Um dos maiores plantios de maconha de altíssimo teor ativo já encontrado no Distrito Federal, pela Polícia Civil, nos últimos anos. No terreno de uma das casas do Condomínio Jardim Europa, no Grande Colorado, em Sobradinho, os agentes apreenderam, ontem, seis mudas adultas com cerca de 1,5 metro de altura da espécie modificada geneticamente. As outras 50, de portes médio a pequeno, ficavam em um “laboratório” e numa estufa construídos por J.G.S.G., 22 anos, nos fundos da casa onde mora com a mãe Z.S., 61 anos.
Segundo o delegado Pablo Aguiar, cada quilo da droga era negociado, em todo País, por até R$ 50 mil. A droga produzida por J.G.S.G. tinha cerca de 15% da principal substância psicoativa da maconha, o THC. O delegado detalha que, normalmente, a droga encontrada no DF tem até 2,5% de concentração dessa substância e, por isso, essa maconha seria vendida por um preço menor. “Os consumidores de uma droga com esse nível de aprimoramento, com certeza, tem um alto poder aquisitivo”, diz.
Nos fundos da casa, ele também produzia diversos derivados como haxixe, skank e, até mesmo, um óleo que teria a concentração de 98% de THC. “Uma gota do líquido seria equivalente a um baseado inteiro de maconha.”
A investigação foi iniciado há seis meses por meio de uma denúncia anônima. Os agentes teriam então se infiltrado em um fórum de discussão na internet sobre o cultivo da droga e, ali, descobriram o jovem, que teria colocado vídeos e fotos de sua plantação na rede. J.G.S.G. atendia pelo codinome de “sativa lover” e teria conseguido diversificar as espécies cultivadas com a compra de sementes no exterior.
O jovem declarou que planta a droga há cerca de seis anos e teria iniciado o cultivo quando ainda morava em um apartamento na Asa Norte. “Comecei com duas mudas que deixava no banheiro”, fala.
A mãe do jovem confirmou ter autorizado seu filho a usar e cultivar maconha em sua residência. Segundo ela, era uma forma de mantê-lo afastado do tráfico e dos perigos que ele poderia correr. Ela também foi conduzida à 32ª Delegacia de Polícia para ser ouvida no processo, mas foi liberada logo em seguida por não ter envolvimento ou conhecimento real das ações praticadas pelo filho. J.G.S.G. responderá pelo crime de tráfico de drogas, com pena de cinco a 15 anos de reclusão.