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Brasília

Não há medidas concretas contra o bullying

Arquivo Geral

17/05/2011 20h01

Juliana Ribeiro
Juliana.ribeiro@clicabrasilia.com.br

 

Em abril, Wellington Menezes de Oliveira, de 23 anos, invadiu a Escola Municipal Tasso da Silveira, no Rio de Janeiro, armado com dois revólveres e disparou contra vários alunos. Doze adolescentes morreram. O crime chocou o Brasil e foi destaque nos jornais por vários dias. Antes de cometer o crime, o assassino gravou vídeos contando que teria sido rejeitado por colegas na escola. A prevenção desse tipo de violência, conceituado como bullying, passou a ser prioridade no ambiente escolar e na sociedade. Várias medidas começaram a ser desenvolvidas para mostrar a gravidade dos danos psicológicos que o bullying pode causar.

Mas ainda não existe ainda qualquer projeto concreto de conscientização voltado ao tema. As escolas públicas e particulares trabalham com medidas para prevenir a violência em geral. Algumas iniciativas buscam levar a sério a discussão específica sobre o bullying. Entre elas, a edição da manhã desta quarta-feira (18) do ClicaPalestras, às 9h, em que  o advogado Cristiano Fernandes fala sobre os efeitos dessa prática sob a ótica jurídica.

Foto: Silvio Abdon/CLDF
A discussão sobre implementar medidas mais sólidas de prevenção chegou também à Câmara Legislativa do Distrito Federal. Nesta terça-feira (17) pela manhã, o assunto foi debatido em audiência pública no plenário.  O deputado Cristiano Araújo (PTB) é autor do Projeto de Lei 156/2011 que cria a “Política de Combate ao bullying nas Escolas Públicas e Privadas do DF”. 

O deputado adiantou que vai continuar promovendo audiências públicas em escolas e nas regionais de ensino. “Fizemos uma pesquisa e contatamos que os livros fornecidos aos estudantes não tratam do bullying e as poucas iniciativas perpetuadas pelos integrantes das escolas, restringem-se a iniciativas pontuais, como palestras, peças teatrais, vídeos estrangeiros e debates sobre materiais divulgados na mídia, sem uma abordagem específica ao tema.” defende o deputado.

 

CAPITAL DO BULLYING


Foto: Geyzon LeninApelidos, chacotas, brigas, assédio, difamação são tipos de violência que existem há anos nas escolas e a grande maioria dos estudantes teve de enfrentar esses problemas. Na adolescência qualquer motivo gera uma polêmica. Usa-se óculos a pessoa é chamada de quatro olhos, se usa aparelho dental é chamada de sorriso enlatado. Essa violência verbal é caracterizada como bullying. Algumas pessoas têm dificuldade de lidar com a situação o que acaba gerando conflitos internos que podem deixar graves seqüelas.

 Pesquisa divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2010, revela que o Distrito Federal é a capital do bullying. Dos estudantes entrevistados, 35,6 % confessaram serem vítimas constantes de agressão. Foram ouvidos alunos do 9° ano de 6.780 escolas públicas e particulares.

Felipe Lobo, 24 anos, é um exemplo de superação. Durante o período escolar, teve que suportar várias brincadeiras e apelidos relacionados ao peso. Na época, ele pesava 140 quilos e, aos 18 anos, decidiu fazer a cirurgia de redução do estômago. Em 10 meses, Felipe perdeu 70 quilos. “Eu levava as brincadeiras na esportiva porque eram meus amigos, mas no fundo ficava magoado com situação. Eu lutava para não ficar triste. O preconceito existe”, relata Felipe.  O excesso de peso trouxe vários problemas de saúde e após vários tratamentos frustrados, Felipe decidiu pela cirurgia.

Os alunos que passam horas se dedicando aos estudos e acabam se envolvendo menos com os colegas que dominam a bagunça não escapam desse tipo de violência. João Paulo Soares sempre foi aluno destaque e gabaritava a maioria das provas. Ele usou a inteligência para lidar com apelidos. “Eu tinha um bom relacionamento com os professores e usava isso para conseguir benefícios para a turma. Os apelidos existem, mas criei essa tática para me aproximar dos colegas”, conta João Paulo.

A história de Cláudia dos Santos (foto), 32 anos, foi um pouco diferente.  Ela tem 1,96 m e sempre foi muito magra. “Na escola, me chamavam de girafa comprida e Olívia Palito. Ficava muito irritada e já fui até pra coordenação. Não lidava bem com a situação” confessa Cláudia.

A Secretaria de Educação desenvolve uma cartilha com a Secretaria de Justiça e a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) com intuito de prevenir o bullying. “Temos que trabalhar para que esse tipo de violência não aconteça. As conseqüências são graves”, defende a diretora de cidadania e direitos humanos da Secretaria de Educação, Adriana Costa de Miranda.

Os professores trabalham diariamente ensinando os alunos sobre o respeito mútuo. E com a cartilha que será divulgada nos próximos meses esse trabalho será intensificado. “Além da cartilha, o sindicato das escolas particulares juntamente com a Secretaria de Educação irá realizar um seminário, em junho, com o objetivo de instruir educadores sobre o bullying. Será uma espécie reciclagem”, completa a diretora.

 

CLICAPALESTRAS

 

O ClicaPalestras será realizado nesta quarta-feira (18), a partir das 9h. Você pode acompanhar Foto: divulgacaoa palestra pelo site www.clicabrasilia.com.br. Durante 20 minutos, o advogado Cristiano de Freitas Fernandes vai falar sobre o bullying escolar suas características e efeitos sob a ótica jurídica.

 

Cristiano Fernandes é carioca e formado em Direito no Centro Universitário de Brasília.  Fez pós-graduação em Direito Tributário pela Associação de Ensino Unificado do Distrito Federal – AEUDF e em Direito Processual Civil pelo Centro Universitário de Brasília.

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