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Brasília

Maior feira de adoção de animais do DF é realizada nesta sexta-feira

Arquivo Geral

26/05/2017 7h00

Foto: Arquivo Pessoal

Manuela Rolim
manuela.rolim@jornaldebrasilia.com.br

Eles tomaram banho, foram tosados, cortaram as unhas e se perfumaram. Toda essa produção tem um motivo: encantar um dono e ganhar um lar permanente. O dia que pode mudar a história, quase sempre dramática, desses vira-latas é hoje, quando cerca de cem cães e gatos terão a chance de abandonar, de vez, as ruas e abrigos temporários da cidade para conquistar uma família na maior feira de adoção de animais do DF. O evento gratuito acontecerá no UniCEUB – Centro Universitário de Brasília (707/907 Norte) das 9h às 15h.

Bichinhos de pequeno e grande porte, filhotes, adultos, machos e fêmeas estarão disponíveis, todos vacinados e vermifugados. Entre eles, quatro vira-latas recém nascidos prometem cativar o público. O grupo foi abandonado na porta do Abrigo Flora e Fauna na última segunda-feira e, desde então, está no local. Fundadora da instituição, Orcileni Arruda de Carvalho, pretende levar 15 dos 600 animais que acolhe atualmente para o evento. “Minha voluntária levará mais cinco. Nossa expectativa é conseguir doar cerca de 14. Estamos confiantes”, afirma.

Aos 52 anos, Orcileni carrega o amor por cães e gatos desde a infância. “Resgatava da rua e levava para casa. Em 2005, cheguei a ter 50 animais. Tive que me mudar para a chácara onde funciona o abrigo hoje”, relata. Experiente no assunto, ela alerta que o ato de adotar não é brincadeira. “A adoção precisa ser responsável. Antes de tudo, todos os integrantes da família devem estar de acordo com a chegada do novo membro para que o bichinho não seja devolvido ou largado novamente. Além disso, é preciso que o dono tenha condições de manter as vacinas em dia e que esteja preparado para eventuais consultas médicas. Tudo isso será repassado para o público durante a feira”, observa.

Ainda assim, Orcileni garante que o esforço vale a pena. “O companheirismo, a fidelidade, o amor incondicional e a disponibilidade deles paga qualquer dificuldade. Me considero mãe de todos eles”, declara ela, que perdeu um filho.

Comemorando 12 anos de abrigo, a fundadora coleciona histórias, no mínimo, emocionantes. “Quase todos (os bichinhos) têm um passado triste, de maus-tratos, abandono e atropelamento. A Cocada, por exemplo, foi encontrada prenha em uma parada de ônibus na Samambaia. A situação era deprimente, a barriga dela encostava no chão”, lembra Orcileni, ao ressaltar que a Cocada também irá para a feira.

Saiba mais

  • Criada em 2007 como atividade de uma disciplina do curso de Publicidade e Propaganda do UniCEUB, a feira Adote um Bichinho completou sete anos.
  • O projeto se tornou o maior da capital e, nas últimas três edições, promoveu a adoção de 180 animais.
  • Hoje, o evento acontece em frente ao bloco 3 da universidade. Os organizadores orientam levar documento de identidade com foto.
  • Segundo a OMS, atualmente, o Brasil tem mais de 30 milhões de cães e gatos abandonados.

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Adotar pela primeira vez não é uma atitude simples. Portanto, para quem resolver dar esse passo hoje, a organização do evento Adote um Bichinho montou uma estrutura especial com vários instrutores. A intenção é poder sanar todas as dúvidas e aconselhar as famílias sobre a melhor opção diante do estilo de vida do futuro dono.

Questões como o tamanho da casa e do quintal, horas de dedicação disponíveis para o animal e até a existência de telas de proteção no caso de apartamentos devem ser consideradas. Ainda assim, quem não puder levar um cãozinho para casa, ainda poderá ajudar doando sacos de ração para as ONGs apoiadoras do projeto. A feira também vai abrigar estandes com venda de produtos de petshops.

Donos da Baleia e da Bibi, ambas adotadas, o analista de TI Leonardo Herculano de Sousa, 32 anos, e sua esposa, a economista Ludmila Ferreira Bandeira, 28, descrevem a experiência. “O sentimento é de gratidão mútua”, garante ele, exaltando a reação das cadelas quando o casal chega em casa.

“Elas ficam felizes e satisfeitas só pelo fato de chegarmos. Não nos cobram nada. Pelo contrário, doam um amor incondicional. Adotar foi uma experiência que mudou nossas vidas e a nossa rotina. Antes, não tínhamos compromisso com horário, vacinas e veterinário, mas garanto que vale a pena. Jamais compraria um cão”, completa.

Baleia foi resgatada toda ferida de um lixo em Planaltina em março de 2016. Já Bibi completou um mês no apartamento dos dois. “Elas me ensinaram alguns valores essenciais. Hoje, dou mais importância ao carinho que recebo do que a bagunça delas. Meu sentimento também é de gratidão. As duas conseguiram, inclusive, fazer com que a gente ficasse mais sociável. Passeamos com elas e fazemos vários amigos. Antes, vivíamos mais isolados”, acrescenta Ludmila.

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