O Senado aprovou projeto de lei que aumenta a carga horária para o ensino infantil, fundamental e médio de 800 para 960 horas. Agora ele será apreciado pela Câmara. Se virar lei, só entrará em vigor em 2014.
Porém, segundo a Secretaria de Educação do Distrito Federal, o DF atualmente cumpre uma carga maior do que 960 horas e, por isto, a nova medida não irá fazer diferença na região. Para educadores da UnB, os cerca de 48 minutos a mais por dia (toda escola deve ter, pelo menos, 200 dias letivos) podem trazer benefícios, mas não resolvem o problema da educação brasileira.
O projeto, de autoria do ex-senador Wilson Matos (PSDB-PR) pretende ser uma transição rumo ao horário integral, usado em países de educação avançada, como a Coréia do Sul. Para Carmenísia Gomes, diretora da Faculdade de Educação, o aumento é um pequeno avanço. Ela explica que a educação integral não se resume à extensão do tempo de aula, mas trata-se de um atendimento à totalidade de educação, uma formação geral do indivíduo. “É preciso mais tempo, mas com qualidade”, explica Carmenísia.
Para a professora, a medida pode fazer diferença se for bem usada. Outro argumento usado no projeto de lei é que, além de mais tempo para aula, “a juventude brasileira, devidamente abrigada em escolas, estará menos exposta ao crime e às condutas desviantes, que lhes são ensinadas pela rua”. Um entendimento recorrente na sociedade, que pode mostrar uma tranferência de responsabilidades. “Muitas famílias acabam usando o tempo na escola para se desfazer de suas responsabilidades”, acredita Carmenísia.