Raphaella Sconetto
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Na madrugada desta terça-feira (29), caminhões despejaram terra em frente a um galpão na Feira dos Goianos. A ação foi um protesto contra a desocupação de ambulantes da entrada do local. No início da tarde, a Polícia Militar autorizou a retirada da terra e mediou a manifestação, a fim de evitar possíveis brigas entre lojistas e ambulantes.
De acordo com o capitão da Polícia Militar, Servato, responsável pela operação, os camelôs foram os responsáveis pela colocação da terra. “Apesar de terem colocado areia, a manifestação é pacífica e não teve baderna. A PM tem mantido diálogo com os líderes do protesto”, informa.
De acordo com o presidente da Associação dos Ambulantes, Ítalo Almeida de Jesus, o único pedido dos ambulantes é que eles possam trabalhar legalmente. “A gente tentou, mediante todos os órgãos, a autorização para trabalhar aqui. Só queremos trabalhar legalmente, vamos pagar todas as taxas que são solicitadas”, conta. “Já fomos atrás de todo o processo de autorização, só que a administração não fala nada e não dá nenhuma posição”, completa.
Ainda segundo Ítalo, se for comparar, os lojistas também estão irregulares. “Lá dentro não tem alvará e a Defesa Civil não aprova”, adverte. Para ele, os ambulantes não conseguem competir com os comerciantes que ficam dentro da feira. “Um aluguel lá dentro é muito mais caro. O ambulante não consegue pagar. Só que o governo está apoiando gente que nem é de Brasília, são 10 mil feirantes e 70% são goianos”, critica.
Prejuízo
Os lojistas não gostaram da manifestação. Uma comerciante, que não quis informar o nome com medo de represália, contou que não apareceu nenhum cliente na manhã desta terça-feira (29). “Para um cliente entrar ficou complicado. Ainda não calculei o prejuízo, mas não consegui vender nada hoje”, diz.
Para o presidente da Associação da Feira dos Goianos, Dimilson Xavier Mendes, o protesto atrapalhou o funcionamento da feira. “Atrapalhou o direito de ir e vir, de trabalhar, de exercer a profissão. Eles falam que nós somos irregulares, mas nós temos alvará de funcionamento”, conta.
O vice-presidente da Associação, Paulo Sérgio Martinely, também critica o protesto. “Além de desleal, é inadequada. Aqui nós geramos quase 6 mil empregos. Então uma vez que a gente está sendo prejudicado por menos de 300 ambulantes, nós temos nosso direito de reivindicar”, comenta. “Nós nos regularizamos, por que eles não se regularizam também?”, indaga.
Para Matinely, a questão também envolve o confronto entre as duas categorias: lojistas e ambulantes. “Ninguém quer afrontar, ninguém quer brigar. Nós queremos fazer o nosso trabalho sem que ninguém atrapalhe. Diferente deles que ameaçam a gente e já vi gente vindo trabalhar armado”, revela o vice-presidente.
Até o fechamento desta matéria, a Administração de Taguatinga não respondeu aos questionamentos da reportagem.