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Brasília

Mortes no trânsito: Três a cada dez são motociclistas

Arquivo Geral

13/07/2017 6h30

Atualizada 12/07/2017 22h19

acidente com motoqueiro no eixão norte. Data:14-01-2014 Foto: Elio Rizzo

Motos são apenas 11% da frota do DF. Falta de campanhas e de instrução podem agravar cenário
Douglas Lemos
Especial para o Jornal de Brasília
Motocicletas compõem 11% da frota de veículos do Distrito Federal, mas, quando o assunto é morte no trânsito, elas têm maior representatividade. São 193 mil motos em meio a 1,6 milhão de veículos registrados no DF. No primeiro semestre deste ano, das 115 mortes em acidentes no DF, 36 foram de motociclistas. O número corresponde a 31,3% dos óbitos, conforme estatísticas do Departamento de Trânsito (Detran-DF).
No mesmo período do ano passado, foram 191 mortes no trânsito. Destas, 47 de motociclistas; o equivalente a 24,6% do total. Se por um lado houve queda no número geral de mortes, proporcionalmente houve aumento de 6,7% de acidentes fatais com motociclistas.
Por sua vez, de janeiro a maio deste ano, o Departamento de Estradas de Rodagem (DER-DF) registrou 13 mortes somente nas rodovias do DF. Queda de 23,5% em relação ao mesmo período do ano passado, quando foram 17 óbitos.
Para Artur Moraes, doutor em trânsito pela UnB, constatar que quase um terço das mortes no trânsito é de motociclistas é algo preocupante. “A motocicleta é um veículo frágil. Os motociclistas acabam se arriscando mais por andar nos corredores”, observou. Moraes ressaltou que estas estatísticas acontecem no Brasil inteiro. “Em alguns lugares, como Teresina (PI), dois terços dos traumatismos em hospitais públicos são causados por acidentes de moto”, destacou.
Ainda de acordo com Moraes, é necessário investir em campanhas educativas que chamem a atenção. “Eu acredito que as campanhas têm que chocar, além de informar”, avaliou.
Como solução, ele acredita que é necessário haver fiscalização severa, com foco no uso de equipamentos de segurança e, também, na exigência da Carteira Nacional de Habilitação (CNH). “Muitos motociclistas não têm tanta experiência nem habilitação”, apontou.
José Ricardo Matos, instrutor de cursos de pilotagem para carros e motos, é um crítico do sistema de aulas práticas para motociclistas nas autoescolas. Ele defende que é preciso mudar o sistema de avaliação. “O aluno não aprende a andar de moto. Ele apenas aprende a se equilibrar nela”, avaliou. Matos lembrou que é necessário maior cautela ao conduzir um veículo de duas rodas, principalmente em um momento de emergência. “A motocicleta possui freio dianteiro e traseiro. É preciso saber o modo certo de parar”, reforçou.
Saiba mais
O Detran alerta que durante as operações e patrulhamento serão autuadas todas as motocicletas que forem pegas circulando com escapamentos com descarga livre ou com silenciador de motor defeituoso, deficiente ou inoperante. Segundo o diretor-geral do Detran, Silvain Fonseca, esse trabalho visa proporcionar maior segurança aos usuários das vias e aos próprios motociclistas. “Essa categoria nos preocupa porque é muito vulnerável e está sempre exposta aos riscos do trânsito”, frisou.
Muitas perdas no caminho
Presidente do Brutus Moto Clube, o tatuador Pedro Roberto dos Santos, 47, é motociclista há 30 anos e já se acidentou várias vezes. Na vez mais grave, quebrou a perna e precisou de um mês para se recuperar. No fim do ano passado, ele perdeu o tio, que se acidentou em Sobradinho. A vítima trabalhava como office boy. “O sentimento é de tristeza. Essa profissão é complicada. Você se arrisca por estar tempo demais rodando”, relatou.

Data:12-07-2017 Vitimas de acidentes de moto.  Pedro dos Santos com o filho Igor Andrade, perderam o tio em um acidentecom moto Foto: Kléber Lima

Data:12-07-2017 Vitimas de acidentes de moto.
Pedro dos Santos com o filho Igor Andrade, perderam o tio em um acidentecom moto
Foto: Kléber Lima


O gosto por motos vem de influência da família e foi passado ao filho Igor Andrade dos Santos, de 22 anos. Ele acredita que os motociclistas enfrentam maior perigo no trânsito. “A gente precisa andar melhor equipado, com capacete de qualidade, luva e casaco de couro. É preciso se proteger”, recomendou o motociclista.
Campanha
De olho no número de infrações, o Detran computou, só entre motos, 47 mil autuações por excesso de velocidade no primeiro semestre deste ano. Ao longo de 2016, foram 107 mil e, em 2015, pouco mais de 113 mil. O órgão diz que vai ficar atento a outras infrações, como andar sobre calçadas, pilotar ou conduzir passageiro sem capacete, fazer retorno proibido, circular com faróis apagados, transportar carga incompatível com as especificações e manobras perigosas.

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