Lago Norte, Varjão e Sobradinho II são as principais áreas de risco da Leishmaniose, doença que fica alojada no cão, sendo transmitida por um inseto. O ciclo nas regiões é completo, já que há hospedeiro intermediário, mosquito transmissor e parasita. Só no Lago Norte, onde foi feito o levantamento da situação, cerca de mil cães foram identificados com a doença.
O maior problema, para o secretário adjunto de Saúde, Florêncio Cavalcante, é convencer as famílias a sacrificar os animais infectados. “Seremos rigorosos com isso, mas sabemos que, como nos outros anos, teremos problemas. Há como tomar medidas preventivas com os animais não infectados, mas os que já têm a doença não podem ser tratados, precisam ser eliminados”, diz.
Apenas este ano, foram identificados seis casos da doença com transmissão no Distrito Federal. Todos foram tratados e houve um óbito, confirmado na última quinta-feira. A vítima é uma mulher, moradora do Lago Norte, que morreu há um mês. Esta foi a primeira morte pela doença neste ano. Nos últimos quatro anos, a doença matou três pessoas, sendo duas de Sobradinho, em 2006, e a mulher do Lago Norte neste ano..
Desde 2005, ocorreram no DF 23 casos de Leishmaniose com transmissão no local. Destes, 21 ocorreram em Sobradinho, um aconteceu no Varjão e outro no Lago Norte.
De acordo com a subsecretária de Vigilância à Saúde, Disney Antezana, houve uma ampliação da área de risco da doença. Segundo ela, o inseto transmissor, conhecido como “mosquito palha”, se reproduz em locais ricos em matéria orgânica, tais como folhas amontoadas, frutas e madeira podre. “As pessoas devem se prevenir, fazer limpeza das áreas verdes e não deixar material decompondo”, adverte.
A subsecretária afirma também que está sendo programada, ainda para este ano, uma capacitação aos profissionais da saúde para a identificação da Leishmaniose. “É uma doença nova no DF e muito grave, que pode inclusive matar, por isso as medidas de prevenção são muito importantes “.
A moradora do Lago Norte, Irene Machado, 63 anos toma todas as providências para manter o jardim impecável e os cachorros saudáveis. “Antigamente eu não tinha os cuidados que tenho atualmente, até por falta de informação”, conta.
Hoje, mostra com orgulho o cartão de vacinação completo dos três cachorros. Além disso, guarda o exame de Leishmaniose feito nos cães de sua casa pela Secretaria de Saúde no ano passado. “Na época, deu negativo, graças a Deus. Se não, apesar de ser muito triste, teríamos de levá-los para a eutanásia”.
Ela conta ter ficado preocupada diante do aumento dos casos de contaminação. “Eu faço tudo certinho, mas não sei se os meus vizinhos também fazem. É um problema, porque acaba trazendo risco para todos nós”, diz.