Menu
Brasília

HUB fecha centro cirúrgico

Arquivo Geral

26/04/2011 9h14

O Hospital Universitário de Brasília (HUB) fechou seu centro cirúrgico. Todos os procedimentos marcados para os próximos dias foram cancelados porque não há material suficiente para manter o serviço, principalmente o cirúrgico. O fornecimento foi suspenso por falta de pagamento.

Só em 2011, o HUB já acumulou R$ 2,9 milhões em dívidas. Os gastos mensais são maiores que a receita vinda do Sistema Único de Saúde, e mesmo os repasses que a UnB faz ao hospital não têm sido capazes de cobrir o déficit. Quase metade dos recursos vindos do SUS são utilizados para pagar os funcionários precarizados – entre eles, médicos, enfermeiros e a maioria dos plantonistas. Só essa folha extra de pagamento custa R$ 1,2 milhão por mês. As empresas terceirizadas custam mais R$ 900 mil.

A dívida total já passa dos R$ 8 milhões. O HUB espera uma repactuação com o SUS, que está sendo estudada pela Secretaria de Saúde do DF. Esse novo contrato deve aumentar a receita do hospital em R$ 300 mil por mês. Um valor ainda insuficiente para resolver a situação financeira do HUB, segundo o diretor Gustavo Romero. “Precisamos urgentemente de R$ 1,5 milhão para regularizar nossa situação com os fornecedores”, afirma. O dinheiro deve ser repassado pela Reitoria ainda nesta semana, o que vai permitir a retomada das cirurgias.

Ainda assim, não existe uma solução definitiva para o déficit no hospital. Com os cortes anunciados pelo governo federal, a UnB não tem condições de cobrir o rombo, que aumenta a cada mês. O decano de Planejamento, Paulo Rocha, quer implantar no hospital um sistema que ajude a controlar os gastos. Seria uma forma de otimizar os recursos que existem. Outra solução seria a realização de concursos públicos para substituir os precarizados. Em julho do ano passado, o Ministério Público Federal entrou com ação que exige concurso imediato para 611 cargos do HUB, em especial para 81 médicos e 51 plantonistas. Porém, a ação ainda não foi julgada.

Já a criação de uma empresa pública para gerir todos os hospitais universitários do país, proposta pelo Ministério da Educação, ainda está sendo discutida entre os reitores das universidades.

O diretor da Faculdade de Medicina, Paulo César de Jesus, teme que a crise financeira provoque o fechamento de alguns serviços. “Se fechar, vou mandar para onde os estudantes? Onde eles vão aprender esses procedimentos?”, questiona.

 

    Você também pode gostar

    Assine nossa newsletter e
    mantenha-se bem informado