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Brasília

Na Praia: Barulho vai muito além do Lago

Arquivo Geral

07/08/2017 7h00

Atualizada 06/08/2017 20h15

Foto: Myke Sena

Francisco Dutra
francisco.dutra@jornaldebrasilia.com.br

A polêmica em torno do Na Praia chegou até a Vila Planalto. Ou melhor, alcançou os ouvidos da população. Segundo moradores, o festival privado amigavelmente acolhido pelo governo Rollemberg (PSB) tem gerado barulho e desconforto para a região. Entre uma reclamação e outra, os habitantes acusam o GDF de omissão na fiscalização do som produzido pela festa, especialmente aos fins de semana.

“Sábado pela manhã, ou sexta- feira, eles começam: som, som, som. É a noite todinha. Vai acabar de uma a duas horas da madrugada. Poxa, tem pessoas anciãs aí que não dormem”, reclamou o aposentado e morador da Vila Planalto Arquimar Roosevelt. Após os shows, a população também se queixa da música eletrônica que segue até o amanhecer.

Arquimar Roosevelt / Foto: Myke Sena

Arquimar Roosevelt / Foto: Myke Sena

Morador da Vila Planalto há 48 anos, Roosevelt conta que a região era tranquila. “Mas o negócio está muito perturbado. Ali é casa da mãe Joana. Não tem fiscalização nenhuma. Não tem controle de decibéis”, lamentou. O aposentado é praticante de corrida. Religiosamente, encara as ruas todos os dias. “Quando você passa de sábado para domingo, o que tem de pessoas dormindo em cima dos carros em volta do show é um negócio ‘violento’”, contou.

O dia todo

O aposentado Carlos Antônio Rodrigues Sobrinho compartilha do desconforto do vizinho. “Esse barulho incomoda muito. Porque agora não tem horário. Às vezes eles estão ensaiando durante o dia e já incomoda. E à noite então é muito maior o incômodo. Então, as pessoas idosas, quem tem criança, quem quer descanso não está conseguindo dormir. É problemático”, alertou.

O Na Praia divide opiniões no Distrito Federal por diversos motivos. “As pessoas que frequentam elogiam. Mas isso tem que ter um limite na questão de barulho e de uma série de outras coisas que tem que observar. Não sou contra que tenha as atividades. Agora, desde que seja dentro de um limite que não incomode as pessoas. E está perturbando mesmo”, ponderou Carlos Antônio.

Saiba Mais

  • O desembargador Teófilo Rodrigues Caetano Neto, do Tribunal de Justiça do DF e Territórios (TJDFT), acatou um recurso do governo Rollemberg para permitir o emprego de policiais civis na segurança do Na Praia.
  • O Executivo estava impedido de empregar o efetivo por força de uma ação do Sindicato do Policiais Civis. A entidade sindical questionou o uso de agentes em uma festa privada.
  • Em decisão anterior que proibiu a atuação da PCDF no Na Praia, a juíza Cristiana Torres Gonzaga havia criticado abertamente o destacamento irregular, ressaltando o déficit de profissionais no quadro de pessoal da corporação.

O técnico Aristides Nuzzi acha positiva a geração de empregos do evento. “Mas eles podem gerar empregos com decibéis mais baixos e adotando equipamentos para isolamento acústico”, sugeriu. A potência do barulho também afeta a rotina dos moradores do Setor de Chácaras da Vila Planalto. “Reclamar não adianta. O governo colocou até a Polícia Civil para trabalhar no evento. Esse governo não está preocupado com a população”, desabafou um morador que pediu para não ser identificado.

Responsabilidades

O Na Praia está inserido no cronograma de trabalho de fiscalização e monitoramento do Instituto Brasília Ambiental (Ibram). A instituição responsável pelo controle do barulho no DF garante que está com os olhos e ouvidos atentos para o evento.

Por outro lado, a Administração Regional do Plano Piloto afiança que também atenderá a todas as solicitações e reclamações da comunidade. No entanto, as queixas precisam ser feitas na Ouvidoria da Administração. Seja presencialmente, no endereço www.ouvidoria.df.gov.br ou pelo número 162.

A produção do Na Praia assegura que o som é aferido constantemente em todos os condomínios da região. Segundo os organizadores, desde 2015, o festival obedece as solicitações e os limites estabelecidos pelo Ministério Público do DF.

“O evento utiliza de equipamento de última geração, visando que o som não ultrapasse a área do complexo e mantenha o conforto dos arredores”, afirmou a produção em nota. Os organizadores enfatizaram que montaram um grupo com representantes de todos os condomínios vizinhos, justamente para resolver incômodos.

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