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Brasília

Leitura muda vida de jovens que cumprem medida socioeducativa

Arquivo Geral

30/04/2015 12h19

Internados para cumprimento de medida socioeducativa, os adolescentes da Unidade de Internação de Santa Maria (UISM) conseguem viajar para diferentes lugares, mesmo sem poder sair dos quartos. Tudo isso a partir da leitura, desde abril de 2014, quando o Projeto Leitura – A Arte do Saber foi criado no local.

Sem TVs nos quartos, a unidade conseguiu criar uma rotina de leitura para os adolescentes e despertar interesses pela literatura e pela escola de forma diferente. No início deste ano, cinco adolescentes da unidade passaram no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e duas meninas obtiveram nota suficiente para cursar a faculdade pelo Programa Universidade para Todos (ProUni), programa do governo federal que oferece bolsas de estudo.

Para levar a boa ideia às outras unidades, a Secretaria de Políticas para Crianças, Adolescentes e Juventude lançou, em parceria com a Vara da Infância e Juventude – a partir da Rede Solidária Anjos do Amanhã – e a Rede Gasol, a campanha de doação de livros para montar espaços de leitura na outra unidade e expandir o projeto.

Até 15 de maio, mais de 30 pontos de coleta no Distrito Federal receberão livros, principalmente literários, para os jovens. Há caixas de doação em todos os fóruns de Justiça o DF, no Palácio do Buriti e Anexo, em todos os Na Hora, no Arquivo Público do DF, na Câmara Legislativa e na Biblioteca Nacional.

Não tem mais como ficar sem eles. A maior parte das coisas que sei aprendi nos livros”, diz a jovem Marcela*, que está há um ano e oito meses na Unidade e já mais de 30 livros dos mais variados gêneros.

E ela lê de tudo um pouco: de Dostoiévski à Clarice Lispector. Atualmente, está debruçada sobre dois de uma jornalista chinesa, Xinran: “As boas mulheres da China” e “Enterro celestial”, e relata que foram os melhores livros da sua vida.

E as transformações que a leitura proporcionou na vida de Marcela não param por aí. Hoje cursando o 1º ano do Ensino Médio, Marcela pretende fazer vestibular para Direito ou História e vê nos livros uma chance de alcançar esse objetivo. “Os livros ampliam o meu conhecimento e melhoram a minha articulação na escrita. As resenhas que faço me ajudam nas provas do ensino regular e, com certeza, me ajudarão no Enem e no vestibular”, afirma.

Além desses benefícios, a interna diz que a leitura pode lhe trazer vantagens no cumprimento da medida socioeducativa. “Ler melhora a nossa reputação aos olhos da juíza. Ela vê que estamos fazendo algo construtivo e isso pode nos beneficiar na reavaliação da medida”, conclui.

Atualmente, a UISM possui um acervo com 1,5 mil livros classificados conforme a complexidade e o gênero. A maior parte fica na biblioteca e a outra é organizada dentro de um carrinho. O servidor Abdallah Antun percorre os corredores dos módulos da Unidade com a biblioteca móvel, recolhendo e entregando livros aos 150 jovens do local. Aproximadamente 90% dos adolescentes internos passaram a se interessar pela leitura e a ler cerca de dois livros por semana, oito por mês.

Ajude

O Distrito Federal tem sete unidades de internação. Aproximadamente 900 jovens cumprem medida socioeducativa nos locais e podem ser beneficiados pela leitura.

A Secretaria de Políticas para Crianças, Adolescentes e Juventude recebeu mais de 2.200 livros nas duas primeiras semanas de campanha. Só o Arquivo Público doou 634 obras literárias. Na Secretaria de Educação, a doação chegou a 440 títulos diferentes, e a Pastoral Carcerária doou 115 livros.

No entanto, serão necessários pelo menos 10 mil livros para montar espaços de leitura em todas as unidades. Colabore!

Postos de coleta

Secretarias de Educação; Cultura; Ciência, Tecnologia e Inovação; Esporte e Lazer; Desenvolvimento Humano e Social; Políticas para as Mulheres, Igualdade Racial e Direitos Humanos; e Secretaria de Políticas para Crianças, Adolescentes e Juventude;

Palácio do Buriti (sede e anexo);

Biblioteca Nacional;

Câmara Legislativa;

Unidades do Na Hora;

Arquivo Público do DF;

Fóruns de Justiça do DF.

 *Nomes fictícios em respeito ao Estatuto da Criança e do Adolescente.

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