Um show de irregularidades no Complexo Cultural da República. O público que, ontem, foi visitar o ponto turístico ou conferir a apresentação musical de Hamilton de Holanda e Hermeto Pascoal transformou a calçada do Museu Nacional em um estacionamento improvisado, que abrigava mais de 200 carros.
A cena se tornou comum em dias de eventos culturais no local. Muitos motoristas param os carros ali porque não conseguem encontrar uma alternativa regular, outros por comodismo e praticidade. Três estacionamentos contornam o complexo, mas as vagas não são suficientes para o público, que tem prestigiado as frequentes apresentações, geralmente gratuitas. Porém, no momento do show de sábado à tarde, mais de 70 vagas estavam desocupadas em frente ao Setor Bancário Sul, na Via N2.
“O projeto (de Oscar Niemeyer) não pensou que as pessoas viriam aqui de carro. Tem muita calçada. O estacionamento fere a proposta, mas onde as pessoas vão parar?”, questiona o administrador do museu, João Bastos. Segundo ele, o peso dos veículos não abala a estrutura do monumento. “A calçada foi feita para suportar até dez mil quilos por metro quadrado”, afirma.
Thiago foi flagrado pela equipe do Jornal de Brasília no momento em que estacionava o carro de forma ilegal na calçada para assistir o show com os amigos. “Se tivesse um transporte público eficiente, as pessoas não precisariam pegar o carro para sair de casa. Como não tem alternativa, a gente vai estacionando onde dá”, disse. Ele afirmou que não procurou outra vaga. “Eu estou vendo daqui que não tem”, justificou.
A artista plástica Adriana Lopes dos Santos, 25 anos, acha um “absurdo” a área ser utilizada para esse fim. “Na verdade, é um lugar, onde tem pessoas transitando o tempo todo. Há treino de patins, skates. Estão desvirtuando o espaço”, apontou.
Segundo João Bastos, a Companhia Urbanizadora da Nova Capital (Novacap) está realizando estudos para a implantação de um amplo estacionamento para atender a demanda proveniente do complexo.