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Brasília

Mutirão de Reconstrução de Mama do DF atende mulheres que aguardam há muito tempo pelo procedimento

Arquivo Geral

25/10/2016 7h00

Atualizada 24/10/2016 21h33

Madalena aguarda há 20 anos pela reconstrução da mama. Amanhã, seu sonho se tornará, enfim, realidade. Foto: Álbum de família

Manuela Rolim
manuela.rolim@jornaldebrasilia.com.br

“Não é você quem escolhe a roupa. Ela te escolhe. E, quase sempre, são peças com bojo e sem decote”. O relato é de uma mulher de 55 anos que, apesar de ter lutado contra um câncer de mama há duas décadas, carrega as marcas da doença até hoje. Aos 35 anos de idade, a artesã Madalena Lima da Silva teve que retirar toda a mama direita e enfrentar sessões de quimioterapia até a conquista da cura. Desde então, a reconstrução do seu corpo passou a ser um sonho muito distante.

Esta semana, no entanto, Madalena ganhará a oportunidade de torná-lo realidade. Ela é uma das 81 pacientes selecionadas para o II Mutirão de Reconstrução de Mama do DF, que começou ontem na capital e vai até o próximo sábado. No total, 168 pacientes se inscreveram no evento. No Brasil, a meta é realizar 800 operações.

Saiba mais

  • Segundo o SUS, a cada 40 minutos, nos últimos cinco anos, uma paciente é submetida à cirurgia de remoção das mamas para tratamento de câncer em todo o País. Mais de 50 mil mulheres por ano passam pela mastectomia radical.
  • A Lei 12.802 – de 2013 -, obriga o SUS a fazer a cirurgia plástica reparadora logo em seguida à retirada do câncer, quando houver condições médicas.
  • Cerca de 90% das brasileiras com câncer que passam pelo procedimento não conseguem a reconstrução imediata do seio. Os dados revelam que apenas 10% dos procedimentos pela rede pública de saúde foram acompanhados de plásticas reconstrutoras.

Promovido pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, o mutirão busca desafogar a grande fila de espera pelo procedimento, além de ajudar mulheres que deixaram a questão em segundo plano. Por lei, todo paciente com câncer que teve a mama total ou parcialmente retirada tem o direito de realizar a cirurgia plástica reparadora pelo Sistema Único de Saúde (SUS) ou pelos planos de saúde privados.

No SUS, o procedimento deveria ser realizado no mesmo local do tratamento e, prioritariamente, ao mesmo tempo. Contudo, por razões burocráticas e estruturais, na maioria das vezes, as pacientes não têm acesso a essa etapa.

Após a remoção das mamas, as brasileiras esperam, em média, de dois a cinco anos por uma cirurgia e, em levantamento realizado pela SBCP em 2012, algumas estão aguardando na fila há mais de dez ano.

Artesã sonha com uma vida normal

“Tem 20 anos que tento a cirurgia e não consigo. Estou feliz da vida com essa oportunidade. Até parece que é Natal. Quando vou tomar banho e fico nua na frente do espelho me sinto a pior pessoa do mundo. Às vezes, prefiro não olhar para não sofrer. É horrível”, conta a artesã Madalena Lima da Silva, que se priva de viver momentos únicos por causa do corpo. “Não vou ao clube, também não compro roupas que tenho vontade de vestir. Até separei do meu marido. Fico muito tempo em casa sozinha”, completa.

Segundo ela, o diagnóstico da doença não veio por acaso. Depois de sentir uma mudança na auréola do seio direito, Madalena procurou um médico, que não desconfiou do problema. “Ele pediu para eu tomar vitamina E. Foi o que eu fiz durante um ano, mas não melhorou. Depois, por insistência da minha mãe, procurei outro especialista. Ele me indicou um mastologista, que pediu uma bateria de exames”, afirma.

De acordo com a artesã, sua cirurgia está marcada para amanhã. Como são procedimentos delicados, o mutirão disponibilizou 180 profissionais da área para ajudar nas operações. Pelo menos, dois cirurgiões plásticos e um técnico de enfermagem estarão presentes nos centros cirúrgicos. Além disso, seis hospitais públicos e cinco privados também firmaram parceria com o evento, assim como um patrocinador de próteses e 12 tatuagens.

O câncer de mama é o mais comum entre as mulheres no mundo (1,7 milhões de mulheres acometidas por ano) e no Brasil, respondendo por cerca de 25% dos casos novos de câncer a cada ano.

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