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Brasília

Menino baleado por policial civil apresenta melhora e respira espontaneamente

Arquivo Geral

08/02/2017 17h38

Arquivo pessoal

O pequeno Luís Guilherme, baleado por um policial civil durante uma briga de trânsito, apresenta boa evolução clínica, está consciente e respira espontaneamente, informou o Hospital Santa Helena nesta quarta-feira (8). Atingido no peito e com uma bala alojada no pulmão, o garoto passou passou por uma cirurgia na última segunda-feira (6).

No último dia 29 ele chegou a receber alta, mas precisou voltar ao hospital após piora no quadro clínico. Apesar do susto, a mãe garante que o filho vem se recuperando bem: “Luis Guilherme está bem, mas após vários exames, ficou constatado que o projétil está num local que não pode continuar. Deus com certeza não quer essa marca dentro dele. Terá as marcas das mãos de Deus, de um milagre, mas não a marca de um malfeitor dentro dele”, desabafou Paula.

 

Ocorrências contra o policial

– Silvio Moreira Rosa tem seis ocorrências registradas em seu nome na Polícia Civil, entre 2005 e 2015, por briga, ameaça, lesão corporal, injúria e crime sexual. Sílvio Moreira Rosa começou a carreira em dezembro de 1983 e foi demitido em junho de 2001 por uma tentativa de fraude em aposentadoria. Treze anos depois, foi reintegrado à corporação por decisão administrativa do então governador Agnelo Queiroz (PT) no último dia de governo.
– Agora, a Corregedoria-Geral vai instaurar Processo Administrativo Disciplinar para julgar a conduta do agente de custódia lotado no Centro de Progressão Penitenciária (CPP).

Relembre o caso

No dia 6 de janeiro, a família de Guilherme pegou a BR-070 rumo a Cocalzinho (GO), onde resolveria trâmites de um imóvel. Eles já tinham visto o carro branco fazendo ultrapassagem perigosa em uma curva e quase batendo em um caminhão. Em um trecho em obras, onde a pista deixa de ser dupla, o motorista teria dado várias brecadas. “Eu avisei ao meu marido que ele devia estar atrás de confusão e que quem faz isso não faz de peito aberto”, recordou a mulher, que recomendou que se distanciasse.

Segundo a mãe, o policial tentou ultrapassá-los e chegou a ficar lado a lado na pista, mas não conseguiu completar a manobra. Pelo retrovisor, viu que o carro estava chegando muito perto. “Falei ‘acelera, ele deve estar querendo bater’. Calei a boca e começaram os tiros. Foi muito tiro. Quando eu entendi o que era, pedi que corresse ainda mais. Gritei para o meu filho tirar o cinto e se esconder atrás do banco. Quando meu marido o puxou para ajudar, ele já caiu. Meu filho caiu debruçado, com as costinhas cheias de sangue, roxo e gelado”, lembrou, em lágrimas.

Só então o pai da criança teria parado o carro. Enquanto o homem, ajoelhado, se desesperava, a mãe tentava fazer o menino reagir: “Eu não podia aceitar que meu filho estava morto. Eu o desvirei, ajeitei na cadeirinha e comecei a fazer massagem. Fiz massagem com muita força, a cabecinha dele balançava. Ele abriu o olho um pouco e disse ‘mamãe, eu estou com sono’ e vi que meu filho estava vivo”.

No sábado, o agente de custódia Silvio Moreira Rosa, 53 anos, autor do tiro, foi transferido da Delegacia de Águas Lindas (GO) para a unidade Estadual de Investigações de Homicídios (DIH), em Goiânia (GO). Segundo a Polícia Civil de Goiás, a mudança ocorreu para preservar a segurança do preso.

Após fugir, ele foi encontrado no carro dele em uma estrada de terra. Ele não teria reagido à prisão. À corporação goiana, identificou-se como policial, disse que a arma estava dentro do carro e afirmou que disparou porque achou que sofria uma tentativa de assalto.

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