relógio. O valor que está sendo cobrado é muito alto”, completa.
Sem saída
A dona de casa Marcilene Modesto, 36 anos, conta que morou em uma invasão com as duas filhas durante oito anos, antes de receber o apartamento no Paranoá Parque. Agora, desempregada e sem benefícios do governo, não sabe como vai fazer para arcar com as novas despesas. “Já tem um mês que perdi o Bolsa Família. Não sei como vou fazer para pagar mais uma despesa” lamenta.
Responsabilidade
Por meio de nota, a Caesb explicou que a construtora do empreendimento, a Direcional Engenharia, assumiu os débitos das taxas de esgoto até março de 2016. A partir desta data, os pagamentos passaram a ser de responsabilidade dos condomínios.
Ainda de acordo com a companhia, durante o período de abril a dezembro do mesmo ano, os condomínios acumularam débitos junto à Caesb, que, no entanto, decidiu cobrar somente a taxa mínima, por se tratar de cobrança do uso da rede de esgoto.