Lucas Campelo
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Há cerca de um mês, o Jornal de Brasília mostrava o caso de Nathália Sousa Meireles, 18 anos, que tem um tumor de 3 cm no globo ocular esquerdo. Na época, amigos haviam mobilizado as redes sociais por meio de uma vaquinha online para arrecadar R$ 30 mil para ajudar a família a bancar os custos com procedimentos clínicos e com compra de medicamentos, uma vez que a jovem, que é moradora do Gama, aguardava por atendimento há meses na rede pública de saúde, sem sucesso.
Ao arrecadar R$ 22 mil, aproximadamente, a família decidiu cancelar a vaquinha alguns dias depois, pois, finalmente, Nathália havia conseguido uma vaga no Hospital de Base do Distrito Federal (HBDF). Lá, ela deu entrada ao procedimento cirúrgico, mas a família recebeu outra notícia indesejada: seu tumor, antes diagnosticado como benigno, era na verdade maligno.
Segundo o novo prontuário médico, por se tratar de um tumor maligno, foi descartada a possibilidade de cirurgia, sendo necessário o tratamento com quimioterapia e radioterapia. A jovem, então, foi transferida para o hospital Sarah Kubitschek para dar início ao procedimento adequado.
Investimento da vaquinha
De acordo com o marido de Nathália, Alexandre Trindade, 24 anos, a ajuda financeira arrecadada com a vaquinha online está ajudando bastante. “Precisamos fazer curativos no olho dela duas vezes por dia e aplicar pomada sempre. Além de comprar remédios e colírio. Isso não é caro, mas precisamos comprar com frequência, o que acaba saindo caro”, explica. Ele avalia de forma positiva o tratamento ofertado pelo Hospital Sarah.
Se engana quem pensa que a família não vai retribuir o ato de solidariedade recebido pelas doações. “Todo o dinheiro arrecadado é voltado para bancar os custos com o tratamento da Nathália, mas quando ela recuperar, e, se sobrar dinheiro vamos fazer doações para instituições de caridade”, afirma o marido.
Relembre o caso
De acordo com Nathália, a descoberta do tumor foi de repente. “O primeiro sintoma paralisou o olho, e eu não conseguia olhar para os lados”, lembra. Ela foi até uma clínica particular, fez a tomografia e os médicos perceberam a existência de um tumor que, na ocasião, media 2 cm. A partir daí, a jovem recebeu um encaminhamento para atendimento na rede pública. “Eu recebi alguns medicamentos na veia para aliviar a dor e fui orientada a passar uma pomada no olho, para não prejudicar a córnea”, revela.
Segundo Roselane Oliveira de Sousa, mãe da Nathália, a médica no HBDF foi bem clara quanto à demora da cirurgia. “Ela disse que não iria atender a minha filha porque existem pessoas numa fila com risco de morte na frente dela, e que a Nathália só tem chance de ficar cega”, critica a mãe. “A gente não está querendo prejudicar ninguém, eu só quero uma solução para a minha filha”, reivindica.