Lucas Campelo
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Aproximadamente 2,3 mil alunos matriculados em escolas públicas de Ceilândia e de Sobradinho estão com os estudos prejudicados. Os motivos são o atraso na entrega de reformas e a falta de merendeiras. As aulas precisaram ser suspensas ou tiveram o horário reduzido de seis para quatro horas diárias. O transtorno afeta estudantes do 1° ao 5° ano.
O problema interfere na rotina, já que os pais precisam se adaptar para não deixar os filhos sozinhos.
O ano letivo teve início na sexta-feira passada, e, desde então, a Escola Classe 38 de Ceilândia fechou as portas das salas e ainda não recebeu os alunos. No local, operários entram e saem a todo instante carregando materiais de construção. A reforma, a essa altura, é criticada pela comunidade.
Transtorno
“Eu vim aqui na secretaria e escorreguei em um cimento, quase que caio para trás”, conta Maria Lopes, 27 anos, que tem uma filha matriculada na instituição. “Estou ansiosa para ir à escola, só que não tem aula”, lamenta a filha Ana Júlia Lopes, 8.
O problema interfere na rotina de casa, já que os pais precisam se adaptar para não deixar os filhos sem assistência. “Eu trabalho o dia inteiro e, em vez de deixar meu filho no colégio, tenho que pagar alguém para cuidar dele”, desabafa a mãe Luciana da Silva.
Ela também relata que se sente esperançosa para que o problema seja resolvido. “Recebi um comunicado da direção informando que as aulas estão previstas para voltar na segunda-feira que vem”, afirma.
Reparos
Uma profissional da Escola Classe 38, que preferiu não se identificar, explicou os reparos que estão sendo feitos na instituição. “Reformaram o banheiro, e agora, o piso dos blocos C e D estão sendo trocados”, comenta.
Segundo a mulher, o motivo do atraso ocorreu devido ao período de chuvas, o que fez com que a reforma fosse interrompida. “Mas agora, tudo leva a crer que as obras vão ser finalizadas”, acredita.
Duas horas a menos de atividades
A reforma na Escola Classe 36 de Ceilândia também trouxe transtornos para a comunidade. A diferença é que esse centro de ensino resolveu não interromper os estudos das crianças, mas diminuir a carga horária. As aulas vão das 13h às 16h. Ou seja, duas horas a menos que o normal.
“Eu acho isso totalmente errado. Preciso sair mais cedo do trabalho para vir buscar meu filho no colégio, e o meu chefe nem sempre vai entender isso”, reclama Manoel Lima de Souza, 46.
“Aqui, quando chove, fica tudo cheio de lama. As crianças não merecem passar por isso. Meu filho tem alergia a poeira, tenho medo de ele passar mal”, diz outra mãe, Audeli de Oliveira.
Sem lanche
Já na Escola Classe 1 de Sobradinho, a direção precisou contornar o problema da falta de merendeiras para não interromper as aulas. A solução foi reduzir o tempo de estudos, também, em duas horas.
A respeito das reformas, segundo informou a Secretaria de Educação do Distrito Federal (SEE-DF), a previsão é de que até semana que vem todas sejam concluídas. Em relação às merendeiras, o problema se agrava pela greve da categoria, junto aos terceirizados da limpeza. Eles denunciam o atraso do pagamento e de benefícios como tíquete alimentação, vale transporte e férias.
Versão oficial
A Secretaria de Educação do Distrito Federal informa que as aulas nas Escolas Classe 36 e 38 da Ceilândia serão retomadas na próxima segunda-feira. “O início do ano letivo foi adiado nestas escolas para a conclusão de reparos na unidade escolar, cujas obras sofreram atrasos por conta das fortes chuvas”, justifica.
Quanto à Escola Classe 1 de Sobradinho, a pasta confirma que houve a redução de horário devido à ausência das merendeiras. Em 9 de fevereiro, teria havido o repasse de R$ 18 milhões às empresas terceirizadas responsáveis pelos serviços de limpeza e preparo de alimentos. Como o repasse foi feito, os funcionários serão convocados.