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Brasília

Material escolar aumenta até 10%

Arquivo Geral

04/01/2017 7h00

“O movimento do fim de semana está maior, mas percebemos que os clientes fazem a pesquisa do menor preço. Em relação ao ano passado, por enquanto, as compras então mais lentas, mas acreditamos que ainda seja cedo para fazer comparações”, João Moura, gerente da loja ABC Office Shop. Foto: Sandro Araújo

Rosana Jesus
rosana.jesus@jornaldebrasilia.com.b

Despesa obrigatória do inicio do ano, o material escolar sofreu um reajuste de preços superior à inflação. De acordo com dados do Sindicato das Papelarias e Livrarias do Distrito Federal (Sindpel), os produtos derivados do papel sofreram agora um reajuste anual de 9% a 10%. Os outros itens de papelaria cobrados aos estudantes foram reajustados em 5% e 9%.

O presidente do sindicato, José Aparecido da Costa, esclarece que o preço alto é consequência da matéria-prima cara. “Geralmente os produtos foram comprados pelas empresas no meio do ano, quando a inflação estava acima até dos 9%, e é possível que ainda não tenha dado tempo de o estoque acabar”, relata o também empresário. “Por outro lado, como proprietário de três papelarias posso afirmar: não vejo necessidade de um aumento exagerado nos preços das mercadorias.”

Saiba mais

  • O economista José Luiz Pagnussat afirma que a alta de valores não deve acompanhar o reajuste do salário mínimo. “Tem de ser o contrário, quem deve se adequar a crise é o comércio. É preciso lembrar que a renda familiar caiu mais de 5% em um ano”, diz.
  • Pagnussat recomenda que os pais verifiquem se o material didático usado no ano anterior, pode ser reaproveitado.

Aparecido destaca que a temporada de maior movimento nas lojas de materiais escolares começa sempre depois do dia 15 de janeiro. “Esse é o período em que as famílias voltam de viagem. 60% dos pais deixam para fazer as compras faltando uma semana para o início das aulas, ou até uma semana depois”. O presidente frisa que apenas 10% das vendas são realizadas antes dessa data.

Depois de pesquisar em cinco papelarias, Angela Carvalho, 26 anos, reclama dos preços. “Estão mais altos do que o ano passado, sem falar na lista abusiva de materiais exigidos pela escola. Pesquisei no varejo e no atacado, a diferença é mínima e não cabe no orçamento para duas crianças”, relata a moradora do Riacho Fundo I. Ela afirma que kits escolares para pessoas de baixa renda poderiam ajudar nesse período. “Creio que muitos pais poderiam comprar o restante do material sem passar apertos”.

Ágatha Cruz, 20 anos, cursa enfermagem e também fez as compras do semestre. “Comprei em quatro lugares diferentes, não há como não pesquisar, pois os preços estão absurdos e gastei quase R$ 500”, menciona a estudante. Ela ressalta que reutilizará itens do ano passado, para economizar.

Para a professora Rosemary Miguel, de 47 anos, o material escolar é um bem necessário. “Não é consumismo, é algo que faz uma enorme diferença, caso o estudante não tenha acesso. O material didático auxilia no aprendizado do aluno e quando o valor destes estão elevados além da conta, nós professores também sofremos”, lamenta a pedagoga.

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