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Brasília

Lábios sem mel

Arquivo Geral

17/10/2016 9h27

Como este colunista antecipara, o Flu-Fla de quinta-feira continua rendendo. A reportagem de ontem, na qual foi feita a leitura labial das conversas que aconteceram durante a confusão, confirmam que houve, sim, interferência externa na decisão (correta) de anular o gol do zagueiro Henrique, que igualaria a partida. Como este tipo de atitude é proibido pela Fifa… Bem, com sinceridade, nada vai acontecer. O fraco e confuso árbitro continuará a fazer suas lambanças, os cartolas vão falar o que desejarem e… Nada, absolutamente nada, vai acontecer. Azar do futebol brasileiro, que a cada dia vai sendo mais e mais avacalhado (perdoem, mas poderia até utilizar outra palavra mais forte).

A confirmação de que “lá em cima viram” e que “a televisão mostrou” apenas confirmam o que todos já sabíamos: a arbitragem “bancou” a anulação porque sabia que as imagens dariam o aval para a anulação. Se alguém berrasse dizendo “foi legal, a imagem mostra”, estejam certos, a arbitragem tocaria o barco e o jogo estaria empatado naquele momento. Mais ou menos como delação premiada quando um fala e, depois, dois, três, quatro confirmam que deram propina. Não ficam dúvidas.

Pura emoção

Os três times que ocupam as três primeiras colocações do Brasileiro tinham jogos difíceis ontem. O Palmeiras, líder, enfrentaria o Figueirense, em Florianópolis – o Figueira luta para sair do Z-4. O Flamengo, vice-líder, iria a Porto Alegre duelar com o Internacional que, também, briga para escapar da zona do rebaixamento. O Atlético Mineiro, também fora de casa (no Rio de Janeiro), precisaria passar pelo ascendente Botafogo, que disseram que iria lutar para não cair e, ontem, entrou em campo pensando em Libertadores.

Até mais ou menos 18h15 (horário de Brasília, entrou em vigor o horário de verão), o Galo perdia por 2 a 0 e ficava mais distante dos líderes, que então empatavam. Aí, o Flamengo marcou. Com o empate em Floripa, o rubro-negro carioca assumia a primeira colocação. E sabem quanto tempo durou esta liderança? Menos de três minutos – o Verdão, de pênalti, ficou na frente e restabeleceu a classificação de antes de a rodada começar. Só que, sete minutos depois, piorou para o Flamengo, quando o Colorado empatou – aí, a situação voltou a ser aquela antes do jogo da confusão, com o Palmeiras três pontos à frente.
Enquanto todas as atenções estavam voltadas para o Sul do país, o Atlético Mineiro começava a reagir. Um, dois gols. Empate. A distância aumentava, mas a reação do Galo forte e vingador era empolgante. O jogo na capital catarinense parou porque parte dos refletores apagaram. O Flamengo, talvez sentindo o desgaste físico, parava no Beira Rio lotado. E a força da galera gaúcha empurrava o Colorado. Vitinho, que um dia jogou no Botafogo, marcou o gol da virada e enlouqueceu de vez a massa. O Internacional saia, com autoridade, do Z-4 e, de quebra, deixava o Palmeiras mais líder do que nunca.

Lá pelas 18h45 o Palmeiras marcou o segundo gol. Parecia estar definindo a vitória do Verdão e aumentando a distância entre os dois primeiros colocados para quatro pontos. No Beira Rio o Flamengo não dava demonstrações de ter força (e fôlego) para buscar ao menos o empate. No Orlando Scarpelli, o Figueirense diminuiu o placar e passou a sonhar com algum ganho contra o Palmeiras. O Internacional continuava a correr como se estivesse para conquistar um título, e não lutando para fugir do rebaixamento. No Rio, Galo e Botafogo pareciam satisfeitos com o resultado – na realidade, os dois times sentiam o desgaste de uma tarde de muito calor no Rio e da forma intensa como disputaram a partida.

Em Porto Alegre o árbitro indicou quatro minutos de acréscimos – e o Flamengo decidiu partir para cima com o restinho do fôlego que ainda possuía. Em Florianópolis o Palmeiras administrava a vitória que abria uma vantagem difícil de ser tirada até o fim do Brasileiro. E no Rio… Bem, no Rio de Janeiro o Botafogo comprovava que algumas coisas só acontecem com ele e marcava o terceiro gol, afastando de vez qualquer chance de o Galo lutar pelo título – e devolvendo o alvinegro carioca ao G-6, vaga que fora perdida minutos antes com o primeiro gol do Corinthians sobre o América Mineiro.

O jogo do Internacional acabou e o Flamengo não saiu do lugar. Como em Santa Catarina ainda tinha bola rolando, era hora de secar o rival. E no Rio o Galo ainda lutava. Sem sucesso. Por tudo isso, é ou não é injusto abrir a coluna de hoje falando em leitura labial e em lambanças de árbitros? Mas é isso que nossos cartolas desejam quando dão força a estes árbitros e auxiliares que há tempos deveriam estar banidos da brincadeira. Que pena. Nosso futebol merece muito mais…

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