Menu
Brasília

Invasões prejudicam atividade econômica

Arquivo Geral

29/06/2017 7h00

Foto: Myke Sena

O crescimento da invasão de área pública no Setor de Indústria e Abastecimento (SIA), problema mostrado pelo Jornal de Brasília nessa quarta-feira (28), tem grande impacto no funcionamento da atividade empresarial na região. Não por acaso, pequenas e grandes corporações instaladas regularmente estão incomodadas com a vizinhança.

Desde que a ocupação alcançou os setores de Inflamáveis e de Cargas, os administradores das companhias tiveram que se adequar ao novo cenário. É o caso do coordenador de Terminais e Operações da Tecbras, Eduardo Cantalice. Segundo ele, a empresa teve que investir em sistema de segurança depois que funcionários foram vítimas da violência no endereço.

“A invasão tem chegado cada vez mais perto. Antes, as casas ficavam distantes da nossa sede. Quando chegávamos ao último condomínio de combustíveis, não avistávamos as residências, de tão longe que as edificações estavam. Hoje, o crescimento da ocupação é visível, tem até comércio e ruas numeradas. Com isso, a insegurança também aumentou. Não por acaso, instalamos câmeras de monitoramento e elevamos as cercas. Já nos deparamos com carros furtados, roubados e pessoas assaltadas aqui na porta”, afirma o coordenador.

De acordo com ele, os trabalhadores noturnos são os que mais sofrem com presença dos invasores. “Os motoristas que pernoitam para fazer a descarga no dia seguinte reclamam demais da insegurança. Há cerca de um mês e meio, uma menina parou o veículo para fazer uma entrega e foi abordada por criminosos armados, que levaram seu carro. É uma situação que causa desconforto para os funcionários”, completa. A companhia já está há cinco anos no SIA.

Riscos

O coordenador alerta ainda para a segurança das famílias que vivem no local. Isso porque a Tecbras é especialista em combustíveis, assim como outras organizações localizadas no setor. “Trabalhamos com um produto muito perigoso e que deve ficar isolado da população, mas as pessoas passam fumando ou com equipamentos que podem gerar faísca. Isso aumenta os riscos de incêndio, ou melhor, de uma tragédia. Se um caminhão desses pega fogo, tudo o que está ao redor em 50 metros se destrói. Vejo muita criança nas proximidades, até ônibus escolar passa aqui”.

O coordenador da empresa, porém, alega nunca ter visto usuários ou traficantes de drogas na região, mas afirma que a presença de adolescentes no endereço é bastante comum.

Disputa ainda na Justiça

Apesar da insatisfação e preocupação dos empresários, o crescimento da invasão no Setor de Inflamáveis parece estar longe do fim, conforme antecipou o JBr. ontem. Graças a uma liminar concedida à Associação Habitacional dos Moradores do Setor de Chácaras, desde 2015, a Agência de Fiscalização (Agefis) está impedida de desobstruir a ocupação. O processo tramita na Vara do Meio Ambiente e está pronto para julgamento desde o último 24 de maio.

Questionado quanto ao atraso no julgamento, o Tribunal de Justiça do DF informa que, apesar de a ação estar pronta para julgamento, o documento trata de matéria comum a diversos processos na Justiça. “Para que não haja divergência nas decisões de casos semelhantes, o magistrado solicitou a abertura do chamado Incidente de Resolução de Demandas Repetitivas (IRDR), como prevê o Código de Processo Civil, suspendendo todos os processos, até que o incidente seja julgado”.

A Agefis confirma que está proibida de fazer qualquer desobstrução, mas garante que “já foram feitas operações no Setor de Inflamáveis para impedir ocupações irregulares”.

A autarquia não soube detalhar a extensão do espaço, o número de moradores e a quantidade de construções erguidas no endereço. No entanto, basta uma rápida volta no setor para se deparar com a estrutura da invasão. O local apresenta postes de iluminação, ruas e conjuntos numerados, cascalho nas vias, comércio diversificado, igrejas e até oficina mecânica, além de casas de madeirite e de alvenaria.

    Você também pode gostar

    Assine nossa newsletter e
    mantenha-se bem informado