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Brasília

Moradores e trabalhadores do Guará II denunciam carros abandonados e falta de vagas na QE 40 

Excesso de veículos no setor de oficinas do Guará II gera disputa por vagas, insegurança e preocupação com focos da dengue

Guilherme Abarno

01/07/2026 18h28

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Fotos: Guilherme Abarno / Jornal de Brasília

Na QE 40, no Guará II, região conhecida como Setor de Oficinas, moradores e trabalhadores relatam problemas recorrentes com carros abandonados e veículos que permanecem há meses ocupando vagas públicas para conserto. A situação tem gerado disputa por estacionamento, prejudicado o comércio local e levantado preocupação com possíveis riscos à saúde, devido ao acúmulo de água parada em alguns automóveis.

Quem sente os reflexos desse cenário na prática, todos os dias, é Tatiana Souza, de 52 anos, e seu filho Guilherme, de 21. A família mora em um dos condomínios da quadra e é afetada diretamente pela quantidade de veículos no estacionamento atrás do seu edifício. O excesso de carros ocupa todas as vagas disponíveis, impossibilitando a circulação de moradores e visitas. Além disso, segundo eles, o Setor de Oficinas carece de manutenção, com acúmulo de lixo e mato alto tomando conta do espaço público. 

“A falta de vagas é constante. Das primeiras horas da manhã até as 22h, a rua fica entupida e só melhora na madrugada”, relata Guilherme. “Além disso, o excesso de carros parados causa insegurança, pois bloqueia a visão e facilita que alguém fique escondido atrás dos veículos. É uma situação complicada.”

tatiana e guilherme
tatiana e guilherme


Apesar da insatisfação, Tatiana diz entender que as oficinas precisam trabalhar e que o comércio já existe no local há muito tempo. No entanto, ela cobra que o Governo do Distrito Federal adapte o espaço e tome providências em relação ao volume de automóveis. 


“Eu entendo que as oficinas precisam trabalhar e que elas já existiam aqui há muito tempo. Mas é preciso haver uma adaptação, pois a quantidade de carros está fora de controle. O Detran já esteve aqui e guinchou vários veículos abandonados que ninguém reclamou, mas o impacto na nossa vida cotidiana continua sendo enorme.”

Quem enxerga a situação sob outra perspectiva é Valesca da Silva Lima, de 52 anos. Moradora da QE 40 e também secretária em uma das oficinas, ela transita entre a necessidade dos vizinhos e a realidade dos estabelecimentos. Sem negar o caos no estacionamento, ela aponta o crescimento dos condomínios como o principal responsável pelo conflito.

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“Quando os moradores chegaram aqui, eles já sabiam que este era o Setor de Oficinas. Agora são muitos prédios e condomínios, mas para onde as oficinas vão levar os carros? Elas não vão sair daqui. Eu conheço bem a situação e entendo os dois lados.”

Outro ponto de vista na quadra é de quem está nas oficinas. Eliezer Moreira Silva, de 33 anos, dono da Horizonte Off Road, trabalha na região há quase uma década e afirma que os problemas de estacionamento impactam diretamente a sua loja. O empresário cita a ocupação de vagas públicas por um ferro-velho vizinho como o principal obstáculo para a continuidade da sua empresa no local, motivo que o levou a decidir pela mudança de endereço.

eliezer
Eliezer


“Entulhos e carros abandonados atrapalham muito. Temos dificuldade para manobrar os veículos que recebemos para conserto e, por falta de estacionamento, muitas vezes precisamos deixá-los quase no meio da rua. Eu decidi que vou sair daqui”, relata.

ferro velho
ferro velho



O empresário afirma que já formalizou reclamações junto à Administração Regional do Guará e ao DF Legal. Ele lamenta que as medidas sejam apenas temporárias. “Eles fazem uma limpeza rápida, mas não há fiscalização ou acompanhamento. Pouco tempo depois, o local volta a ser um depósito de sucatas e cheio de carros velhos”.

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A frustração com a falta de continuidade nas ações públicas é compartilhada por outros lojistas da área. Uma comerciante local, que prefere não se identificar por receio de represálias, relata que veículos abandonados ou à espera de conserto bloqueiam a frente de sua loja. Ela destaca que isso também prejudica os moradores, que perdem o direito a vagas de estacionamento.

Ela chama atenção, também, para os riscos à saúde decorrentes do acúmulo de água em automóveis e caminhonetes, que favorece a proliferação do mosquito da dengue. Somado a isso, critica o descarte inadequado de lixo na região.

“Tem muitos carros abertos aqui. Quando chove, eles acumulam água, principalmente caminhonetes, que formam poças e podem virar focos do mosquito da dengue. Além disso, tem muito lixo espalhado pela rua. Para mim, isso atrapalha tudo e é um risco constante.”

A situação é confirmada por um mecânico que trabalha ao lado, que também preferiu não ser identificado. Segundo ele, há carros parados há mais de um mês, que permanecem no local desde que um dos profissionais responsáveis pela manutenção trocou de oficina.

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Resposta do GDF

Em nota, a Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal (SSP-DF) informou que a QE 40, no Guará II, está incluída no cronograma do DF Livre de Carcaças. O programa, que conta com a parceria do Detran, DER, DF Legal e administrações regionais, é responsável pela identificação e remoção de veículos abandonados que comprometem a segurança e a ordem pública.

Segundo balanço da pasta, o programa já atendeu 48 demandas no Guará, resultando na retirada de 21 veículos. Em outros 14 casos, as equipes não localizaram os carros ou constataram que eles não se enquadravam nos critérios legais de abandono. A Secretaria reforça que a remoção é estratégica para liberar o espaço público e combater focos do mosquito Aedes aegypti.

A participação da comunidade é considerada essencial pela SSP-DF. Denúncias podem ser feitas pela Ouvidoria do GDF (telefone 162), pelo portal Participa DF, pelo e-mail dflivredecarcacas@ssp.df.gov.br ou presencialmente na Administração Regional do Guará e nos Conselhos Comunitários de Segurança (Consegs).

Sobre o controle de doenças, a Secretaria de Saúde do DF (SES-DF) ressaltou que a Vigilância Ambiental realiza vistorias preventivas diárias em todo o Distrito Federal, incluindo o Guará II. Ao identificar possíveis focos de dengue, zika ou chikungunya, a população deve solicitar inspeção técnica pelo telefone 162 ou pelo portal Participa DF.

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