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Não uso da máscara é razoável, segundo infectologista

Baixas na transmissão, na média móvel de mortes e nas internações pela covid-19 indicam “controle da pandemia” no DF, segundo especialista

Diante da nova determinação que desobriga o uso de máscaras ao ar livre no Distrito Federal, a começar a partir da próxima quarta-feira, dia 3, o infectologista Hemerson Luz, especialista em Gestão em Saúde, avalia que a nova medida de flexibilização é razoável por uma série de fatores. O primeiro deles é a taxa de transmissão baixa, com os menores índices desde o início da proliferação do vírus na capital. O nível atual indica, segundo ele, “um controle da pandemia”.

“Dá para pensar sim em medidas de retirada de máscara, mas por enquanto só em ambientes externos. Em ambientes fechados, os protocolos e o uso do item ainda são necessários”, afirmou o infectologista.

Além disso, conforme explicou o especialista, somam-se também aos indicadores de controle da doença a redução constante da média de mortes pelo vírus no DF e as baixas taxas de ocupação nas Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) para covid-19 nos leitos públicos e privados da capital – calculadas em 49% e 57%, respectivamente.

“Essas decisões de flexibilização serão refletidas em 15 dias depois da liberação [período máximo que leva para o vírus se desenvolver no ser humano]. Só depois disso poderemos avaliar se os ajustes serão necessários. Se for preciso, pode-se voltar com a determinação para o uso da máscara”, destacou o especialista.

O avanço da vacinação é outro aspecto relevante para o controle da doença pandêmica na capital. “A vacinação está avançando e está com bastante agilidade. O que prejudica é a distribuição das doses, ainda irregular por conta do Ministério da Saúde. E o DF se adaptou a isso com a paralisação da vacinação dos adolescentes”, disse. Hemerson destaca ainda as mais de 1,5 milhão de pessoas com esquema vacinal completo e mais de 100 mil doses de reforço e adicionais aplicadas.

Regras próprias na educação

Ainda de acordo com Hemerson Luz, as regras para o controle da pandemia dentro das escolas devem ser tomadas com toda a cautela, exigindo o máximo de segurança sanitária possível. Com a variante Delta, por exemplo, predominante no DF e mais transmissível que a cepa comum, o reconhecimento de alguém com suspeita ou que teve contato com algum infectado precisa ser rápido. O retorno 100% presencial nas instituições públicas de ensino do DF está previsto também para a próxima quarta-feira (3).

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“A variante Delta costuma fazer surtos em locais fechados”, destacou o infectologista. “É importante fazer um processo educativo de treinamento [sobre o cumprimento das medidas e precauções] com todos os pais e alunos”, reforçou. No entanto, ao contrário do que se imaginava no início da pandemia, o especialista pontuou que as crianças não são os maiores disseminadores do vírus, mas sim os adultos.

“Se garantirmos a vacinação dos pais e dos professores, com os protocolos certos, o vírus não vai ser passado para as crianças, e então quebramos uma cadeia de transmissão”, finalizou.

O novo Decreto emitido nesta terça-feira (26), apesar de estabelecer regras sanitárias para evitar a proliferação do vírus da covid-19 no DF, destaca que os protocolos e medidas de segurança previstos “não se aplicam às escolas da rede pública de ensino” e que estes “serão definidos por ato próprio da Secretaria de Estado de Educação [SEE/DF]”.

Em nota, a SEE/DF explicou que a regulamentação para as escolas públicas da capital, especificada no novo decreto como de responsabilidade da pasta, “será feita por meio de uma portaria, que está em fase de elaboração”. “Na próxima sexta-feira, 29, a Secretaria de Educação irá anunciar todos os detalhes”, afirmou.

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Desobrigação da máscara

Em Edição Extra do Diário Oficial publicado hoje, o governador Ibaneis Rocha desobrigou o uso de máscaras de proteção facial ao ar livre no DF a partir da quarta-feira da semana que vem, dia 3 de novembro.

A nova determinação acontece quando o DF registra a menor taxa de transmissão da covid-19 na capital desde o início da pandemia no DF, calculada hoje em R(t) 0,78 – isso significa que uma pessoa pode transmitir para outras 79. Quando o índice R(t) está abaixo de 1, a pandemia tende a regredir, de acordo com Boletim da Secretaria de Saúde do DF (SES/DF).

O uso da máscara, porém, ainda é obrigatório “em todos os espaços públicos fechados, equipamentos de transporte público coletivo, estabelecimentos comerciais, industriais e de serviços e nas áreas de uso comum dos condomínios residenciais e comerciais, no âmbito do Distrito Federal, sem prejuízo das recomendações de isolamento social e daquelas expedidas pelas autoridades sanitárias”, conforme ressalta o artigo 1º do documento.

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Também não é mais necessário organizar uma escala de revezamento de dia ou horário de trabalho entre os empregados, colaboradores, terceirizados e prestadores de serviço em estabelecimentos que se mantiverem abertos. A nova determinação atinge também os funcionários públicos do GDF, que devem voltar ao trabalho presencial.

No mesmo Decreto, cai também a proibição de aulas coletivas que tenham contato físico e compartilhamento de equipamentos em academias de esporte de todas as modalidades. Em anexo, o documento prevê, porém que “as modalidades que usualmente propiciam contato físico, como as lutas, artes marciais, danças e similares, devem ser realizadas, preferencialmente, considerando-se estratégias pedagógicas alternativas”.

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