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Brasília

Lucro?

Arquivo Geral

02/10/2016 9h17

Atualizada 03/10/2016 9h18

Sexta-feira começaram as quartas-de-final da Série C do Brasileiro. Diria, com toda a sinceridade, que começou a fase mais importante da competição. E a explicação para minha opinião é simples: os quatro times que passarem, formando as semifinais, já terão garantido a ascensão à Segundona na próxima temporada. Com sinceridade, muito mais importante do que o título em si – não estou desvalorizando a conquista, entendam, diria apenas que o troféu seja a “cereja do bolo” para o verdadeiro objetivo, subir.

As quartas-de-final começaram com Botafogo de Ribeirão Preto x ABC, na cidade paulista; e Botafogo da Paraíba x Boa Esporte, em João Pessoa. Nos dois jogos, 0 a 0, ou seja, 180 minutos e nenhum gol. Nem unzinho. Mas não foi a inoperância dos ataques que me chamou a atenção. Fiquei surpreso com o fato de que, nos dois jogos, depois do 30, 35 minutos do segundo tempo, os times visitantes praticamente abandonaram a partida, satisfeitos que estavam em levar para casa, para a segunda partida, uma igualdade sem gols. Aí, pergunto: foi lucro, realmente, o resultado? Valeu a pena tal tática?

Começarei avaliando a situação do ABC. Certamente, na partida de volta o Fraqueirão estará lotado. A galera inflamada, empurrando seu time (ainda mais que o maior rival, o América, foi rebaixado…). Isso, sem dúvida alguma, é uma vantagem. Mas… E se o Botafogo marcar um gol, sair na frente? Empate com gols dá a classificação (e a vaga, lembrem-se) para o time do interior paulista. Aí, a equipe potiguar necessitará de dois gols para classificar-se. Me faço entender? É claro que perder ninguém quer, mas abdicar de ir buscar o jogo para contar com a vantagem de apenas jogar em casa me parece muito pouco. E o treinador do ABC é o mais do que experiente Geninho, malandro velho de guerra. Acredito que ele saiba o que fez.
Ah… O Boa Esporte adotou a mesma postura. Com o detalhe de que não terá este apoio incondicional de torcida no segundo jogo – no caso da equipe mineira, em casa ou fora não há torcida para apoiá-lo, perdoem a sinceridade. E seu time, falando francamente, não é inferior ao do Botafogo, não.

Lucro!

Se a rodada vai ser boa para o Palmeiras só saberemos amanhã à noite, depois que for encerrado o jogo contra o Santa Cruz, em Recife. Mas para Atlético Mineiro, Santos, Botafogo, Vitória e Fluminense, ah, não tenham dúvidas: a 28ª rodada do Brasileiro foi boa, sim senhor (no caso do Galo, dependendo do resultado do Verdão, então…). Logo cedo, ontem, o tricolor carioca sentiu o gostinho do G-4. Levou um susto, é verdade, mas mudou tudo no segundo tempo e virou a partida para cima do Sport, com direito a golaço de Gustavo Scarpa. Ficou de camarote para ver os jogos da tarde/noite.

Na Vila Belmiro, qualquer que fosse o resultado o time de Levir Culpi lucraria. Se o Santos perdesse, o lugar no G-4 estaria assegurado (por esta rodada, claro). Vitória santista, o Fluminense voltaria para o quinto lugar, mas como se fala agora em G-5… E, perdendo, o Furacão ficaria mais distante, logo… Situação semelhante aconteceu com o Atlético Mineiro. Jogando contra a difícil Ponte Preta, em Campinas, os três pontos não só mantinham o Galo na briga direta pelo primeiro lugar como, em caso de tropeço do Flamengo (que aconteceu), reduziria a distância. Agora é “secar” o Palmeiras.

Para fechar a contabilidade dos times que lucraram, claro, há de se falar de Botafogo e Vitória. Com a combinação dos resultados, o alvinegro carioca ganhou algumas posições preciosas e, mais importante, deixa cada vez mais distante o fantasma do rebaixamento. Fantasma que também começa a ser cada vez menos assustador para o rubro-negro baiano, que goleou a Chapecoense e abriu vantagem para o Z-4.

Cartola ou ídolo?

Não gostaria de falar da votação de hoje, mas a situação de Belo Horizonte me chama a atenção. Dois nomes ligados ao Atlético Mineiro disputam, voto a voto, a prefeitura da capital mineira. Na liderança das pesquisas aparece o ex-goleiro João Leite. Em segundo lugar está Alexandre Khalil, ex-presidente do Galo, cartola que comandava o clube na conquista da Libertadores da América, há três anos. A presença de jogadores na política não é coisa nova. Temos, por exemplo, Romário como senador pelo Rio de Janeiro; e Bebeto, que fez dupla com o Baixinho na Copa de 1994, como deputado estadual. Dois “ídolos”, de uma mesma camisa, brigando pelo mesmo cargo, porém, acho que é só no caso mineiro.

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