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Brasília

Insônia

Arquivo Geral

03/02/2017 17h39

Muitos cartolas (em atividade ou temporariamente afastados) do futebol brasileiro estão passando noites sem dormir, ou fora de suas casas (para não serem encontrados em caso de batida da Polícia Federal nos seus endereços habituais), com a proximidade da divulgação das delações que vem por aí.

Estádios, patrocínios milionários, contratações por valores inexplicáveis… Tudo pode ser incluído no bolo doido dos esquemas de lavagem de dinheiro e provocar algumas detenções – lembrem que um vice-presidente do Flamengo perdeu sua liberdade recentemente, mesmo depois de ser questionado pelos pares se havia risco de prisão.

Há quem deseje (como eu) uma apuração rigorosa dos fatos, passando até pela possível cassação de títulos conquistados, como aconteceu na Itália, por exemplo, há poucos anos – só que lá, faz questão de lembrar o colunista, o esquema era “apenas” de acerto de resultados. Ah… O colunista faz questão de frisar que apóia integralmente que o país seja “passado a limpo” (como disse recentemente um ex-bilionário, detido). Precisamos dar um futuro melhor para nossos filhos.

Em falta

Atlético Paranaense e Botafogo (assim, em ordem alfabética para evitar cornetadas) ficaram devendo em suas estréias na pré-pré Libertadores. Os dois venceram, sim, é verdade, mas as apertadas vitórias indicam partidas de volta com muito sofrimento. E, se me permitem, a pior situação é do alvinegro carioca, que fez o favor de sofrer um gol dentro de casa e, agora, se for derrotado por 1 a 0 perde a vaga para o Colo-Colo – o Furacão, na mesma situação, ao menos irá para os pênaltis contra o Millonarios da Colômbia.

Não pensem, porém, que foram apenas os jogadores que ficaram devendo, não. As torcidas também. Eu, com minha pouca inteligência, não consigo entender como abrem “ingressos extra” no Engenhão e, no borderô, surgem menos de 40 mil pagantes. Torcedores que fizeram festa, criaram mosaico (“joguem por nós”), esticaram bandeirões, mas… Desde o início da partida podia-se ver o treinador tentando fazer a galera “jogar junto” com o time – e, pelo menos no início, dava para ajudar, sim, porque o Botafogo foi com tudo para cima dos chilenos. Tenham certeza de que na próxima semana a torcida do Colo-Colo vai levar o time no colo (perdoem, mas era inevitável…) para tentar a vaga.

No Paraná foi ainda pior. Menos de25 mil pessoas para ver o Atlético Paranaense contra o Millonarios. Menos mal que, no jogo de volta, o Furacão não deverá ter uma torcida assim tão raivosa contra, afinal, o rival não está na lista dos mais queridos em seu país. Acredito que vai jogar fechadinho, fechadinho, rezando por um 0 a 0 salvador. Ah… Antes que digam que o colunista critica sem razão, aviso apenas que o Corinthians, num amistoso contra a Ferroviária, levou mais de 22 mil pessoas ao Itaquerão.

Fruta

Nos tempos da ditadura, representantes da igreja católica eram conhecidos como “melancias”: verdes por fora (alusão a possíveis apoios aos militares), vermelhos por dentro (pelas atividades sociais e de proteção a presos políticos). Desde quarta-feira, pelo menos no futebol, “melancia” passou a ter um novo significado, ou, pelo menos, uma nova explicação.

Pep Guardiola, treinador do Manchester City, referiu-se a Gabriel Jesus como uma “melancia”, após a boa partida do brasileiro (fez até gol). Bem humorado, o técnico disse que uma contratação deste nível é como comprar uma daquelas frutas. “Você só sabe se está boa quando abre”, definiu, candidamente.

Até agora, pelo visto, Gabriel Jesus tem mostrado que a compra foi acertada. Resta saber se o “sabor” permanecerá doce por muito tempo – e se o colunista fez alguma comparação incorreta, peço desculpas: não gosto de melancia e jamais comi um pedaço…

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