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Brasília

Mercado de trabalho vai além de opções convencionais

Arquivo Geral

01/05/2015 7h30

Eles poderiam estar dentro de uma sala analisando documentos,  entre o conforto do ar-condicionado e uma cadeira giratória de couro. Quem sabe, se tivessem escolhido o serviço público, não ganhariam mais?  Mas não quiseram. Fazem parte de um nicho  peculiar das profissões atuais. Eles escolheram o caminho menos óbvio e são realizados naquilo que fazem. Mesmo que isso exija sangue frio e perfeccionismo, como a tanatopraxia: a arte de preparar cadáveres para funerais, com direito à maquiagem. 

 “Eu fazia Medicina Veterinária e tranquei meu curso para fazer isso. Sempre gostei de anatomia. Acabei me encontrando fazendo esse trabalho”, conta o técnico em tanatopraxia André Alves Peixoto,  33 anos. Há oito anos, ele trabalha na área de funerais preparando os corpos para o enterro, serviço que lhe rende R$ 3 mil mensalmente. 

“São quatro etapas: a higienização, a preparação, a ornamentação e a necromaquiagem”, explica. “Esse é o produto final da funerária. Por isso, nos esforçamos para deixar pelo menos próximo daquilo que a família espera”, salienta o funcionária da clínica CIP Bom Senhor. 

Naturalidade

 Para André, tudo o que faz é muito natural. Desde a retirada de órgãos dos corpos até a maquiagem. “Alguém tem que fazer esse serviço. Eu não tenho problema com o que faço”, afirma. No entanto, confessa, algumas pessoas não gostam nada da profissão. “Alguns parentes têm preconceito. Tem gente  que não pega na minha mão.   Mas  eu tento não dar bola”, ressalta. 

 O técnico conhece de cor e salteado os procedimentos. Por isso, não se apressa em nenhum deles. Pelo contrário, faz tudo com precisão. Do jeito que aprendeu no curso, feito em São Paulo. Ele revela que o procedimento de preparação varia  de R$ 300 a  R$ 1,2 mil. Nos casos em que o cadáver necessita, por exemplo, de recomposição do rosto, a técnica demanda mais tempo. 

 “A gente faz desde o básico até a maquiagem mais preparada, com blush e sombras, por exemplo. Mas, para homens, não sai muito do essencial”, diz. 

Fotógrafo de bichos de estimação

 E se você gostasse de fotografia e de animais? Para Navarro Wanderley Dantas, de 24 anos, nada mais natural do que unir o útil ao agradável. Ou seja, ganhar dinheiro fotografando pets. “Não é com isso que me sustento, mas tiro R$ 1 mil a mais por mês, o que, para mim, é muita coisa. Então, me realizo muito no que faço”, afirma o jovem, que começou sua paixão por fotografias ainda criança.
 
 “Desde sempre, eu gosto. Quando tinha viagem em família, eu fazia questão de registrar os momentos”, lembra. Então, depois de crescido, Navarro decidiu aprimorar o hobby. 
 
 “Eu me formei em Publicidade e Propaganda e, durante o curso, fazemos aulas de fotografia. Depois de formado, quando me casei, tive meu próprio cachorro e comecei a fazer ensaios com ele mesmo. Mas  sem muitos enfeites. O legal é ter a lembrança do bicho da forma como ele é, com os trejeitos naturais dele”, explica.
 
Eternizador dos pets
 
O fotógrafo de pets Wanderley Dantas Navarro tem como opção de estúdio o ar livre do Parcão, no Parque da Cidade. Cada sessão de fotos custa entre R$ 220 e R$ 400.  “Como disse, é um dinheiro que me ajuda bastante. Mas não pretendo expandir o negócio transformando-o, digamos, numa máquina empresarial. Eu realmente faço isso por paixão. Gosto de bichos e adoro fotografar. Então, não quero essa coisa de um cliente por dia”, salienta o publicitário. Para ele, o mais importante é eternizar a presença dos animais na família. 
 
“Até tenho isso meio que como slogan do Art Navas. Minha ideia é mostrar que o pet faz parte da família e eu tento, por isso, eternizar a lembrança dele com essas fotos. Procuro mostrar, por meio das imagens, o modo como o animal se comporta, a personalidade dele. Faço isso para que, daqui uns anos, por exemplo, a pessoa veja a foto e diga: ‘nossa, ele era assim mesmo’”, detalha Navarro, que criou uma página no facebook para divulgar seu trabalho como fotógrafo de pets. 
 
Outra área que se destaca entre os serviços criativos é a chamada personal stylist, aquele profissional que cuida da apresentação das pessoas. De acordo com a personal Karoline Stahr, para concluir o trabalho com perfeição, é preciso conhecer a personalidade do cliente, o ambiente de trabalho e as atividades preferidas aos finais de semana. “A consultoria é uma descoberta, é quando a cliente descobre a si mesma. Roupa tem tudo a ver com a personalidade”, explica. Além disso, ela trabalha como consultora de moda e personal shopper (ir ao shopping e ensinar a comprar peças certas para o bolso).
 
Reviravoltas na vida e no vestuário
 
Hoje, Karoline Stahr, formada em moda, vive do trabalho de personal stylist. Ela chega a ganhar R$ 6 mil por mês. “Cobro R$ 600 por atendimento. É claro que varia de acordo com a quantidade de encontros, e eu também trabalho com crédito. Nos meses de maior movimentação, atendo até 12 pessoas. Então, consigo viver disso e ser feliz naquilo que faço porque, desde pequena, eu tenho verdadeira loucura por roupas. Sempre gostei de moda e de combinar peças. Minha mãe enlouquecia comigo, quando criança, porque eu chorava se o meu look não desse certo”, lembra. 
 
As compras no shopping, revela, têm horário para começar e terminar. A duração do atendimento é de quatro horas, tempo de sobra para as freguesas se sentirem mais próximas do estilo que querem e podem ter. “Minhas clientes são, normalmente, mulheres com idade entre 25 e 40 anos e o que elas têm em comum é a virada de vida, ou seja, são pessoas que estão recomeçando ou querem ser ou foram promovidas no trabalho ou se separaram ou se casaram. Eu trabalho muito com isso de querer um novo espaço, uma reviravolta na vida”, exemplifica. 
 
Sensualidade
 
E, se tem maquiador de defuntos, por que não investir naquilo que traz felicidade durante a vida? Estamos falando de sexo. Mas, neste caso, um pouco mais apimentado, com bastante intimidade e sem limitações. 
“Trabalho com a sensualidade das mulheres. A ideia é fazê-las se sentirem desejadas e mostrar a elas que isso não é difícil, não tem mistério e não envolve vulgaridade. Tanto é que minhas clientes, normalmente, são noivas. São pessoas que querem manter a chama acesa em seus casamentos”, explica a professora de artes sensuais Aline Rabelo, de 33 anos. 
 
Tudo começou quando ela ainda estava trancada em um consultório de psicologia atendendo pessoas com histórias nada fáceis de lidar. “Era muito sofrimento para mim. Havia crianças que foram abusadas e outras coisas que eu simplesmente não estava mais conseguindo levar adiante pela dificuldade mesmo. Então, decidi trabalhar com a psicologia de uma forma divertida. E é isso que faço hoje”, ressalta a professora, que dá cursos com valores que vão de R$ 150 e podem chegar a R$ 350.

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