Rosana Jesus
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Despesa obrigatória do inicio do ano, o material escolar sofreu um reajuste de preços superior à inflação. De acordo com dados do Sindicato das Papelarias e Livrarias do Distrito Federal (Sindpel), os produtos derivados do papel sofreram agora um reajuste anual de 9% a 10%. Os outros itens de papelaria cobrados aos estudantes foram reajustados em 5% e 9%.
O presidente do sindicato, José Aparecido da Costa, esclarece que o preço alto é consequência da matéria-prima cara. “Geralmente os produtos foram comprados pelas empresas no meio do ano, quando a inflação estava acima até dos 9%, e é possível que ainda não tenha dado tempo de o estoque acabar”, relata o também empresário. “Por outro lado, como proprietário de três papelarias posso afirmar: não vejo necessidade de um aumento exagerado nos preços das mercadorias.”
Saiba mais
- O economista José Luiz Pagnussat afirma que a alta de valores não deve acompanhar o reajuste do salário mínimo. “Tem de ser o contrário, quem deve se adequar a crise é o comércio. É preciso lembrar que a renda familiar caiu mais de 5% em um ano”, diz.
- Pagnussat recomenda que os pais verifiquem se o material didático usado no ano anterior, pode ser reaproveitado.
Aparecido destaca que a temporada de maior movimento nas lojas de materiais escolares começa sempre depois do dia 15 de janeiro. “Esse é o período em que as famílias voltam de viagem. 60% dos pais deixam para fazer as compras faltando uma semana para o início das aulas, ou até uma semana depois”. O presidente frisa que apenas 10% das vendas são realizadas antes dessa data.
Depois de pesquisar em cinco papelarias, Angela Carvalho, 26 anos, reclama dos preços. “Estão mais altos do que o ano passado, sem falar na lista abusiva de materiais exigidos pela escola. Pesquisei no varejo e no atacado, a diferença é mínima e não cabe no orçamento para duas crianças”, relata a moradora do Riacho Fundo I. Ela afirma que kits escolares para pessoas de baixa renda poderiam ajudar nesse período. “Creio que muitos pais poderiam comprar o restante do material sem passar apertos”.
Ágatha Cruz, 20 anos, cursa enfermagem e também fez as compras do semestre. “Comprei em quatro lugares diferentes, não há como não pesquisar, pois os preços estão absurdos e gastei quase R$ 500”, menciona a estudante. Ela ressalta que reutilizará itens do ano passado, para economizar.
Para a professora Rosemary Miguel, de 47 anos, o material escolar é um bem necessário. “Não é consumismo, é algo que faz uma enorme diferença, caso o estudante não tenha acesso. O material didático auxilia no aprendizado do aluno e quando o valor destes estão elevados além da conta, nós professores também sofremos”, lamenta a pedagoga.