Larissa Santiago
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Fios de energia expostos, antenas para televisão, telhas, cimento e areia. Os materiais denunciam que ali, no Curral Comunitário de São Sebastião, onde um bebê de sete meses foi encontrado na última sexta-feira e que deveria ser um local totalmente destinado aos animais, há pessoas vivendo.
O auxiliar de limpeza Rubenito Soares, 36 anos, mora no curral há seis meses. A decisão veio quando o aluguel começou a pesar. “Meu pai já mora aqui há dois anos e me chamou para passarmos um tempo com ele. Nós acabamos ficando por mais tempo que o planjeado”.
Por ter sido um lote destinado só para a criação de animais, o curral comunitário não possui nenhum tipo de infraestrutura, de iluminação e nem sanitária. A energia que os barracos recebem é desviada de forma ilegal de um poste que fica no final do terreno e a água é retirada de um córrego que passa próximo.
“As condições não são boas, mas eu não tenho para onde ir e a minha renda é muito pouca, não tenho como pagar aluguel”. Além de dividir o terreno com o pai, Rubenito vive em uma casa de dois cômodos com a mulher e a filha, de três anos.
Já a dona de casa Mariza Batista, 29 anos, divide o lote com mais duas famílias e um cavalo. Ela está ali há seis anos e não pretende sair. “Aqui eu vivo tranquila, mas gostaria de ter a minha casa porque aqui não é legalizado”. Mariza diz também que as condições sanitárias não são favoráveis.
A titular da Secretaria de Desenvolvimento Social e Transferência de Renda (Sedest), Arlete Sampaio, informou que não tem conhecimento da utilização da área para moradia e que hoje enviará uma equipe para verificar a situação. “Nós iremos até lá e vamos oferecer a opção de albergue para eles”.