Manuela Rolim
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A morte de um estudante dentro da sala de aula do Centro de Ensino Fundamental Zilda Arns, no Itapoã, sinaliza para um cenário de pânico constante dentro da instituição e nas proximidades. Segundo testemunhas, faltam segurança e fiscalização na entrada do colégio, mas sobram porções de drogas e traficantes.
“Só o que tem nessa escola é bandido, traficante. Eles, inclusive, vendem dentro da instituição. Quase sempre, as meninas da limpeza encontram maconha nas lixeiras. Além disso, a maioria dos alunos já foi assaltada na saída. As ocorrências são diárias. Minha amiga, por exemplo, levou coronhadas depois de ser abordada em frente ao prédio”, afirma Milena Pereira, 20.
No 3º ano, a estudante culpa a facilidade de acesso às dependências do colégio. No fim da tarde de ontem, ela e a mãe, a comerciante Francisca Pereira de Souza, 48, estiveram na unidade e se depararam com cartazes no portão. Eles informavam a suspensão das aulas e o retorno somente na próxima segunda-feira, mas também traziam mensagens de repúdio ao crime.
“Qualquer um entra aqui e a qualquer horário, é tudo bagunçado. A presença de um vigilante na entrada não serve para nada, não inibe ou aumenta a segurança. Antes, a gente tinha que apresentar carteirinha, mas, desde o início do ano, não tem mais isso”, contou.
O crime ocorreu no período noturno, na terça-feira (13). Para a mãe de Milena, os alunos deveriam ser revistados. “As pessoas entram com droga e arma. A exigência do uniforme também ajudaria. Fiquei desesperada quando ela me ligou para contar o que tinha acontecido”.
A cena
Milena estava na escola quando o homem encapuzado entrou e disparou contra o estudante. “Muita gente desmaiou na hora. Eu não conhecia a vítima, mas ouvi dizer que era um rapaz tranquilo, religioso. Estávamos em sala de aula quando ouvimos o barulho dos quatro tiros. Foi uma gritaria. Cheguei a ver o corpo dele”, conta.
Ela relata ainda que há boatos de que o crime teria sido passional. “É o que dizem, eu não sei de nada. Os dois, inclusive, seriam da mesma sala. Uma mulher teria reconhecido o suspeito no momento em que fugiu”, finaliza a estudante.
Procurada pelo Jornal de Brasília, a direção do Centro de Ensino Fundamental Zilda Arns preferiu não comentar o caso. Enquanto isso, a delegada-chefe, Bruna Eiras, da 6ª Delegacia de Polícia (Paranoá), responsável pela ocorrência, se limitou a dizer que a vítima não tinha antecedentes criminais e que a corporação já tem uma linha de investigação.
Também procurada pela reportagem, a família da vítima não atendeu as ligações.
Saiba mais
- Gidenilton Ribeiro Lacerda, de 26 anos, foi assassinado por volta das 20h de terça-feira (13), no Centro de Ensino Fundamental Zilda Arns, na Quadra 378 do Itapoã.
- Ele foi atingido com dois tiros no tórax e um no braço esquerdo e morreu antes da chegada do Corpo de Bombeiros.
- O autor do crime entrou no colégio encapuzado, foi em direção a vítima e efetuou os disparos. Em seguida, fugiu em uma bicicleta.
- Ainda não há informações oficiais sobre motivação do crime. À Polícia Civil, a diretora da instituição afirmou que Gidenilton era aluno da 5º série, turma 552 , da Escola para Jovens e Adultos (EJA). A escola tinha vídeo monitoramento, mas as câmeras estão quebradas.
Com indícios de premeditação
Segundo a Polícia Militar, as buscas pelo autor dos disparos contra Gidenilton Ribeiro Lacerda continuam. A corporação ressalta ainda que o crime tem indícios de premeditação e, “como não é possível manter uma viatura fixa em todas as escolas do DF”, os criminosos aproveitam as oportunidades.
A PMDF completa que faz rondas constantes nas proximidades das redes de ensino por meio dos batalhões, em especial o Escolar. Porém, não divulga o efetivo “por questões de segurança”.
“Nesse colégio, assim como em todos os outros, o policiamento é feito por meio de rondas ostensivas e diuturnas, dando prioridade aos horários de entrada e saída de alunos”, garante a corporação.
No fim da tarde de ontem, a reportagem avistou uma viatura da PM perto do colégio. Para o diretor de uma instituição vizinha, a Escola Classe 2, o problema não é falta de policiamento. “Eu já trabalhei nessa escola. Teve uma vez que um aluno esfaqueou o outro dentro da sala de aula. Em outra ocasião, um estudante pegou uma faca e colocou no pescoço da professora. Recebemos todo tipo de aluno. Alguns não respeitam nem os pais, como vão tratar os servidores? Estamos falando de uma comunidade carente de família, de valores e estrutura”, declara Paulo Barbosa.
Quatro vigias
A Secretaria de Educação informou que a direção da escola tomou todas as providências necessárias assim que soube do crime e, imediatamente, chamou a Polícia Militar, que já identificou um suspeito. Quanto à segurança da unidade, a pasta informa que “conta com quatro vigilantes, que trabalham em escala de revezamento, e três porteiros”.