Os pacientes da Cidade Ocidental, quando precisam de medicamentos, recorrem a uma das 11 unidades do Programa da Saúde da Família (PFS) e não voltam de mãos vazias. “Não tenho do que reclamar, aqui sempre tem remédio”, conta a vendedora Janaína de Castro, 20 anos, moradora do município goiano, situado a cerca de 50 quilômetros de Brasília.
“Os postos de saúde sempre têm médico e remédio. Não há o que reclamar sobre o atendimento. O que estamos precisando é de um hospital melhor, mais equipado e com um número de médicos maior. Em casos mais complexos precisamos nos deslocar para Brasília”, afirma a moradora Maria Oliveira. As unidades do PSF contam com um médico, um enfermeiro e dois técnicos ou auxiliares. Além dos postos, a Secretaria Municipal de Saúde tem três unidades de atendimento bucal.
“Quando não tem um remédio que está na receita do paciente, a gente faz logo o cadastro para conseguir”, conta a técnica de enfermagem Fernanda Vieira. É o caso de Marly de Jesus Gaspar, 30 anos. Ela chegou à unidade do PSF do bairro Ocidental Park, munida com uma extensa lista de medicamentos e saiu de lá com quase todos. Os remédios são necessários para o tratamento de um problema renal. “O único problema são os médicos especialistas. Como meu caso requer um pouco mais de técnica, necessito de acompanhamento especializado. Aqui na Cidade Ocidental eu não encontro esse tipo de tratamento, então preciso ir ao Distrito Federal”, conta.
Marly faz hemodiálise três vezes por semana, para isso preciso se deslocar até Valparaíso, em Goiás. Na Cidade Ocidental não há equipamentos e nem recursos humanos capacitados para realizar o procedimento de filtragem do sangue. Segundo ela, a rede pública de saúde está carente de nefrologistas e cardiologistas, entre outros profissionais. Isso torna boa parte dos habitantes do município dependentes dos hospitais de outras regiões vizinhas, principalmente do DF.
Convênio
A prefeitura pretende solucionar essas carências com os recursos do convênio firmado com o Governo do Distrito Federal. Pelo acordo, o GDF vai repassar R$ 3,6 milhões durante um ano para ser investido na área da saúde. Com a verba, o prefeito Alex Batista pretende construir cinco unidades básicas de saúde, comprar equipamentos, custear e capacitar profissionais. A média mensal de atendimentos a pacientes provenientes da Cidade Ocidental feita pelos hospitais do DF é de 940, segundo dados da Secretaria de Saúde do DF, contabilizados nos primeiros três meses deste ano. A maioria dos moradores do município é atendida no Hospital Regional do Gama (HRG). Dos 2.821 registros feitos em toda rede de janeiro a março de 2009, 1.412 foram atendidos lá.
Para amenizar a carência de especialidades médicas na rede pública de saúde do município, a prefeitura, em parceria com a Secretaria de Saúde, implantou o Centro de Prevenção e Reabilitação (Cepre). A casa concentra fisioterapeutas, cardiologistas, nutricionistas, fonoaudiólogos, ginecologistas, obstetras, psiquiatras e psicólogos.
Outras melhorias na área da saúde foram adotadas. O Hospital Municipal da Cidade Ocidental (HMCO) ganhou novos leitos para internação. Além disso, foi criado, ao lado da prefeitura, o Laboratório Municipal da Cidade Ocidental.
O hospital privado Santa Maria atende conveniado ao Sistema Único de Saúde (SUS). Lá podem ser feitas algumas cirurgias, ecografias e raios x, o que desafoga o HMCO.