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Brasília

Menino que perdeu parte da visão após pedrada ganha cirurgia na rede particular

Arquivo Geral

17/11/2016 13h42

Após tentar na rede pública, o pequeno Ulisses Vaz ganhou cirurgia no olho em hospital particular (Foto: arquivo pessoal)

Andrei Helber
Especial para o Jornal de Brasília

O menino de 7 anos que tentava, há duas semanas, marcar cirurgia na rede pública de saúde para tentar recuperar a visão do olho direito será operado na próxima segunda-feira (21). O procedimento, ainda sem horário definido, será realizado na rede privada, no Hospital Oftalmológico de Brasília (HOB), que soube do caso pela reportagem do Jornal de Brasília e prometeu não cobrar nada pelo serviço.

A visão de Ulisses Rodrigo Silva Vaz está comprometida desde o último dia 2, quando o garoto brincava em um parquinho no Núcleo Rural Monjolo, no Recanto das Emas, e foi atingido por uma pedra arremessada por estilingue. O incidente teria sido provocado por outra criança.

Desde então, o menino buscou atendimento no Hospital de Base e no HRT (Hospital Regional de Taguatinga). A lesão afetou o posicionamento do cristalino do olho direito – espécie de lente natural localizada depois da córnea e da íris. Seria necessário então uma cirurgia de vitrectomia para ser inserida uma lente artificial e reverter o quadro de cegueira. A família de Ulisses, alega, no entanto, ter tido dificuldades para marcar o procedimento na rede pública.

O garoto teve de passar por nova consulta na manhã desta quinta-feira (17). Desta vez, no HOB, onde fez mais exames, como ecografia, ultrassonografia ocular e medição da pressão do olho. Segundo o oftalmologista da unidade, Sérgio Kninggendorf, especialista em retina e vitreo, a situação do paciente é delicada, mas as chances de a visão voltar completamente são altas.

“O cristalino do olho direito dele, de fato, saiu de posição. Esse trauma deu origem a uma catarata, o que prejudicou a visão. A lesão tem evoluído e aumentado a pressão do olho. Se nada for feito, o garoto pode ainda desenvolver glaucoma e ficar cego de vez. Vamos agir rapidamente para isso não acontecer”, afirma.

O profissional ressalta que os pais da criança precisam agora da liberação de um médico anestesista para autorização da cirurgia na segunda. Por telefone, a mãe de Ulisses, Leia Oliveira, não escondeu a emoção de saber que o filho pode voltar a enxergar normalmente. Disse que vai ainda hoje no Hospital Materno Infantil de Brasília (HMIB) para tentar marcar uma consulta pediátrica e receber, posteriormente, encaminhamento favorável de um anestesista-geral.

“Meu filho está muito ansioso. Pergunta sempre quando essa agonia vai acabar. Quando vai voltar a enxergar direito. Não tem como não ficar feliz. Ralamos demais para conseguir esse tratamento”, desabafou a mulher, que diz ter rifado produtos como jogos de cama e de pratos para tentar alavancar dinheiro e custear a cirurgia do filho. “Na rede particular, o procedimento custa, em média, R$ 15 mil. Essa quantia toda seria muito difícil de conseguir”, completou.

Garoto perdeu a visão do olho direito após levar pedrada (Foto: arquivo pessoal)

Garoto perdeu a visão do olho direito após levar pedrada (Foto: arquivo pessoal)

Drama na rede pública

Quando Ulisses Vaz foi ferido por uma pedra, ele era observado pela prima, que tratou de levar o menino imediatamente até os pais dele. O olho do garoto sangrava bastante e ele já não conseguia enxergar como antes. Desesperado, o pai de Ulisses, Francisco Vaz, pegou o carro da família e levou o filho na emergência do Hospital Regional de Taguatinga (HRT).

“Lá, o oftalmologista de plantão nos orientou a buscar atendimento no Hospital de Base, onde haveria mais recursos para examinar o caso do meu filho. Só que no Base pouca coisa mudou. O médico que nos atendeu pediu a compra de três tipos de colírio para aplicar no olho de Ulisses. Como o ferimento não parava de sangrar, o profissional alegou não ter condições para examiná-lo adequadamente e, por isso, pediu para que meu filho retornasse no dia seguinte”, conta Francisco.

E foi o que fez. Retornou com a criança ao hospital no dia 3. Foi quando descobriu que o cristalino, espécie de lente do olho que vem depois da córnea, pupila e íris, estava lesionado gravemente. Seria necessário então se submeter a uma cirurgia (vitrectomia). Segundo o pai do menino, a ideia é implantar uma nova lente para substituir o órgão afetado. Porém, o procedimento não tem data para ocorrer.

“Meu filho nem sequer está cadastrado na fila de cirurgia. Não há vaga. O caso dele foi encaminhado ao Ambulatório de Vitrectomia do Hospital de Base, mas ainda não o chamaram para uma nova consulta. Somente depois disso, é que vamos ter direito a um pedido de cirurgia”, desabafa Francisco.

A família de Ulisses é de origem humilde e alega não ter condições para realizar o procedimento, que pode chegar a custar R$ 15 mil na rede privada. Enquanto isso, o menino prefere não ir a escola (2ª série). “Ele pergunta frequentemente quando tudo isso vai acabar. Até adotou a mania de tampar o olho esquerdo com uma das mãos para testar se a visão do olho direito já voltou”, conta o pai da criança, que tem outros três filhos e é casado com uma gari.

Em nota, a Secretaria de Saúde (SES) informou que o menino foi atendido no Hospital de Base em duas ocasiões, sendo a última vez, na terça passada (08). A secretaria explica que o pai  da criança não precisa esperar a convocação do Ambulatório de Vitrectomia, basta ele se deslocar a uma Unidade Básica de Saúde (UBS), de preferência, a mais próxima de casa, e marcar a consulta exigida. O responsável pelo paciente deve apresentar o cartão do Sistema Único de Saúde (SUS), comprovante de residência e o pedido de cirurgia do médico para a realização da vitrectomia.

O pai de Ulisses confrontou o posicionamento da Secretaria, ao justificar que recebeu orientação diferente da equipe médica do Hospital de Base. Ele, inclusive, disse ter protocolado um pedido de acompanhamento de oftalmologista ao ambulatório da unidade.

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