Há quem esteja reclamando do aumento no número de participantes da Libertadores da América. Como este colunista já explicou, aumentaram os disputantes da pré-Libertadores. A fase de grupos continua com 32 times, divididos em oito grupos de quatro. O resto é perfumaria e festa, apenas. Não pensem, porém, que as mudanças e a mania de grandeza do futebol mundial se reduzem à América do Sul. Em entrevista, o presidente da Fifa, Gianni Infantino, já avisou que pretende aumentar o número de participantes da Copa do Mundo de 32 para 48. Isso mesmo: 50% mais de países – e a mudança tem data, caso seja aprovado: será a partir do Mundial de 2026 (ainda sem local definido).
Nos sonhos de grandeza (será?) do novo cartola-mor da Fifa, não há como a África ficar “apenas” com cinco representantes – ele já falou em pelo menos mais dois africanos classificados diretamente. É claro que essa possibilidade tem relação com promessas de campanha e, também, com algo mais profundo: terminar com a realização de um Mundial de futebol em apenas um país. Para muitos europeus (principalmente), não cabe mais apenas um país receber a principal competição de futebol do planeta. Com o aumento enlouquecido dos participantes, dois ou até três países passariam a dividir as responsabilidades, aliviando os gastos (para se ter uma ideia como a questão financeira assusta os potenciais organizadores, Roma retirou, mesmo, sua candidatura para receber os Jogos Olímpicos de2024).
Se passarmos a ter dois ou três países sediando, o aumento de 16 seleções ficaria “espalhado”, com a Europa, claro, levando a maior fatia do bolo e certamente superando os 50% dos participantes se a competição for realizada naquele continente.
Rodada longa
Dos seis primeiros colocados (sim, agora temos de falar em G-6) do Brasileiro, quatro entram em campo esta noite: Atlético Mineiro, Santos, Fluminense e Atlético Paranaense. Folgarão, ou melhor, jogarão no domingo, justamente os dois líderes, Palmeiras e Flamengo – sim, o leitor não leu errado: a rodada começa hoje e vai até domingo (com jogos também na quinta-feira e no sábado), tudo por causa dos jogos da seleção brasileira pelas eliminatórias da Copa do Mundo de 2018, na Rússia.
O Galo, não desejando ver a distância para Palmeiras e Flamengo aumentar, terá uma partida dificílima no Itaquerão contra o Corinthians. A dificuldade, por sinal, aumentou na proporção da expectativa do Timão em chegar ao novo grupo que se classificará para a Libertadores de 2017. Se os últimos resultados tinham tirado o ânimo do time e da torcida (o Corinthians ocupa o sétimo lugar, sete pontos atrás do Santos, que está na quarta colocação), a mudança promovida pela Conmebol deu um novo gás – afinal de contas, agora, a distância para o sexto colocado, o Furacão, é de apenas um pontinho. Jogo duro e no qual os dois rivais têm grandes interesses.
Também em São Paulo um jogo que promete mexer com a parte de cima da classificação. Com os dois times em alta, Santos e Fluminense se enfrentarão na Vila Belmiro para consolidar sua(s) presença(s) no bloco que se classifica para a Libertadores. No sábado, por algumas horas o tricolor carioca alcançou o G-4 (naquele momento, as vagas só iam até a quarta colocação). À tarde, o Santos bateu o Atlético Paranaense e recuperou a quarta posição, mas ajudou o Fluminense afastando o time do Paraná. Hoje, no chamado “jogo de seis pontos”, o time de Levir Culpi tentará assumir de vez o quarto posto, enquanto o Santos, com uma vitória, mantém vivas as remotas chances de ir além – leiam, por favor, ainda sonhar com a conquista do título brasileiro.
Completam a quarta-feira do Brasileiro os confrontos entre Vitória e Grêmio (o rubro-negro baiano quer fugir de vez do Z-4; o tricolor gaúcho vive a mesma expectativa corintiana), Atlético Paranaense e Chapecoense (como já escrevi, o Furacão quer permanecer no G-6 e a equipe catarinense quer somar pontos para livrar-se de vez da degola e dedicar-se apenas à Sul Americana) e um duelo entre desesperados, no Recife, entre Sport e São Paulo – se o time pernambucano perder pode entrar no Z-4 nesta rodada; se o derrotado for o time de Ricardo Gomes, o “cheirinho” do rebaixamento irá ficar muito forte no Morumbi.