Ícaro Andrade
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Jovens com passagem pelo sistema socioeducativo encontraram no cinema uma inspiração para trilhar uma nova trajetória. Dezesseis deles foram selecionados pelas Unidades de Atendimento em Meio Aberto (Uamas) do Distrito Federal, em parceria com o programa Picasso não Pichava. Durante três meses, participaram de oficinas de cinema, onde aprenderam noções de audiovisual e construção de narrativa. O resultado é o curta-metragem Rumos.
“O filme fala sobre superação e conta a história de um rapaz que não acredita mais em si mesmo. Porém, após uma oportunidade de emprego, consegue dar a volta por cima”, define E.L., 18 anos, um dos responsáveis pela criação do roteiro e direção.
O jovem afirma que o curta é uma inspiração de vida. “Quando eu era mais novo, muitos diziam que eu não iria ser alguém na vida quando crescesse, e acabei absorvendo isso. Coloquei na mente que eu realmente não era capaz, até que um dia me apareceu a oportunidade de sonhar novamente com meu futuro”, explica.
Saiba mais
- Ao final da apresentação do curta, os alunos foram contemplados pelos professores com um diploma de conclusão em oficina de cinema.
- Foram ofertados também, por meio de um sorteio, uma bolsa integral para um curso de cinema e mais duas bolsas para curso de teatro.
E.L. terminou os estudos recentemente e já pensa em ingressar na faculdade. Ele diz que o projeto tem colaborado para que ele se torne uma pessoa melhor. “Eu agradeço muito a oportunidade e a confiança dos professores. Depois que participei do programa estou mais confiante e pretendo estudar Direito”, conta.
O cineasta Fáuston da Silva, responsável por auxiliar os alunos durante as gravações, ressalta que a principal vertente do projeto desde o início foi dar uma oportunidade de acesso ao cinema. “Não queríamos que esses jovens se sentissem no papel de estar cumprindo uma medida judicial, mas aprender algo que pode servir para o resto da vida deles”, conclui.
A secretária de Segurança, Márcia Alencar, aponta a importância dos programas sociais voltados aos jovens: “São sistemas de prevenção à violência que têm como finalidade mudar a nossa relação com a juventude”.
Márcia destaca que teve início uma chamada pública para projetos sociais de prevenção, que visam a contratação de serviços para potencializar os programas em execução no DF, como o Picasso não Pichava, o Esporte à meia noite, o Bombeiro Mirim, e comitês de paz. “Nós vamos melhorar os projetos por meio de parcerias”, prevê.