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Brasília

Metrô-DF enfrenta problemas estruturais e metroviários alertam para o risco de colapso

Fiscalização da CTMU aponta que o metrô tem perdido força na capital, afastando usuários do transporte público

Vítor Ventura

25/06/2026 15h58

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Reclamações de usuários motivou fiscalização no Metrô-DF. Foto: Isabele Mendes/Jornal de Brasília

Superlotação, falhas operacionais e falta de investimento são alguns dos problemas do metrô da capital apontados pelo relatório da Comissão de Transporte e Mobilidade Urbana (CTMU) da Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) divulgado nesta quinta-feira (25). O documento foi feito a partir de uma visita técnica às instalações da Companhia do Metropolitano do DF (Metrô-DF) realizada em 29 de maio deste ano.

Uma das questões apontadas no relatório foi a escassez de frota, indicando que a falta de trens afeta a regularidade operacional do serviço e com isso a qualidade do serviço cai. A programação horária do metrô é baseada em um cenário com 22 trens operando simultaneamente no pico e 12 trens no entrepico. Na data da vistoria, no entanto, apenas 19 trens estavam efetivamente em circulação. A CTMU também já havia recebido denúncia de que a operação em horário de pico já chegou a ser realizada com apenas 12 trens.

O desempenho operacional também foi citado no relatório. O levantamento registrou uma redução de 2,18% de acessos, o que equivale a cerca de 900 mil acessos a menos, em comparação ao relatório de 2024. O déficit de servidores também tem sido um problema, conforme detalhou o estudo técnico. A perda de parte da receita da Companhia tem relação com o aumento das liberações de catraca por falta de empregados disponíveis para controlar o acesso e comercializar bilhetes.

Outro grande desafio enfrentado pelo Metrô-DF para a recuperação de parte da frota de trens é a dependência tecnológica da fabricante Alstom. Durante a visita técnica, foi informado à CTMU que o processo licitatório para a aquisição de novos trens está em fase interna de preparação. O projeto prevê a aquisição de 15 novos trens, com custo unitário estimado em aproximadamente R$ 48 milhões. O projeto foi habilitado no Novo Programa de Aceleração do Crescimento (Novo PAC) do Governo Federal. 

Uma das motivações para a fiscalização realizada foi o aumento das reclamações dos usuários sobre o metrô. Como a resposta a alguns questionamentos dependia de consulta a registros internos ou a diretorias não representadas na reunião, a CTMU formalizou um ofício com pedidos de informações complementares para serem incluídas no relatório técnico.

Usuários do metrô sofrem com o transporte

“A gente vai e volta todos os dias da semana e o metrô está sempre cheio”, relatou ao Jornal de Brasília o estudante universitário Caio Baêta, de 21 anos. Morador de Ceilândia, ele usa o transporte público para chegar à Universidade de Brasília (UnB) e para se locomover pela capital. Segundo o estudante, os problemas com o metrô dificultam e muito a vida das pessoas que dependem dele. 

“Falta muita gente para trabalhar no metrô. Nos finais de semana, no domingo, o metrô fica lotado e passa de 20 em 20 minutos no horário de pico. Outra coisa que me irrita é o horário de funcionamento, e esse problema também é por falta de funcionário. Fecha muito cedo, principalmente nos finais de semana que poderia ficar aberto até de madrugada”, comentou Caio.

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O universitário Caio Baêta contou que enfrenta dificuldades todos os dias usando o metrô. Foto: Vítor Ventura/Jornal de Brasília.

Além disso, o estudante destacou que não é raro situações mais problemáticas ao usar o meio de transporte. “Uma vez voltando do trabalho, ele desligou completamente. Foi um silêncio absurdo mesmo lotado e todo mundo estava com medo de ter quebrado. Depois de uns 10 minutos assim, começando a ficar mais quente lá dentro, voltou [a funcionar] e muita gente desceu na estação seguinte, provavelmente com medo de quebrar”, contou. De acordo com ele, também existem problemas estruturais também nas estações. “As escadas rolantes e o elevador da Estação Galeria não funcionam há meses”. 

Metroviários alertam para colapso

Ao JBr, Marcos Carvalho, da diretoria do Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Transportes Metroviários do Distrito Federal (SindMetrô-DF), falou que de fato existe o risco do Metrô da capital colapsar. “Isso na verdade é algo muito fácil de explicar porque o que se observa na última década é uma redução na casa de 90% do valor que deveria ser destinado ao metrô e que não foi repassado. Então, isso em números totais chega na casa de R$ 1 bilhão”, explicou o metroviário.

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Marcos Carvalho, do Sindmetrô-DF, afirmou que o sistema corre o risco de colapsar caso não haja investimento e melhoria no contingente de funcionários. Foto: Vítor Ventura/Jornal de Brasília.

Segundo ele, o metrô é um sistema complexo que demanda um cuidado maior. Além do investimento na estrutura, ele também ressaltou que são necessários mais metroviários. “Hoje, por exemplo, se o metrô quisesse fazer uma expansão de horário, não teria como porque não tem empregados suficientes para atender a população. Então no domingo e feriado tem redução sim de trens, chegando a 30 minutos, 35 minutos o intervalo entre um trem e outro”, explicou.

Os metroviários do DF também cobram por um novo concurso público da categoria. “Nós temos 13 anos sem efetivação de um concurso público, que é a nossa pauta hoje. A categoria está clamando por isso, então nesse período não tem investimento e o efetivo está super reduzido”, comentou Marcos.

“[O metrô] é um transporte de massa que leva cerca de 150 mil, 160 mil usuários por dia. Então, o risco de colapso é sim existente, e o sindicato tem alarmado, tem feito as denúncias junto ao Ministério Público”, completou. A reportagem procurou o Metrô-DF para esclarecer os pontos citados no relatório da CTMU, mas não obteve retorno até o fechamento desta edição.

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