Com o objetivo de combater a transmissão de vírus, bactérias e microorganismos entre pacientes durante a internação hospitalar, a Gerência de Investigação e Prevenção à Infecção e Eventos Adversos em Serviços de Saúde (Gepeas), da Secretaria de Saúde (SES/DF), está promovendo ações de capacitação de profissionais e conscientização de pacientes e acompanhantes.
Segundo a responsável pela Gepeas, Eulina Menezes Ramos, o número de contaminações hospitalares pode diminuir significativamente se as pessoas adotarem um hábito simples: a lavagem das mãos. “Fizemos um levantamento que demonstra a seriedade do assunto. Somente 32% dos profissionais da rede pública lavam as mãos constantemente, durante o trabalho”, disse.
A profissional explica que a má higienização das mãos, ligada ao uso indiscriminado de antibióticos, também tem sido um dos principais fatores dos surtos de contaminação por bactérias multiresistentes, dentro de unidades hospitalares. “Estamos vivendo um momento em que só se fala da KPC. Porém, as contaminações sempre existiram e são as mais diversas dentro dos hospitais. Os cuidados devem ser os mesmos e dependem da conscientização de todos”, acrescenta.
Ações
A Gepeas trabalha sistematicamente na investigação, prevenção e controle de microorganismos encontrados dentro das unidades hospitalares. Neste ano, os profissionais da rede receberam cursos com especialistas das áreas de estratégias de higienização das mãos, protocolo de microbiologia e tratamento de microorganismos multi-resistentes.
Eulina Menezes Ramos explica que ações como estas sempre foram realizadas nos hospitais. “Em alguns momentos, a orientação é reforçada em função dos surtos. Porém, todas as unidades têm sua rotina de prevenção realizada pelos Núcleos de Controle de Infecção Hospitalar”, disse a especialista, lembrando que os servidores da saúde também devem ficar atentos à higienização dos equipamentos e dependências em geral.
Uma resolução da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que torna obrigatório o uso de álcool (líquido ou gel) para higienização das mãos nas unidades de saúde de todo o país, foi publicada no Diário Oficial da União, no último dia 26. Entretanto, o uso do álcool não dispensa a necessidade da higienização constante das mãos com água. Já no dia 27, outra resolução foi publicada restringindo a venda de antibióticos mediante a apresentação de receita médica.
Ciência
Segundo o infectologista do Hospital de Base do Distrito Federal (HBDF), Julival Ribeiro, as bactérias estão se tornando cada vez mais resistentes e este é um problema no mundo todo.“A higienização adequada das mãos é a medida mais efetiva, como forma de diminuir a incidência das infecções relacionadas à assistência”, avaliou. “Em seguida, é necessária a higienização dos ambientes hospitalares e as devidas precauções de contato com a pessoa enferma”, explicou.Segundo o médico, os pacientes de maiores risco são crianças e idosos. Entretanto, diabéticos e pacientes que sofreram procedimentos invasivos (colocação de sondas, cateteres, entubação, etc), cirúrgicos ou que estão com o sistema imunológico debilitado também estão mais propícios à contaminação por bactérias.
O infectologista chama atenção para o destaque dado ao surto da KPC. Para ele é necessário explicar a população de que microorganismos sempre existiram e estão presentes em vários lugares. “No caso da KPC a maior parte dos óbitos foram causados por pessoas que já estavam em estado grave”, disse. “O necessário é evitar alardes e trabalhar na prevenção junto com profissionais, sociedade, pacientes e acompanhantes”, garante o médico.