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Brasília

Jovem é atendida após aguardar 19 horas por cirurgia em Sobradinho

Colaborador JBr

10/03/2017 23h09

Atualizada 11/03/2017 3h45

Foto: Elio Rizzo/Cedoc

Rosana Jesus
rosana.jesus@jornaldebrasilia.com.br

Entre 22h dessa quinta-feira (9) e 17h de hoje, uma adolescente passou por um verdadeiro sufoco até conseguir ser atendida, em Sobradinho. Na noite de ontem, a jovem precisou ser levada para o Hospital Regional de Sobradinho (HRS) após sentir fortes dores na barriga. Lá, ela descobriu que precisaria passar por uma cirurgia de apendicite. “Primeiro, ela sentiu pequenas dores na barriga, por volta das 18h de ontem. Como achamos que poderia ser apenas um mal-estar, então nem demos muita importância. Pouco tempo depois, ela começou a gritar muito, e então levamos ela para o hospital”, conta Eraldo Rodrigues, de 55 anos, cunhado da jovem. A saga, porém, estava apenas começando.

Ao ser informada sobre sua situação, ela foi direcionada para a UPA de Sobradinho II, pois o hospital havia alegado que era parte do procedimento ela ser atendida naquela unidade. A jovem, o cunhado e a irmã, que está grávida de nove meses, chegaram até a UPA por volta de meia-noite, onde aguardaram cerca de quatro horas até o atendimento. “Assim que chegamos lá, nos informaram para aguardar porque não tinha médico no momento, então ela só conseguiu ser chamada durante a madrugada”, contou Eraldo. “Minha cunhada doente e minha mulher, grávida, sem condições nenhuma de dormir naquelas cadeiras duras. Foi complicado, sem falar em um casal de idosos que estava lá abandonado, também aguardando para ser atendido”, lamenta Eraldo.

Ao ser chamada, a jovem realizou alguns exames e foi orientada a aguardar uma ambulância para levá-la de volta ao HRS, pois a cirurgia só poderia ser feita lá. Porém, ela só conseguiu chegar ao hospital quase no fim da tarde, por volta das 17h, pois a UPA havia informado que não tinha ambulância no momento para transportá-la. “Não tenho nada a reclamar sobre os médicos, o problema é administrativo. As pessoas cada hora falavam uma coisa. Primeiro, não tinha médico, depois, não tinha maca, e, mais tarde, não tinha ambulância, mas a gente viu duas ambulâncias estacionadas lá”, afirma Eraldo. “Tive que discutir para ela conseguir pelo menos passar pela triagem. A situação é simplesmente precária”, complementa.

Somente às 17h, ela conseguiu, finalmente, ser transportada para o HRS, onde deu entrada para fazer a cirurgia.

Passado o transtorno, Eraldo disse ter se sentido revoltado por não poder fazer nada. “É complicado ver uma pessoa naquele estado, na minha frente. Até pensamos em levá-la para um hospital particular, mas informaram que eu precisava assinar um termo me responsabilizando pela vida dela, uma vez que ela já tinha dado entrada naquele local”, explica.

A adolescente é baiana e veio passar alguns dias em Brasília. Segundo Eraldo, ela pretende se mudar para o DF para prestar vestibular e ingressar na faculdade ainda este ano. “Ela veio visitar a cidade e foi recebida com essa decepção, que vergonha”, lamenta.

Versão oficial

Em nota, a Secretaria de Saúde informou que a direção do Hospital Regional de Sobradinho afirmou que a paciente foi atendida desde o momento em que deu entrada na UPA. A pasta disse ainda que ela fez uma tomografia e já estava sendo preparada para os procedimentos cirúrgicos.

Ainda segundo a secretaria, nenhum paciente é submetido a cirurgia sem a confirmação da necessidade comprovada por exames.

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